Mostrar mensagens com a etiqueta The Kinks. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta The Kinks. Mostrar todas as mensagens

15 março 2010

The Soft Pack – “The Soft Pack” (2010 Kemado)

O disco de estreia destes “punks minimalistas”de San Diego, é uma boa prova que eles não pretendem ser mais uma “banda do momento”.
É bem visível que não estão interessados em seguir o já extenuado caminho do revivalismo “garage-rock”. Eles apenas tentam ser eles próprios, e sonoramente nunca soam como um lugar-comum mas sim excitantemente frescos, ao combinam uma rara mistura de “garage-rock” e espírito “punk-rock”.
É verdade que estão presentes os afiados “pop riffs”, e que as suas influências podem ser claramente identificadas (não consegui deixar de reparar que incorporam brilhantemente o fragor de uns The Replacements), mas tentaram manter as suas influências “punk” e apenas misturam-na com um pouco do “pop” luminoso que desde sempre brotou da sua nativa Califórnia. Destacam-se pela bruscamente eficiência das guitarras – ruidosas, jubilosas, desarticuladas, tal com os The Kinks outrora fizeram - e pela secção rítmica que mantém as coisas ordenadas.
Mas não se enganem, a sonoridade bem ritmada é balançada pelo sombriamente cínico lirismo constante ao longo do disco. Ajudadas pela desligada entrega do vocalista Matt Lamkin, as canções possuem uma qualidade que as impede de soarem alegres e risonhas, e mantêm as firmemente plantadas algures entre uma apática e congestionada insanidade.
Desde a potente e enérgica, mas melódica “C’mon”, passando pelo pesado dedilhar das acústicas guitarras de “Down On Loving”, pela discordante e feroz “Answer To Yourself”, pela visceral “Move Along”, pela sofisticada e encharcada de reverberação “More Or Less”, pela sinistra “Tides of Time”, pela arrebatadora, saltitante e agressiva “Flammable”, ou pelo demente” lap-steel” presente na hipnótica e perturbadora “Mexico”, estamos na presença de um louco e muito particular cocktail musical.
_

11 dezembro 2009

Inovadores # 15 - The Slits & The Raincoats

Se pretendem música “normal” ou um ordinário “punk-rock”, esqueçam, estamos na presença de dois discos verdadeiramente inovadores, onde mostraram que as raparigas também podiam fazer o que os rapazes andavam a fazer, e aqui podemos incluir ainda as Au Pairs ou as Delta 5, entre outras. Sem as The Slits e as The Raincoats, poderiam não ter existido bandas como Luscious Jackson, L7 ou Elastica.


The Slits - “Cut” (1979 Island)

Explodiram num movimento “punk” dominada pelos homens durante uma abertura de um concerto dos The Clash na sua White Riot Tour de 1977. A sua missão era de escapar às rígidas tradições rítmicas do “rock” e os majestosamente grosseiros estilos do “dub”que influenciaram “Cut” realizou isso mesmo. A sonoridade e o menos que sincero título do primeiro “single” “Typical Girls”, determinou a agenda – as vocalizações chamamento e resposta que lutavam para serem ouvidas sobre percussões em chapas metálicas e irregular dissonância musical.
Apesar do sucesso do disco (chegou ao Top 30 em Inglaterra), a banda perdeu o rumo ao direccionar-se para intratáveis “jams”, editando apenas mais um disco de estúdio. “Cut”, no entanto, mantêm toda a atrevidamente indiferença confrontante da sua capa.
Como bonus no CD, está a versão para “I Heard It Through The Grapevine” de Marvin Gaye.

The Raincoats - “The Raincoats” (1979 Rough Trade)

Politicas, feministas e verdadeiramente inspiradoras, e não o foram só para um jovem americano chamado Kurt Cobain, mas também para o movimento “Riot Grrrl” e para todos os que admiraram a estética DIY do pós-punk.
Criaram canções desiguais e dementes, por via de uma dissonante, mas inata capacidade de compor temas intensamente pessoais, através das suas distintas perspectivas femininas, e reproduzidas através do imoral violino contundente, das irregulares mas emotivas guitarras e das desafiadoras múltiplas harmonias vocais, ruidosos ritmos que resultavam em complexas melodias sem convencionalismos que produziram um estilo musical ímpar, algo totalmente oposto ao que seria de esperar de uma banda cuja influência primaria era o “punk”, visível na perturbadora “Off Duty Trip”, na excelente “The Void” ou na fenomenal versão de “Lola”, um original dos The Kinks.
Como extra na reedição em CD, está incluído o fundamental “single”“Fairytale In The Supermarket.
_
The Slits - I Heard It Through The Grapevine (original Marvin Gaye)
_
The Raincoats - Lola (original The Kinks)

09 dezembro 2009

Tributo # 12 - Luke Haines - The Auteurs - Baader Meinhof - Black Box Recorder

Luke Haines é um dos melhores compositores britânicos das últimas décadas, mas também será provavelmente um dos mais incompreendidos. Ao longo dos anos e através de vários pseudónimos, sempre expressou a sua obliqua afeição pela nativa Inglaterra, especialmente na silenciosa mas feroz luta de classes, que tanto relembrava os The Kinks com os The Fall.
Após várias experiências sem significado, formou os The Auteurs, no início da década de 90, e aqui já se deslumbrava o refinado humor de Haines, visto este ser o único compositor do grupo. Assinaram pela Hut e editaram o glorioso single “Showgirl” e o álbum “New Wave” (1993), o primeiro de vários enervantemente notáveis e intencionalmente mutáveis álbuns.
“New Wave” é constituído por discordantes melodias acústicas e por uma sensibilidades “pop” delicadamente criada, que adornam as letras extremamente poéticas, e está recheado de referências à fama (“Don’t Trust The Stars” ou “Starstruck), que parecem simultaneamente fascinar como assustar Haines.
Seguiu-se o brilhante “Now I’m A Cowboy” (1994), edificado com um visível ressentimento literário e crivado de grandes canções, e mais uma vez, cheio de acusações de desigualdades sociais em “The Upper Classes”, “Chinese Bakery”, “New French Girlfriend” ou “I’m A Rich Man’s Toy”. O triste e agressivo “After Murder Park”(1996) - produzido por Steve Albini - é mais uma colecção de inventivas composições e escassos mas viciosos arranjos (como “Light Aircraft On Fire”, “Unsolved Child Murder” ou “Tombstone”), mas também era brutalmente redutivo, e com referencias a assassinatos e alcoolismo, rapidamente se tornou um intruso para a Britpop na altura no seu auge. O que sempre deu a sensação de que Haines não queria atingir o estrelato como muitas das bandas britânicas da época - Blur, Oasis, Pulp – atingiram.
Depois do erático “How I Learned To Love The Bootboys”, criou o peculiar mas magnifico projecto conceptual Baader Meinhof, inspirado no grupo terrorista com o mesmo nome, onde as insidiosamente doces melodias, e as letras biliosas que caracterizam os The Auteurs continuam presentes mas agora são envoltas com sinistra electrónica.
O mais igualitário projecto Black Box Recorder – com John Moore (famoso por uma passagem efémera pelos The Jesus And Mary Chain) e Sarah Nixey – deixou-nos três excelentes discos – “England Made Me” (um profundamente afectuoso, mas sombriamente cómico olhar sobre os aspectos decadentes da bizarra cultura britânica na década 70); “The Facts Of Life” (um clássico, recheado com um “pop” majestoso, onde Haines progredi através das regiões mais negras de “England Made Me”- como a sociedade de consumo ou a atracção hedonística do capitalismo – em canções verdadeiramente notáveis como “Weekend”, “The Art Of Driving”, “The Facts Of Life”, “The English Motorway System”, “Straight Life” ou “Sex Life”); e “Passionoia” (mais delicada ironia “pop”, se bem que provavelmente demasiado inteligente, onde expressam a sua convicção que estão aqui para nos ensinarem lições sobre a vida – inclui a curiosa declaração de amor a “Andrew Ridgley” dos Wham).
Editou ainda “Das Capital” uma versão orquestral de temas dos The Auteurs, e prosseguiu uma careira a solo, onde se destaca o interessantíssimo “Off My Rocker At The Art School Bop” (mais um sarcástico e caustico relato da cultura e vida britânica nos anos 70, a década onde cresceu Haines, e mais um exibição de génio e coragem, evidente em temas como “Leeds United” ou “Here’s To Old England”.
Ultimamente tentou fugir à imagem misantrópica, que de certa forma sempre o caracterizou, e já este ano editou “21st Century Man”, onde questiona o seu epitáfio.
_
_
_
_

15 janeiro 2009

The Fall – Discografia Selectiva


“Dragnet” (1979 Step Forward)
O som claustrofóbico, tenebroso de uns amadores ranhosos a explorar os nossos nervos. Os regalos incluem o funesto “Flat Of Angles” e “Psykick Dancehall”.

“Grotesque (After The Gramme)” (1980 Rough Trade)
A primeira verdadeiramente grande obra. Foi aqui que os Pavement se inspiraram. A combinação entre o entusiasmante pop-psicadélico e a perversa melancolia – conseguiam ser simultaneamente contagiantes e repugnantes. Melhores faixas: “Container Drivers”, “English Scheme”, “New Face In Hell” e o manifesto “N.W.R.A.” que definiu a sua continuidade.

“Hex Enduction Hour” (1982 Kamera)
“Denso e desordenado. Um massivo desmoronamento de “noise” e histórias ocultas. Um crítico descreveu-o como “música criada para torturar imbecis”. Inclui “The Classic” e “Hip Priest”, que iria ser incluída na banda-sonora de “O Silêncio dos Inocentes”.

“The Wonderful And Frightning World Of The Fall” (1984 Beggars Banquet)
O avanço gradual para a normalidade “pop” com a produção a cargo de John Leckie e já com Brix Smith a bordo. O maravilhoso “Disney’s Dream Debased” está aqui presente, assim como o bombasticamente sangrento “The Lay Of The Land”. Soberbo.

“This Nation’s Saving Grace” (1985 Beggars Banquet)
Provavelmente o melhor disco. Novamente com Leckie, recheado de “riffs” gigantescos e batidas propulsoras, foi aqui onde estiveram o mais próximo do “rock tradicional”, mas ainda bastante afastados do “pop”. Aqui estão presentes a colérica e psicologicamente opressiva sátira de “Spoilt Victorian Child”, o presciente “L.A.” e “I Am Damo Suzuki”, o tributo ao vocalista dos Can.

“Bend Sinister” (1986 Beggars Banquet)
Ao longo do disco prevalece um imenso pessimismo, neste sombrio endereço à mediocridade e ao caprichismo da sociedade. Inclui “Mr. Pharmacist” e “Dktr Faustus”. Seria o fim da associação com John Leckie.

“The Frenz Experiment” (1988 Beggars Banquet)
Quando nos apercebemos que a nossa mente está a ser controlado por este disco, já é tarde demais. Entre a tranquilidade (“The Steak Place”) e a violência (a oculta perversidade de “Bremen Nacht”). Inclui ainda a bem sucedida versão de “Victoria” dos The Kinks.

“Extricate” (1990 Phonogram)
A presença de Adrian Sherwood e dos Coldcut, abrangeu o uso de mais tecnologia (sintetizadores e caixas de ritmos) que conseguiram estimular a banda – “Sing! Happy” rouba a ”Little Doll” dos The Stooges, enquanto o fabuloso “Bill Is Dead” demonstra subtileza. Fabuloso.

“The Infotainment Scan” (1993 Permanent)
Profundamente sintético, consegui entrar no Top 10 das tabelas de vendas britânicas. Apesar de “Glam Racket” ser inconsciente nostálgico e “Paranoia Man In Cheap-Shit Room” ser excentricamente autobiográfico. Um dos seus melhores álbuns.

“The Unutterable” (2000 Eagle Rock)
A velha fórmula – “rock’n’roll”visceral esboçado por cima de abstracções – é completamente implementada. Produzido por Grant Showbiz (que também realizou “Dragnet”) também inclui uma canção sobre William Blake, tal como “Dragnet”.

“Reformation Post-TLC” (2007 Slogan)
Mais uma vez após ter perdido uma formação numa tournée nos Estados Unidos, juntou membros de bandas de Los Angeles, e o resultado foi uma energética união de “riffs”, declamação e tecnologia, entregue com os mesmos níveis de vigor de outros tempos.
E ainda temos os vários singles:
_
_

18 julho 2007

Singles # 1 - The La’s – “There She Goes” (1988 Go! Discs)

Uma das canções mais belas de sempre, com as suas harmoniosas guitarras e cativantes letras, vaticinaram o “Britpop” que ainda estava a anos de distância. Apesar de ter sido originalmente editada em 1988, foi com a reedição deste single (e a consequente edição do seu único álbum) em 1990 que este quarteto de Liverpool se tornou numa das mais famosas bandas de “one-hit-wonder”, como os “brits” tanto gostam.
Liderados por Lee Mavers, um perfeccionista, que preferia ter guardadas na sua cave as versões rudimentares e "lo-fi" da suas composições, do que ter editado a versão final que a sua editora lançou, produzida pelo conhecido Steve Lillywhite.
No álbum de 1990, de título homónimo, misturando as melhores partes dos Beatles, dos The Kinks, e dos Who, Mavers compôs simples canções que cantava com uma voz extramamente vulgar e um impecável sentido de ritmo e graciosidade.
O baixista John Power iria formar os Cast, e tentar dar continuidade ao som dos La’s, sem sucesso.
No entanto este disco permanece como uma das mais sólidas referências do “indie-pop”.
:
Video