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09 maio 2008

DeVotchka - “A Mad & Faithful Telling” (2008 Anti)

Já não é de agora (David Byrne ou Peter Gabriel, entre outros, já por lá passaram), mas a globalização tem uma participação cada vez mais acentuada na música “pop”/“rock”. Existem cada vez mais bandas a buscar inspiração em temas globais (podemos referir Beirut, A Hawk and a Hacksaw, Gogol Bordello, M.I.A., Vampire Weekend, como os mais recentes).
No entanto ninguém cultivou o seu multiculturalismo como os intrigantes DeVotchka.
Originários de Denver, é certo que os DeVotchka nunca foram estritamente uma banda “indie-rock”, sempre navegaram por outros territórios, onde as influências ciganas, eslavas ou gregas, ajudaram a criar este “global gypsy folk” caracteristicamente único. Mas é certo que o seu ecletismo instrumental sempre criou canções épicas e emocionais, que oscilam entre um tipo de “cabaret” teatral e as confissões pessoais.
A fantástica vibração produzida pelo violino, pelo acordeão, pelo “bouzouki”, pelos trompetes, ou pelo “sousaphone”, desembainha uma esfera musical sem limites, desde a introdução com “Basso Profundo”, que mistura “folk” da Europa de Leste com influências Morricone, ou no subtil e luxuriante “Along The Way”, com a impetuosa secção de cordas e as cornetas “mariachi”. E assim como “Head Honcho” se diverte com a “polka”, o bolero está presente em “Undone”e a música cigana em “Comrade Z”. Se a todo isto juntarmos o trautear de Nick Urata, temos o som de um novo mundo global.

08 agosto 2007

Patrick Cleandenim – “Baby Comes Home” (2007 Ba Da Bing!)

Após o sucesso obtido no ano transacto com o disco de estreia dos Beirut, esta pequena editora parece ter encontrado outro potencial sucessor para o ano corrente, com o disco de estreia do nova-iorquino Cleandenim.
O disco contém uma enorme quantidade de influências, evidentes nos trabalhados arranjos que são um testemunho das suas capacidades de criador de clássicos pop, baseados nos seus conhecimentos enciclopédicos que incluem desde o trabalho inicial de Scott Walker, até às “big bands orchestras” e o swing dos anos 50, passando pelo 60’s beat, pela Motown, e a grandiosidade cinemática que percorre permanentemente o disco.
E se estas influências podem funcionar como homenagens, o disco não está preso ao passado, e tem a capacidade de o recriar. Ouçam “Whispers Only Hurt Them”, com a dualidade entre o piano e o órgão Rhodes e a voz ligeiramente distorcida, que refrega de outro modo uma serena canção.
Com um retro “vibes”, onde “Days Without Rain”, é um perfeito exemplo, com o omnipresente piano suportado pelas maravilhosas investidas da secção de cordas, que a transforma numa canção brilhante ao ponto de poder desafiar Rufus Wainwright.
E como podemos resistir a canções com títulos como “Caviar & Cognac”(outro destaque patetamente elegante).
É um disco ambicioso, a música é super-melódica, com sofisticados arranjos de cordas, e um sofisticado trabalho vocal. Uma das grandes surpresas de 2007.
Um episódio da era dourada do pop revitalizado no século 21.