28 março 2009

Howling Bells – “Radio Wars” (2009 Independiente)

Este segundo disco do quarteto de Sydney, é uma grande evolução do seu disco de estreia, retendo e remexendo na fórmula que tornou esse disco tão hipnótico e excitante - o delicado balanço entre luz e escuridão - mas incorporando uma maior variedade de sons e estilos. É uma progressão natural do disco de estreia, que agradará aos fãs do disco de estreia e alcançara uma nova audiência. A intenção de mudar é evidente, notando-se uma maior engrenagem na produção e foi visivelmente acrescentada uma camada de brilho, mas a atmosfera de maquinação mantém-se.
Assentes nas distintamente assombrosas e idiossincráticas vocalizações de Juanita Stein (o seu lirismo desenvolveu-se desde o primeiro disco), as composições revelam configurações que seduzem o ouvinte numa calma submissão, pois Juanita exala vida em cada canção, dando-lhes profundidade, significado e beleza.
O resultado final são canções assustadoramente e ameaçadoras deslumbrantes, e verdadeiramente únicas. Começando na cuidadosa e estranguladora “Treasure Hunt”, passando pela hipnotizante e pensativa “Cities Burning Down”, pela apaixonada magnificência de “Nightingale” (simultaneamente taciturna e sedutora), pela brilhante melancolia de “Let’s Be Kids”, até chegarmos ao épico e altaneiro turbilhão de “pop” cinemático presente em “Into The Chaos” e ao notável clímax final no verdadeiro sofrimento da sincera “How Long” (com uma extraordinária e apaixonada vocalização que invoca Hope Sandoval dos Mazzy Star ).
Um disco esplêndido, uma viagem através de inumeráveis e divergentes emoções que nos estimulam e electrizam.
_

18 março 2009

Rock # 6 - Dinosaur Jr.- “You’re Living All Over Me” (1987 SST) / “Bug” (1988 SST)

Apesar de nunca terem tido a importância histórica de uns Pixies ou Sonic Youth, ou mesmo de uns Hüsker Dü ou Big Black, foi por aqui, via The Stooges e o “punk-hardcore” que se começou a desenvolver o caminho que iria levar aos Nirvana. É aqui que encontramos as raízes do grunge e do “lo-fi”.
O trio de Amherst composto por J. Mascis, Lou Barlow e Murph, foram uma explosão de energia, resultado da acção combinada entre a vitalidade e a tensão da química interna produzida pelo grupo liderada por J Mascis, um proto-Cobain que escreveu importantes capítulos na história da guitarra eléctrica. Ousadamente tornaram OK criarem “jams” e aplicarem extensos solos no essencialmente leal movimento “punk-indie”, totalmente desprovido de qualquer enfeite musical.
No inigualável “You’re Living All Over Me”, as canções são concisas e sinceras, onde os dotes e a presença de Mascis são colossais, pela intensidade emocional que coloca nos seus solos de guitarra, complementado por um grande trabalho de Barlow no baixo, uma mistura de melodia e distorção.
Brilhante desde o distinto e contagiantemente louco “feedback” de “Little Fury Things”, passando pela segura “The Lung”, pelo agradável “noise” de “Tarpit”, pela forma como as pesadas guitarras de “Raisans” e a insana “Sludgefeast” envenenam o ouvinte com o seu poder, até chegarmos a “Lose” e à assombrosa “Poledo”, ambas escritas por Barlow (cujas sonoridade relembram mais as desenvolvidas posteriormente no seu trabalho com os Sebadoh).
Em “Bug” o som está mais ordenado e estruturado, mas a banda estava prestes a explodir em conflitos internos. No entanto as acções combinadas mantêm-se num nível elevadíssimo, onde a dinâmica “soft/hard” é um padrão que iguala a atitude de Mascis, que alterna entre delicadeza e desejo e um mortal desencantamento, bem reflectida no ocioso e suavemente distorcido “garage.rock” de “Freak Scene” (a “marca registada” era resmungar vagarosamente vocalizações “folk” e rápidos, ásperos “riffs” e depois derramar ardentes solos de guitarra). Destacam-se ainda o dilacerantemente belo solo de “No Bones”, o reprimido “trashing” de “Pond Song” (que relembra Neil Young na fase “Rust Never Sleeps”), a directa “Budge”, e os enormes e patetas “riffs” de “Yeah We Know”.
Dois discos de prazer intenso misturado com sofrimento intenso.
_
_

16 março 2009

Electronic # 8 - Doctor Rockit - “The Music Of Sound” (1996 Clear)

Matt Herbert empreendeu aqui um novo conceito musical, inspirado pelo “techno” mas frequentemente leve como uma pena, inspirado pelo “ambient” mas projectado para focar tanta atenção quanta conseguir produzir. Os seus trilhos rítmicos são trabalhados a partir de bizarras gravações, seja de uma pessoa a correr na praia ou de alguém a comer uma maça. Sinistras matrizes electrónicas são esculpidas, e distanciados arranjos de cordas e vibrafones são ligeiramente introduzidos, aludindo aos filmes de espionagem dos anos 60. Existem ainda faixas que são baseadas em gravações realizadas em meios onde Herbert se movimenta habitualmente, assim há uma ressonância pessoal quando ele próprio surge a tocar piano acompanhado pelas campânulas de uma igreja Italiana; ou a divertir-se com os seus amigos e os seus acordeões nasais num café de Viena. Também esta aqui incluída “A Quiet Week In The House”, uma bela e simples banda-sonora para um filme animado de Jan Svankmeyer.
A primeira metade do disco tem uma consciência mais experimental; a segunda metade assenta em exercícios rítmicos levemente mais fáceis e directos. Sempre muito delicadamente trabalhados, os sons parecem dar impressão de estarem filtrados e despojados, e existe imenso espaço.
Ao juntar citações da cultura popular com referências muito pessoais e uma animada atitude experimental em relação à tecnologia, Herbert criou uma música muito particular que impressiona por ter muito em comum com muitas das correntes artes visuais. Podem rotula-lo de banda-sonora imaginária ou après-techno, se quiserem, para mim, é somente um tipo de arte encantadora.
_

13 março 2009

Pop # 5 - Aimee Mann - “Lost In Space” (2002 SuperEgo Records)

Ainda bem que Aimee Mann teve problemas com a editora multinacional onde estava, pois a pressão que esta exerceu sobre Aimee, para que editasse um disco mais comercial, resultou num acordo que lhe deu a sua independência. Essa liberdade fez com que a ex-‘Til Tuesday renascesse e regressasse, já na sua própria editora, mais consistente como compositora e como executante. Primeiro com “Bachelor No.2“ (também um disco notável) e depois com este “Lost In Space”, onde nos oferece mais uma viagem muito pessoal, por um mundo onde as personagens alienadas da sociedade tentam encontrar o seu lugar nesse mundo, muitas vezes com consequências devastadoras.
As letras são incrivelmente mordazes e cheias de significado, onde as forças condutoras são ressentimento, frustração e desespero, resultando num sombrio ambiente que percorre o disco.
A voz profundamente nasal de Mann condiz perfeitamente com as letras causticas, que pronunciam exactamente aquilo em que pensamos, mas que muitas vezes temos dificuldade em expressar.
Aqui existe uma mescla de vários géneros musicais que são elevados para novos patamares, criando uma sonoridade muito própria – distinta, rica e celestial.
Tal como “Yankee Hotel Foxtrot” dos Wilco, não existem aqui “singles” óbvios pois o disco funciona como um todo, no entanto, no entanto neste excelente conjunto de canções, articuladas e inteligentes, destacam-se algumas pela sua perfeição - as àsperas “This Is How It Goes”, “Invisible Ink”, as soberbas “Humpty Dumpty” e “Pavlov’s Bell”, a genial “The Moth”, “Real Bad News” e “Guys Like Me”.
_

11 março 2009

Covers # 8


Mais uma ronda à procura de versões, e esta é especialmente dedicada a Lou Reed e os Velvet Underground. Como há tantas versões disponiveis fica desde já prometida uma segunda "edição".
Primeiro os globetrotters musicais DeVotchka:
_

Esta versão é deve ser das primeiras que foram realizadas, mas como recentemente é que comprei o disco, ainda me está no ouvido:
_

O projecto revivalista "glam" de David Sylvian e Mick Karn, criou esta que é uma que gosto particularmente:


Finalmente para acabar, uma versão radical de uma das canções mais perfeitas
(e mais conhecidas) de Reed.

06 março 2009

Classic # 18 - Love – “Forever Changes” (1967 Elektra)

Um dos mais perfeitos discos alguma vez registados, impressiona-me pelos exuberantes arranjos, pelas estruturas acústicas e pelo tom melancólico. E apesar de parcialmente soar como um produto do seu tempo, o disco é extremamente sofisticado musicalmente. Está repleto de instrumentos, de excelentes sinfónicas orquestrações (por David Angel), de sumptuosas harmonias vocais, de distintas melodias, de uma atmosfera sombria e uma grande produção de Bruce Botnick e Lee. Apesar de baseados em Los Angeles, a sua sonoridade não tinha nada a ver com contemporâneos como The Doors, pois a sua música envolve vários estilos, como “folk” e “jazz” o que a torna difícil de catalogar. Por essa altura Lee tornou-se incrivelmente fatalista, convencido que iria morrer e que este seria o seu último testamento, e sabendo que não conseguia competir com a energia eléctrica do seu amigo Jimi Hendrix, Lee decidiu investir num som mais introspectivo.
Tal como a fantástica capa do disco, é um disco cheio de vida, uma rodopiante colecção de cores, estados de espírito e emoções. E alguém pode duvidar disso depois de ouvir o primeiro tema - “Alone Again Or” – começa com a sua contagiante e serena guitarra acústica para depois inesperadamente surpreender-nos com o majestoso e hábil solo de trompete. E o que parece ser uma canção de amor transforma-se numa noção “hippie” em que o narrador proclama “could be in love with almost everyone”.
Os temas são interpretados de uma forma triste, (a paranóia e a morte misturam com temas mais animados) mas nunca oprimida, e ao longo do disco existe uma vivacidade até nas canções mais delicadas como na visão apocalíptica de “Andmoreagain” ou “The Good Humor Man He Sees Everything Like This”. Mesmo nas canções mais “rock”, na propulsiva “A House In Not A Motel” ou na realista “Live And Let Live” o tom é subjugado e a ira é controlada. As visionárias “Maybe The People Would Be The Times Or Between Clark and Hillsdale” e “You Set The Scene” são autênticos postais da era - o verão do amor, cínico e desesperante, formoso e imponente – onde na última tão bem se reflecte a realidade nos seus momentos de solidão e optimismo existencial.
Arthur Lee é um dos mais sobrestimados compositores de todos os tempos, e esta primeira incarnação dos Love foi a melhor pelo seu incompatível convívio com Bryan Maclean.
Indescritivelmente essencial.
_

04 março 2009

The Durutti Column - Discografia Selectiva

“The Return Of The Durutti Column” (1980 Factory)
“LC” (1981 Factory)
“The Guitar And Other Machines” (1987 Factory)
”Vini Reilly” (1989 Factory)

O ironicamente intitulado disco de estreia, resultou de que devido a diversas singulares circunstâncias, Vini Reilly ficou de fazer um álbum sozinho com Martin Hannett. O resultado é um disco muito simples, mas com um grande charme. A forma de tocar levemente relaxada de Reilly isolado em pranto num canto, é suportada apenas pelas extremamente espaçadas sequências rítmicas de Hannett. Este certamente percebeu que “menos é mais”. “Sketch For Winter” e “Collette” são particularmente belas, e onde o doloroso som das guitarras imediatamente induz um sentimento de nostalgia.
O segundo disco dos TDC surgiu em 1980 e o seu título – LC – foi baseado no movimento político italiano “Lotta Continua”. Desta vez Reilly envolveu-se mais na gravação e trouxe o seu colaborador de longa data, Bruce Mitchell, para tocar bateria. Não surpreende que Reilly surja aqui mais confidente, mas ainda existe uma qualidade intimista, tipo “caseira”, parcialmente porque não participam mais nenhuns músicos, parcialmente porque usaram um gravador de quatro pistas TEAC. Reilly invoca emoções dos pedais de efeitos e restante equipamento, e chega a cantar em algumas canções (algo que até os seus maiores apreciadores desaprovam). É certo que as vocalizações são bem misturadas na retaguarda, mas “The Missing Boy” (sobre a morte de Ian Curtis dos Joy Division) é uma canção tão boa, que faz-nos pensar o que aconteceria se ele tivesse convidado alguém para a cantar.
Com “The Guitar And Other Machines” (1988), estavam hesitantes em realizar um disco “pop”, mas a força de carácter de Reilly assegurou que tal não acontecesse. Este disco é fascinante – Reilly aprendeu a trabalhar com sequenciadores, e alargou a palete sonora ao incluir a “viola” de John Metcalfe e a harmónica de Rob Gray. Finalmente encontrou as apropriadas vocalistas em Pol e na chinesa Liu Sola. E até existe um verdadeiro produtor na figura de Stephen Street. Uma canção como “When The World” tem mais estruturas do que era habitual, com paragens, solos rabiscados e inclusive um refrão.
Recuando um pouco da cratera latente do “pop” ”Vini Reilly” de 1989 ainda conta com a participação de Street, mas têm Reilly na co-produção. Aqui adicionou o “sampling” aos seus atributos e vários “samples” vocais estão disseminados pelas canções. A sonoridade é grandiosa e quente de uma forma melancólica, devido principalmente à maior presença da vigorosa guitarra acústica.
Os quatro discos são todos notáveis, e se prefiro “The Guitar And Other Machines, desconfio que é pela tensão existente entre a disciplinada produção de Stephen Street e a auto-indulgência genial de Vini Reilly”.
_
_

27 fevereiro 2009

My Favorites # 14 - The Disposable Heroes Of Hiphoprisy – “Hipocrisy Is The Great Luxury” (1992 4th & Broadway)

Em 1992, os TDHOH editaram um dos mais subestimados discos da década. E eles são tudo menos “disposable”, pois estabeleceram um novo padrão para o rap. Erguendo-se das cinzas dos The Beatnigs, Michael Franti e Rono Tse, criaram um disco histórico numa altura onde a maioria dos “rappers” estavam a promover o “gangsta”, os TDHOH criticavam severamente a América e os seus estabelecidos limites, empreendendo uma campanha global, cheia de inéditos comentários politico e social que rasga até ao núcleo central das modernas injustiças, abordando temas tabus no rap, como a homofobia e os vícios consumistas dos negros, tudo isto através de descrições acutilantes e de um discurso articulado e não dogmático.
Mas classificar este disco como “rap”, é ambíguo, pois os elementos industrias estão bem presentes e relembram as experiências anteriormente abordadas pelos Consolidated e Tackhead – e se os “Inspirators & Conspirators” listados no “booklet” que acompanha o disco incluem Gil Scott-Heron, KRS-One e Public Enemy, também incluem Jello Biafra, Adrian Sherwood e Meat Beat Manifesto – podemos dizer que temos uma fusão, um “industrial rap”, totalmente diferente do que Franti desenvolveu posteriormente no projecto Spearhead.
Os TDOHO atacavam politicamente, emocionalmente e racialmente de uma forma inteligente, onde cada cortante canção é brilhante, entregue pela intensamente hipnotizante e serena voz de Franti sobre contagiantes “beats” e inteligentemente colocados “samples”.
Relatos nada delicados de uma sociedade dominada pela televisão (“Television, The Drug Of The Nation”), de casos violentos de descriminação contra minorias (“Socio Genetic Experiment”), da Guerra do Golfo (“The Winter of The Long Hot Summer”), ou a notável versão de “Califórnia Über Alles” (original dos Dead Kennedys) eram fortes mensagens que nos permitem decidir sobre o tópico politico em discussão pela nossa própria cabeça.
_

23 fevereiro 2009

Inovadores # 12 - Silver Apples – “Silver Apples” (1968 Kapp)/ “Contact” (1968 Kapp)

Alan Vega dos Suicide costumava citar o nome dos Silver Apples como a principal influência para as suas estranhas psicoses sonoras. Nada soava como os Silver Apples quando o duo apareceu em 1968. Era uma rígida, embora pulsante e hipnotizante apropriação do “rock” para além dos seus limites. Se bem que o apetite pela experimentação inevitavelmente conduziu muitos grupos a introduzir instrumentos electrónicos, foram os SA, que desde o princípio, ousaram abandonar todos os outros instrumentos para estender e capturar o som do futuro.
Simeon Coxe deixou Nova Orleans com 21 anos para tentar a sua sorte como pintor em Nova Iorque. Mas um encontro casual com o compositor Hal Rodgers, iria mudar o seu rumo. Este mostrou-lhe o “oscillator” que tinha ligado ao seu equipamento “stereo”. Era a primeira vez que Coxe via de perto um instrumento electrónico, e ficou totalmente fascinado pelos sons alienados que produzia. Posteriormente Coxe adquiriu o instrumento, que iria costumizar e que viria a ser a base do futuro som dos Silver Apples.
Antes ainda teve algumas experiências com outros grupos, que se foram distanciando de Coxe pelo facto de este querer introduzir gradualmente mais electrónica, até que um dia ficou sozinho com o baterista Danny Taylor, que tinha tocado com Jimi Hendrix e por isso não era facilmente perturbado por ruídos antinaturais, e ambos decidiram formar os SA.
O seu primeiro disco foi editado por uma pequena editora chamada Kapp em 1968, suportado pela surpreendente capa prateada com o recorte de duas maças a negro. A música era uma unicamente híbrida mistura de dinâmicas “rock” - cortesia da sintonizada bateria de Taylor - de caprichosa electrónica e de poesia fornecida por vários conhecidos da banda. Para o segundo disco tiveram acesso a um estúdio de 24 pistas, com uma mesa de mistura que se parecia com a consola de um avião. Isso seria espelhado em tom de brincadeira na capa do disco, onde aparecem fotografados dentro do “cockpit” de um avião real da Pan Am.
Mas seria também o inicio do fim, a companhia aérea ameaçou avançar com uma acção judicial, a que se seguiu um conflito com o agente da banda relacionado com dividas contraídas, que iria impedi-los de actuar ou gravar, e que eventualmente acabou com a banda.
No final do século passado surgiu um interesse pelo trabalho do grupo através de tributos prestados por gente como Xian Hawkins, Flying Saucer Attack, Third Eye Foundation e Spacemen 3. E chegaram a gravar um disco mediano com Steve Albini, mas é neste dois discos que está um importante capítulo da evolução musical.

19 fevereiro 2009

Brian Eno – Discografia Selectiva

Como complemento a “Another Green World” e “My Life In The Bush Of Ghosts”.

Pop
“Here Come The Warm Jets” (1973)
“Taking Tiger Mountain” (1974)
“Before And After Science” (1977)
O primeiro disco a solo de Eno, “Here Come The Warm Jets” foi editado à trinta e seis anos e ainda hoje soa moderno e surpreendente, com a sua descarada combinação de “glamour”, “pop” clássico e do dramatismo dos Velvet Underground. São pequenas e singulares canções iluminadas por relâmpagos de demência.
“Taking Tiger Mountain” inspirado pela revolucionária opera Chinesa do mesmo nome, vai ainda mais longe e mais misteriosamente na mesma linha.
Em “Before And After Science”, o fértil sentido de fluidez na música de Eno, criou um disco clássico, onde um resplandecente e excepcionalmente invulgar “pop” (“Backwater”, “Kings Lead Hat”) aparece lado a lado com a imponente melancolia de “Julie With…” e “Spider and I”.

Ambient
“Music For Airports” (1978)
“On Land” (1982)
“Thursday Afternoon” (1985)
Tenho a percepção de que “Music For Airports” é um dos mais influentes discos dos últimos 30 anos, se não de sempre. Eno teve a distinta intenção de criar um novo tipo de música, que procuraria produzir atmosferas e texturas, ou se preferirmos “ambientes”, em vez de canções que se podiam assobiar. Ainda hoje soa comoventemente excêntrico.
“On Land” confia ainda menos em ferramentas convencionais, conjura sensações específicas aplicadas numa variedade de texturas sonoras que inclui “samplers” de sapos!
“Thursday Afternoon” foi especialmente desenvolvido para CD e Vídeo, (um peça de 61 minutos para uma instalação de Christine Alcino), e é espantoso.

Experiências instrumentais
“Discreet Music” (1975)
“Music For Films” (1978)
“Apollo: Atmospheres And Soundtracks” (1983)
Deitado na cama, após ter sido atropelado por um táxi, Eno descobriu que um dos canais da sua aparelhagem estava tapado, retribuindo a musica que escutava pouco audível por cima da chuva que cai-a. A semente da música ambiental foi disseminada com “Discreet Music”, uma longa peça título e três variações inspiradas no conhecido “Canon” de Pachelbel.
“Music For Films” é um atractivo pacote de pequenos fragmentos instrumentais que explora toda a extensão musical desde leves camadas ambientais até “funk” oblíquo.
“Apollo” foi produzido para o filme de Al Reinert sobre aterragens na lua e é uma brilhante invocação dessa grandeza que utiliza técnicas tão diversas como ruídos de tractores e reluzentes guitarras dobro.

Colaborações
“No Pussyfooting” (1973) com Robert Fripp
“Evening Star” (1975) com Robert Fripp
As colaborações de Eno são lendárias e aqui estão duas que são mais que pertinentes hoje. Os dois discos com Fripp eram bastantes avançados para o seu tempo – longas explorações instrumentais que eram distintas do rock progressivo da época pelo seu senso de risco e pela existência das fronteiras do conhecimento. Também nunca tivemos títulos como “Swastika Girls” pelos Yes.

17 fevereiro 2009

Do fundo da prateleira # 14 - Long Fin Killie - “Valentino” (1996 Too Pure)

Depois da estreia com “Houdini” (1995), os escoceses Long Fin Killie continuaram em “Valentino” com a sua fascinação pelos singulares compassos rítmicos, pelas harmonias abrasivas, pela bizarra justaposição de instrumentos e por um vasto conjunto de influências estilísticas. Pois a sua inquietante sonoridade tanto relembra outros grupos da Too Pure (o etéreo ambiente fantasmagórico dos Pram, os vestígios “jazz” dos Moonshake), como o “shoegazing” de uns My Bloody Valentine ou Slowdive, e também a música tradicional Celta, esta representada pela forte presença de instrumentos étnicos (bouzouki, mandolin, violino, etc).
A música é bastante impressionista e melódica, e praticamente cada canção evoca um conjunto de diferentes emoções no ouvinte, pela forma como une as sussurrantes vocalizações com a complexa percussão, e impetuosos andamentos e descaradas guitarras com pormenorizados arranjos. As excêntricas e surrealistas letras de Luke Sutherland demonstram uma estranha e maravilhosamente deformada opinião sobre o mundo – ouçam “Neile” ou “Valentino”.
Disto tudo resulta um disco invulgarmente fascinante, tonificante, altamente delicado e perspicaz. Desde “Kitten Heels”, e o seu “rock” empolgante com a ultra rápida bateria e o “para-arranca” das densas guitarras passando por “Girlfriend” e os seus cortantes violinos, as vocalizações megafônicas e a deslizante linha de baixo até atingirem o nível mais alto em “Cupid” uma escultural obra-prima sónica, com os sustenidos violinos e a triturante percussão.
_

13 fevereiro 2009

My Favorites # 13 - Echo And The Bunnymen – “Heaven Up Here” (1981 Korova)

Edificado sobre a juvenil vitalidade e dinamismo do exuberante “Crocodiles”, “Heaven Up Here” é, para mim, o auge de expressão dos Echo And The Bunnymen.
Existe aqui algo mais místico do que na maioria dos discos, mais filosófico e auto-motivante, e este torna-se no “nosso disco”, é como se estivesse-mos envolvido na sua criação. Está recheado de momentos sombrios assim como algumas estranhas e serenas fantasias que juntamente com as letras hipnotizadoras podem semear-se no nosso inconsciente.
Somos surpreendidos com as contundentes guitarras de Will Sergeant que cintilam como gotas que caiem em charcos, enquanto o baixo produz “riffs” hipnóticos e a bateria tritura ritmos tribais (o baterista Pete De Freitas tem uma importância divina ao longo de todo o disco). E depois reparamos na voz: ela eleva-se, mergulha, penetra, guia-nos e luta com a música, muitas vezes no espaço da mesma canção. A voz de Ian McCulloch é sinistra e possui algo de divino e anciã que nos faz acreditar nele. Ela que goteja quer sejam dramas ou situações patéticas, entregando poemas ocultos que nos atraem para uma estranha lógica interior que efectivamente com o passar do tempo começa a ter o seu sentido.
A “magia” está presente em todo o disco, mas destacam-se as três primeiras canções, uma das melhores trilogias de abertura de sempre:
“Show of Strength” a bateria e o baixo formam uma sólida rede sobre a qual a guitarra investe e lamenta-se. Ian McCulloch“ apregoa por aceitação, e a sua segura e gloriosa melodia faz com que acreditemos no seu magistral romantismo, a guitarra magicamente liga tudo num enorme buraco sem emenda, e a canção parece entalhada numa gigante montanha-russa.
“With a Hip” começa com uma sonoridade reminiscente de um vastidão industrial e termina com um cometimento à grandeza. Pelo meio as guitarras constroem uma tensão que é libertada através dos ensurdecedores tambores.
“Over The Wall” é uma viagem nocturna pelas encostas, enquanto o nevoeiro se precipita e as incertezas que nos atormentam rastejam por debaixo da nossa pele.
_

11 fevereiro 2009

Electronic # 7 - The Human League – “Reproduction” (1979 Virgin) / “Travelogue” (1980 Virgin)

A formação inicial dos Human League - Phil Oakey, Martyn Ware, Ian Craig Marsh – foi responsável pela criação de dois excelentes discos que ajudaram a definir o futuro da música electrónica, antes da acrimoniosa separação e Oakey ter remarcado a sonoridade “pop” e Ware/Marsh fazerem razia nos BEF e Heaven 17.
Com uma sonoridade experimental, a sua música era minimal, gelada e organicamente desordenada muito mais próxima de uns Cabaret Voltaire, Suicide ou Throbbing Gristle (e não polida como viria a tornar-se em meados dos 80’s) e as letras tinham um carácter que os colocavam num território similar a uns Joy Division. E notavelmente conseguiram conciliar as pretensões artísticas, com a postura assumidamente “pop” - influências obvias de Kraftwerk, Tangerine Dream e David Bowie - essencialmente queriam fazer as coisas de uma forma diferente.
“Reproduction” remete-nos para um ambiente sinistro, com um sonoridade puramente electrónica (convém relembrar que nesta altura ainda não havia “pro-tools”) que ainda hoje parece vir do futuro e que em nada se relaciona com a ociosamente estabelecida nostalgia habitualmente associada aos anos 80 – de um lado estão as jóias “pop” como o resoluto single “Empire State Human”, o eufórico “Blind Youth” (uma resposta ao etos “no future” do movimento “punk”) e a brilhante versão (ou deconstrução) do clássico “You’ve Lost That Lovin’ Felling”, do outro estão, em contraste, os temas secos e mirrados como “Almost Medieval” e o single “Circus of Death”.
“Travelogue” possui uma sonoridade mais limpa e mais épica do que “Reproduction”, e inclui o ritmado “noise” de “The Black Hit Of Space”, a excelente versão de “Only After Dark” (original de Mick Ronson), o provocadoramente triste relato da escravidão do trabalho de “Life Kills”, a desesperação resultante da fuga da opressão de “Dreams Of Leaving”, o poderio enérgico da sobrecarregada reconstrução do single “Being Boiled” e as suas viciosas palmas electrónicas.
O disco termina (na versão original /vinil) com “WXJL Tonight”, onde Oakey é o ultimo DJ humano numa sociedade futura onde as rádios são totalmente automáticas e no final começa a gritar implorando aos ouvintes para não o abandonar. Arrepiante.
_
_

09 fevereiro 2009

The Phantom Band – “Checkmate Savage” (2009 Chemikal Underground)

O disco de estreia deste sexteto de Glasgow é um assimétrico trabalho de génio, um disco corajosamente ambicioso e verdadeiramente inclassificável.
A Chemikal Underground é uma casa genuína para os resultados aqui apresentados, pois encaixam perfeitamente no lado negro do movimento “indie” escocês condensado pela editora (Arab Strap, Mogwai), e que aqui parece ter encontrado uma banda seminal para revitalizar o seu futuro, pois apesar das canções serem divertidas e relaxadas, existe uma subtil tonalidade sombria que domina.
A versatilidade da banda é impressionante e torna as comparações difíceis, mas entre muitos outros, podemos encontrar semelhanças no dissimulado “folk-rock” dos compatriotas The Beta Band. Experimentam com sons e texturas, mas todo é feito ao serviço da melodia. Podemos afirmar que dividem uma ética “punk”, com uma estética desavergonhadamente “pop”.
Apesar das suas óbvias predilecções para experimentações sonoras, a produção polida de Paul Savage, antigo elemento dos The Delgados, amacia as partes ásperas.
Desde a mais directa arrebatadora “The Howling” com as suas perfeitamente posicionadas golpadas de guitarra e ansiosa melodia, passando pelo ruidoso “pop” psicadélico de “Folk Song Oblivion”, pelo assustador “krautrock-disco“ de “Left Hand Wave”, pelos hermeticamente disciplinados “beats” do frenético “Crocodile” (simultaneamente melancólico e alegre), até ao formidavelmente belo “Island”, onde as harmoniosas guitarras e o distinto coro revelam-se genuinamente comovedores.
Tudo isto resulta num trabalho com um preciso sentido de excentricidade, jovialidade e irrequietude.
Infelizmente não vem de Brooklyn senão seriam já candidatos ao disco do ano.
_

04 fevereiro 2009

Editoras # 4 - Chemikal Underground - Uma Selecção







Mogwai – “Young Team” (1997)
Arab Strap – “Philophobia” (1998)
The Delgados – “The Great Eastern“ (2000)
The Radar Brothers –“And The Surrounding Mountains” (2002)

Os primeiros discos editados pela Chemikal Underground relembraram-me da ética da Postcard.

A Chemikal Underground sempre foi vista como a “pateta” prima teenager do rock britânico – e a sua singular petulância apenas reforça essa ideia (ainda se lembram daquelas t-shits utilizadas pelos Mogwai com o dizer: “Blur Are Shite). Na verdade, isso é apenas metade da história. Pois o catalogo inicial da editora escocesa pode ser imperfeitamente dividido em duas distintas categorias: o “pop” acústico facilitado pelos fundadores da editora, The Delgados, e o melancólico experimentalismo condensado pelos Arab Strap.
O disco de estreia dos Mogwai, “Young Team”, encaixa na segunda categoria. É uma viagem provocante – a colecção de fracturados “rock-out” instrumentais, variando desde as entorpecidas guitarras nos versos até às explosões de “feedback” no refrão. “Yes! I Am A Long Way From Home” é reminiscente da sonoridade praticada pelos padrinhos do “lo-fi” Slint, enquanto “Mogwai Fear Satan” ressoa até ao ruidoso final recheado de címbalos.
Mas enquanto as dinâmicas “silêncio/barulho ensurdecedor” dos Mogwai frequentemente obrigam os ouvintes a ajustar os volumes sonoros, os Arab Strap seguem uma ainda mais sombria forma melancólica de tocar guitarra no seu segundo disco “Philophobia”.
Guiados pelas vocalizações resmungonas de Aidan Moffat e unindo sonoridades Velvet Underground com o que soa a uma velha caixa de ritmos Casio, a sua “folk” acústica é deliciosamente triste.
Por contraste, nos The Delgados e nos The Radar Brothers, têm duas bandas desavergonhadamente acessíveis. O disco de 2000 dos primeiros, “The Great Eastern”, produzido por David Fridmann (na altura nos Mercury Rev), é um alegre disco de “pop” acústico que varia desde as harmonias estilhaçadas de uns Pavement (“Reasons For Silence”) até ao “rock” estival dos Teenage Fanclub (“Thirteen Gliding Principles”). Já as firmes vocalizações e as rígidas guitarras do assombroso “And The Surrounding Mountains” são reminiscentes da “folk” “lo-fi” de uns Smog. No seu melhor (“Rock Of The Lake”; “On The Line”) eles soam gloriosamente apaixonados.

_
_

03 fevereiro 2009

Editoras # 3 - Postcard - The Sound Of Young Scotland

Ao contrário de Londres e Liverpool, nos anos 60 e 70, a Escócia não tinha tradição musical.
Isso mudou com a criação em 1979 da Postcard Records por Alan Horne. Situada em Glasgow, a partir de um pequeno andar arrendado, esta memorável editora foi a responsável por apresentar ao mundo bandas talentosas e visionárias como os Orange Juice, Aztec Camera e Josef K, e pelo celebrado slogan “The Sound Of Young Scotland”. Mas também foram responsáveis por descobrirem e terem editado o primeiro registo dos australianos The Go-Betweens.
Apesar de todos estes grupos terem assinado por outras editoras, muitos argumentam e debatem que nunca editaram nada tão bom com aquando da sua estadia na Postcard. Podemos não concordar com isso, mas o que é inequívoco é que cada “single” editado pelo Postcard é um absoluto clássico. E o seu impacto na música “pop” escocesa foi fundamental, inspirando bandas que durante os anos se foram confessando fãs como The Wedding Present, Teenage Fanclub, Belle & Sebastian, Franz Ferdinand e até mesmo os Travis.
A Postcard obrigou a industria musical fortemente centrada em Londres a olhar para norte, mais precisamente para Glasgow (da mesma forma como a Factory iria fazer para Manchester), de onde também surgiram outros grupos visionários como Associates, Altered Images ou The Fire Engines.
As grandes editoras estiveram atentas e de repente surgiram numerosamente em Glasgow para a caça ao ouro. E o rápido sucesso da Postcard acabou por ser também a sua desgraça e ruína, pois os grupos da editora acabaram por a abandonar para assinarem pelas multinacionais. Também a partir da segunda metade dos anos 80, os principais músicos escoceses abandonaram a ética DIY do Postcard e ao assinarem pelas grandes editoras, abraçaram o seu lado comercial. E se por um podemos incluir os magníficos The Jesus and Mary Chain nos grupos que assinaram por multinacionais, por outro temos que os excluir pois numa primeira fase nunca se desviaram da sua muita peculiar sonoridade, numa época onde surgiram os manhosos e ornamentados Hue & Cry e Deacon Blue. Mas as pessoas depressa se cansaram desse som açucarado, e uma nova geração de músicos escoceses iria novamente redescobrir e reinventar o som da Postcard. E a partir do final dos anos 80, a Escócia produziu muita da música mais original e criativa através dos já referidos The Wedding Present ou Teenage Fanclub, mas também dos The Pastels, The Vaselines ou Mogwai.
Hoje esse espírito pioneiro ainda poderá ser encontrado em pequenas editoras escocesas como a Chemikal Underground ou a Geographic.
_

23 janeiro 2009

Inovadores # 11 - Pere Ubu - “The Modern Dance” (1978 Blank) / “Dub Housing” (1978 Chrysalis)

Um dos grupos mais importantes dos últimos 30 anos, os Pere Ubu, formaram-se em Cleveland, uma cidade industrial orgulhosamente decadente, que fomentou o sentimento de reclusão e a simpatia pelas ruínas da industrialização que serviriam de inspiração para a formação dos mesmos.
Liderados pelo seu ideólogo e arauto, David Thomas, descrevem um mundo onde os propósitos foram modificados e servem a banda-sonora desse mesmo mundo em mutação.
Embora afastados de Nova Iorque, de onde eclodiu o “punk”/ “new wave” americano – Patti Smith, Television, Talking Heads – os Pere Ubu estavam próximos em temperamento, eram o lado sombrio dessa geração. Tiveram poucos antecedentes e poucos seguidores (só se referenciar-mos o projecto embrião Rocket From The Tombs), nesta sonoridade muito própria, que decididamente não será “punk” (nem sei se eles próprios o sabiam), mas que resulta na singular mistura do “art-rock” de Captain Beefheart, com as indolentes texturas “avant-garde” – os ritmos opostos, as guitarras dementes, a temerosa electrónica, o abstracto “noise”, as vibrantes psicóticas vocalizações de Thomas – gerando um importuno mas vigoroso “rock”.
Os seus dois primeiros discos são realmente especiais, fenomenalmente inventivos e proféticos, onde temos que reconsiderar todas as ideias preconcebidas do que é harmonia, melodia e ritmo.
Em “Modern Dance” (1978) (com a sua exótica capa - um trabalhador operário do antigo regime soviético com sapatos de “ballet”) Thomas canta sobre a sua incapacidade de comunicar, sobre a sua confiança na namorada para protege-lo contra o mal, ou sobre o pânico resultante da possibilidade de relações íntimas, e divide-se entre um gorjeador melodioso ou um relinchar explosivo. Destacam-se obviamente a pós-traumatica “Non-Alignment Pact” e “Life Stinks” que ainda hoje soam agressivas e niilistas, e ainda a psíquica “Sentimental Journey”, “Street Waves”, “Real World” e “Humor Me”.
Em “Dub Housing” a mescla é fantástica, desde as contagiantemente “funky” “Navvy” ou “On The Surface”, passando pelas experimentações “noise” de “Thriller” ou “Blow Daddy-o”, pela levemente oscilante “Drinking Wine Spodyody”, pelo “psico-pop” de “Ubu Dance Party”, ou a brilhante “Caligari’s Mirror”, que captura magnificamente a tensão entre paranóia e hilaridade, sempre presente na gelada tonalidade que percorre este disco, com Thomas completamente psicótico, a derramar torrentes de conscientes divagações que obviamente influenciaram Black Francis e os seus Pixies.
Uma experiência nada fácil.
_
Pere Ubu - Non-Alignment Pact
_
Pere Ubu - Navvy

20 janeiro 2009

Grouper – “Dragging A Dead Deer Up A Hill” (2008 Type)

Grouper é o projecto muito pessoal da enigmática Liz Harris. E se os primeiros discos, desta originária de Portland, eram mais baseados em “drones” de guitarra e muito mais abstractos, neste terceiro, onde ainda continuam presentes os murmúrios minimalistas, existiu uma expansão e desenvolvimento sonoro, onde Harris reduziu a quantidade de distorções e introduziu muitos mais rudimentares dedilhados de guitarra acústica que permitiu tornar a sua voz mais límpida.
Um disco introspectivamente melancólico calorosamente emocional que merece grande elogio e atenção – pela utilização de delicadas estruturas sonoras baseadas nas arrepiante mas serenas e ininteligíveis vocalizações e nas assombrosas mas calmantes guitarras carregadas de efeitos sobre arrebatadores “drones” ambientais.
Apesar da presença única de Harris na guitarra e vocalizações, ambas são multiplicadas, causando uma ressonância das mesmas, tornando estupendamente rica a atmosfera sonora, e dando ao disco uma estranha e inexplicável coesão. E apesar do seu perturbador titulo e da arrepiante fotografia da rapariga com o chapéu preto na capa, existe uma grande profusão de beleza evidente em canções como a absolutamente fabulosa “Heavy Water/I’d Rather Be Sleeping”, a excelentemente construída “Disengaged”, a assustadora “Invisible”, as atmosféricas “Wind And Snow” e “Tidal Wave”, ou a ritmada “Fishing Bird”.
Uma “pop-drone” experimental onde as comparações com Cocteau Twins podem justificar-se pelas sedutoras vocalizações de Harris, mas a sua atmosférica temerosa e as dissonantes harmónicas “folk” relembram também o trabalho de Andrew Chalk.
_

19 janeiro 2009

The Fall @ CdM - 17.01.2009

A espera pela prestação ao vivo de uma das mais lendárias bandas de todos os tempos era grande. E o aperitivo foi um excelente jantar acompanhado pelos distintos bloggers April Skies, Classe de 70, Dedos Bionicos, Gravilha, Mouco, O Puto, elementos de uma das melhores bandas nacionais, e de uma loja de referência do Porto.
A recepção foi efectuada com uma curiosa e interessante manipulação vídeo-sonora de gente diversa como Eurythmics, Elvis Presley (esta particularmente brilhante) ou Barbra Streisand, que preparou a entrada da banda em palco.
Como previsto a prestação incidiu sobre “Wax Imperial Solvent”, o ultimo de originais do grupo e um dos melhores da última década.
Para além da presença carismática em palco de Mark E. Smith, que alguém brilhantemente comparou a Mr. Magoo - cujo momento alto foi a leitura das letras a partir de um folha de papel de costas viradas para a audiência - ficou na memória de todos os presentes a forma fenomenal como transformaram “50 Year Old Man” ou “Reformation!” em autênticos exercícios frenéticos de transe psicadélico, com destaque para a excelente performance da banda que actualmente acompanha MES, e que excluindo Elena Poulou (a actual Sra. Smith), apenas estão juntos desde 2006. Parecem que estão dispostos a aturar MES - como sempre a mexer nos amplificadores do guitarrista e do baixista.
Para todos os fieis seguidores faltou o regresso aos anos 80, e dessa época o máximo que MES retrocedeu foi até 1988 com “Carry Bag Man”, e se para o encore existiam expectativas em todos para que os seus desejos pessoais - “Mr.Pharmacist”, L.A.”, “Victoria” – fossem realizados, nem à década de 80 foram, ficaram por 1991 com uma das várias “covers” que sempre realizam, neste caso a honra couve a “White Lightning”.
Este é o seu mundo e nem todos são convidados, e como o próprio diz: “I’m a 50-year-old-man”… “and i like it”…

15 janeiro 2009

The Fall – Discografia Selectiva


“Dragnet” (1979 Step Forward)
O som claustrofóbico, tenebroso de uns amadores ranhosos a explorar os nossos nervos. Os regalos incluem o funesto “Flat Of Angles” e “Psykick Dancehall”.

“Grotesque (After The Gramme)” (1980 Rough Trade)
A primeira verdadeiramente grande obra. Foi aqui que os Pavement se inspiraram. A combinação entre o entusiasmante pop-psicadélico e a perversa melancolia – conseguiam ser simultaneamente contagiantes e repugnantes. Melhores faixas: “Container Drivers”, “English Scheme”, “New Face In Hell” e o manifesto “N.W.R.A.” que definiu a sua continuidade.

“Hex Enduction Hour” (1982 Kamera)
“Denso e desordenado. Um massivo desmoronamento de “noise” e histórias ocultas. Um crítico descreveu-o como “música criada para torturar imbecis”. Inclui “The Classic” e “Hip Priest”, que iria ser incluída na banda-sonora de “O Silêncio dos Inocentes”.

“The Wonderful And Frightning World Of The Fall” (1984 Beggars Banquet)
O avanço gradual para a normalidade “pop” com a produção a cargo de John Leckie e já com Brix Smith a bordo. O maravilhoso “Disney’s Dream Debased” está aqui presente, assim como o bombasticamente sangrento “The Lay Of The Land”. Soberbo.

“This Nation’s Saving Grace” (1985 Beggars Banquet)
Provavelmente o melhor disco. Novamente com Leckie, recheado de “riffs” gigantescos e batidas propulsoras, foi aqui onde estiveram o mais próximo do “rock tradicional”, mas ainda bastante afastados do “pop”. Aqui estão presentes a colérica e psicologicamente opressiva sátira de “Spoilt Victorian Child”, o presciente “L.A.” e “I Am Damo Suzuki”, o tributo ao vocalista dos Can.

“Bend Sinister” (1986 Beggars Banquet)
Ao longo do disco prevalece um imenso pessimismo, neste sombrio endereço à mediocridade e ao caprichismo da sociedade. Inclui “Mr. Pharmacist” e “Dktr Faustus”. Seria o fim da associação com John Leckie.

“The Frenz Experiment” (1988 Beggars Banquet)
Quando nos apercebemos que a nossa mente está a ser controlado por este disco, já é tarde demais. Entre a tranquilidade (“The Steak Place”) e a violência (a oculta perversidade de “Bremen Nacht”). Inclui ainda a bem sucedida versão de “Victoria” dos The Kinks.

“Extricate” (1990 Phonogram)
A presença de Adrian Sherwood e dos Coldcut, abrangeu o uso de mais tecnologia (sintetizadores e caixas de ritmos) que conseguiram estimular a banda – “Sing! Happy” rouba a ”Little Doll” dos The Stooges, enquanto o fabuloso “Bill Is Dead” demonstra subtileza. Fabuloso.

“The Infotainment Scan” (1993 Permanent)
Profundamente sintético, consegui entrar no Top 10 das tabelas de vendas britânicas. Apesar de “Glam Racket” ser inconsciente nostálgico e “Paranoia Man In Cheap-Shit Room” ser excentricamente autobiográfico. Um dos seus melhores álbuns.

“The Unutterable” (2000 Eagle Rock)
A velha fórmula – “rock’n’roll”visceral esboçado por cima de abstracções – é completamente implementada. Produzido por Grant Showbiz (que também realizou “Dragnet”) também inclui uma canção sobre William Blake, tal como “Dragnet”.

“Reformation Post-TLC” (2007 Slogan)
Mais uma vez após ter perdido uma formação numa tournée nos Estados Unidos, juntou membros de bandas de Los Angeles, e o resultado foi uma energética união de “riffs”, declamação e tecnologia, entregue com os mesmos níveis de vigor de outros tempos.
E ainda temos os vários singles:
_
_

14 janeiro 2009

Tributo # 9 - The Fall

Se visualizarmos uma das primeiras tabelas de vendas independentes do Reino Unido em 1979 encontramos obscuridades como os Splodgednessabounds ou The Vibrators, mas também encontramos um grupo desse período que nunca parou. Imunes às modas, unicamente auto-confiantes e possivelmente o mais desprezível grupo de sempre, os The Fall e o seu implacável ditador Mark E. Smith perduram.
Ao longo de 33 anos, em 17 diferentes editoras, através de mais de 40 membros, entregaram-nos cerca de 60 discos oficiais, sendo 27 de gravações originais e a sua história é imensa.
Elogiando The Stooges, Can e a música “reggae” anos antes de todos se tornarem objectos de moda, Mark E. Smith formou os The Fall em Salford, Manchester no final de 1976. O seu primeiro disco foi o EP “Bingo-Master’s Breakout” em 1978, uma bizarra história de um mal fadado jogador de bingo, executado por uma banda que não sabia tocar e um vocalista que não sabia cantar, ainda hoje subsiste brilhantemente. Um ano depois surge o primeiro álbum – “Live At The Witch Trials” – a veloz percussão, os inarmónicos teclados baratos e as gatafunhadas guitarras já fariam este disco muito perturbador, mas Smith “ladrando” histórias de terror e farsas psicóticas por cima das mesmas, dizia mais sobre “punk rock” que muitos dos discos da altura. O segundo disco de 1979 –“Dragnet” – viu a chegada do guitarrista Craig Scanlon e do baixista Steve Hanley – e uma espécie de núcleo central formou-se. As contínuas edições de discos determinaram um standard para uma implacável produtividade. A ideia comum era que os The Fall tinham muito mais ideias que a maioria dos contemporâneos. Essa abundância de material era continuada nas letras que eram uma verdadeira confusão mental, e a essência dos The Fall - não-partidários, visões tangenciais, sátira social e uma aversão à sofisticação urbana.
Em 1983, com o seu casamento com a guitarrista Brix Smith, a sonoridade suavizou para formatos “pop” mais reconhecíveis. E descortesmente, na década seguinte os The Fall perseguiram um rota mais comercial que anteriormente. No final dos anos 80 incorporaram alguns elementos de programação electrónica, cuja experimentação atingiu o auge em “The Infotainment Scan” de 1993. No entanto em 1995, aquando da edição de “Cerebral Caustic”, tornou-se claro que um tipo de deterioração se instalou. Os concertos tornaram-se cada vez mais erráticos, culminando com uma cisão total depois de uma luta em palco entre Smith e os restantes membros, em Abril de 1998 na cidade de Nova Iorque – a saída de Hanley, um dos membros mais antigos, e que discutivelmente era tão crucial como Smith, poderia indiciar o fim do grupo.
Mas tal como muito erradamente muitos citam o início dos anos 80 como o único período valido dos The Fall, uma lição é que nunca sabemos o que esperar desta banda. Rapidamente uma nova formação se agrupou, e os concertos e gravações recomeçaram, e já em “The Unutterable” (2000) a banda soava totalmente inspirada. E ainda hoje, numa altura onde a musica “underground” é cada vez mais difícil de se identificar, Mark E. Smith continua a ser o seu padrinho.
_
The Fall - Bingo Master's Break Out

12 janeiro 2009

Do fundo da prateleira # 13 - Cardinal – “Cardinal” (1994 Flydaddy)

Para mim, o australiano Richard Davies e o americano Eric Mathews nunca conseguiram igualar, nas suas carreiras a solo, o modesto esplendor deste disco único. Editado numa época onde o movimento “grunge” era verdadeiramente dominador, o duo criou, sem grandes pretensões, este belo e assombroso disco, que é um dos mais melodicamente e liricamente inesquecíveis dos anos 90.
Dez faixas maioritariamente escritas por Davies, mas que Matthews adorna cada uma perfeitamente com os seus singularmente barrocos arranjos “pop”. Se formos a citar influências, seria algures entre os Beach Boys de “Smile”, os Beatles de “White Album” e Syd Barrett, mas todas as canções têm uma vida própria, pois o que é extremamente satisfatório neste disco, é que eles pegaram nessas mesmas influências e renovaram-as em vez de as reciclar. E assim “Cardinal” não é uma reversão, pois eles criam uma música resoluta, aterradoramente cheia de profundidade e originalidade.
As harmoniosas canções são delicadas na sua construção, próprias para o tom sombrio e melancólico que enfeita as mesmas, e mesmo quando as letras desmentem a sonoridade, o disco tem sempre um triste e ansioso sentimento presente, como acontece em “You’ve Lost Me There” um dos destaques aqui presentes. A esta canção podemos adicionar ainda, como momentos memoráveis, “If You Believe In Christmas Trees”, “Big Mine”, “Dream Figure” e “Silver Machines”.
_

09 janeiro 2009

Compilação # 4 - “Nuggets: Original Artyfacts from the First Psychedelic Era, 1965-1968” (1972 Elektra)

Originalmente editado em 1972, “Nuggets” é uma terrivelmente fabulosa colecção que reúne algumas das maiores descobertas dos tesouros perdidos do rock. Compilado por Lenny Kaye, colaborador de Patti Smith, incluía uma pletora de gravações de bandas de “garage-rock” pouco conhecidas com pequenos êxitos.
E se a palavra “psicadélica” que consta no título pode afastar alguns, esqueçam, pois as movimentadas e cintilantes cores e luzes e viagens intergaláticas com a mente só chegaram no início da década de 70.
Aqui, esta “primeira era psicadélica” é assente nas ondulantes guitarras, nos órgãos Farfisa, e em pequenos sistemas sonoros. Mais próximos da urgência do “punk” e da “new wave”, pela sua espontânea explosão de testosterona, as ousadas guitarras e o simbolismo dos 7”, tornou-se um critério de referência para esses movimentos. E muitas das raízes estão aqui bem presentes, desde o proto-punk dos The Seeds com “Pushin' Too Hard” ou em “Dirty Water” dos The Standells, o garage punk dos Count Five em “Psychotic Reaction”, o proto-metal dos Amboy Dukes em “Baby Please Don’t Go”, o punk-psicadélico dos The Magic Mushrooms em “It’s-A-Happening”, ou a incompreensível experimentação dos The Castaways em “Liar Liar“.
Vamos esquecer-nos momentaneamente dos Beatles, de Bob Dylan, e de outros revolucionários culturais, “Nuggets”, é uma simples colecção que captura a alegre estética que atraiu os “teenagers” e celebra o básico ideal do “rock”: qualquer um consegue gravar um disco e editá-lo, habilitando-se a ter um sucesso.
A Rhino iria editar mais recentemente uma caixa com 4 discos, mas esta colectânea, a primeira de revelo da era do “rock moderno”, é mais concisa e fundamental com uma avalanche do mais rude e estranho que o rock dos anos 60 ofereceu, e que três décadas depois continua a demonstrar o resplandecente aprumo de quem o realizou.
_
The Standells - Dirty Water

08 janeiro 2009

Classic # 17 - Brian Eno – “Another Green World” (1975 Island)

Se “Taking Tiger Mountain” (o seu disco anterior), era largamente um maior desdobramento dos temas de maior sucesso encontrados no seu primeiro disco a solo (“Here Come The Warm Jets”), “Another Green World” é uma declaração de independência artística, que nada deve aos seus antecessores. Eno extraiu muita energia e confiança das suas bem sucedidas colaborações com músicos como John Cale, Phil Manzanera e particularmente Robert Wyatt. A aparentemente fragmentária construção de “Another Green World” recordava o último de Wyatt, “Ruth Is Stranger Than Richard”. Os dois discos têm uma qualidade aventureira, e um sentimento de espontaneidade e imprevisivilidade.
A intenção de Eno para este disco era dispensar a disciplina tradicional de gravação e de criar em estúdio um ambiente que iria precipitar, através de ideias e propostas acidentais, a concepção e captura de estratégias oblíquas num processo que não tivesse um objectivo específico ou predeterminado. A música resultante é o resultado da interacção entre várias combinações de oito músicos totalmente complacentes com a experimentação. E se o imprevisível sempre foi adoptado por Eno como uma fonte viável de informação e inspiração, aqui a proeza, é a sua habilidade de orquestrar os diferentes estados e atmosferas produzidas ao longo da construção do disco de forma a submeter os estilos e as texturas sonoras numa única dimensão.
A maior parte do disco possui uma extraordinária e incandescente beleza que ocasionalmente dá lugar a uma mais sombria e sobrenatural tranquilidade. “St.Elmo’s Fire” é uma brilhante ilustração da primeira qualidade: abre com uma complexa matriz rítmica dispersa através dos altifalantes seguida pela voz de Eno à deriva pelo meio de um bruma de subtis enfeites de teclados. A guitarra de Robert Fripp subitamente surge numa brilhante cascata de som, delicadamente realçando o tom predominante da canção com enorme destreza. Este tema está em directo contraste, com a compulsiva cadência rítmica de “Sky Saw” e “Over Fire Island”, que também contêm a claridade glacial que caracteriza “Becalmed” e a excepcional sequência final, “Spirits Drifting” - a brilhante perfeição desta composição é arrepiante. “Golden Hours”, “Zawinul/Lava” e “Everything Merges With The Night” confiam no inegável efeito da pouca complexidade. E assim, o disco, como um todo, é marcado por uma surpreendente frugalidade e uma refrescante ausência da dispensável decoração auricular.
Altamente recomendado.
_

06 janeiro 2009

Best of 2008

Algum dinheiro extra recolhido nesta fase de Natal e aniversário (é verdade), ainda permitiu a aquisição de mais alguns discos, e após muita “reflexão”, anexo a sempre polémica lista dos melhores do ano. Como é sempre difícil a ordenação, a selecção está por “grupos”, para ser mais democrático.

Top 5
Deerhunter – “Microcastle” (Kranky)
Fleet Foxes – “Fleet Foxes” (Bella Union/Sub Pop)
Nick Cave & The Bad Seeds – “Dig!!! Lazarus Dig!!!” (Mute)
Portishead – “Third” (Island)
TV On The Radio – “Dear Science” (4AD)

Top 15
Atlas Sound - “Let the Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel” (Kranky)
Bon Iver – “For Emma, Forever Ago” (Jagjaguwar)
Drive-By Truckers – “Brighter Than Creation’s Dark” (New West)
Foals - "Antidotes" (Transgressive)
High Places – “High Places” (Thrill Jockey)
My Brightest Diamond – “A Thousand Shark’s Teeth” (Asthmatic Kitty)
Ra Ra Riot - “The Rhumb Line” (Barsuk)
The Ruby Suns – “Sea Lion” (Sub Pop)
Why? – “Alopecia” (Anticon)
Young Knives – “Superabundance” (Transgressive)

Top 40
Awesome Color – “Electric Aborigines” (Ecstatic Peace)
Beck – “Modern Guilt” (XL)
Bonnie “Prince” Billy – “Lie Down In The Light” (Drag City)
British Sea Power – “Do You Like Rock Music?” (Rough Trade)
DeVotchka - “A Mad & Faithful Telling” (Anti)
Erykah Badu – “New Amerykah Part One (4th World War)” (Motown)
Evangelista - “Hello, Voyager” (Constellation)
Foge Foge Bandido – “Foge Foge Bandido” (Turbina)
Fuck Buttons - “Street Horrrsing” (ATP)
Fujiya & Miyagi – “Lightbulbs” (Grönland)
Human Bell - “Human Bell” (Thrill Jockey)
No Age – “Nouns” (Sub Pop)
Mogwai – “The Hawk Is Howling” (Rock Action)
Ricardo Villalobos – “Vasco” (Perlon)
Robert Forster - “The Evangelist” (Yep Roc)
Santogold – “Santogold” (Downtown/Lizard King)
School of Language - “Sea From Shore” (Thrill Jockey)
Spiritualized – “Songs In A&E” (Fontana)
Stereolab - “Chemical Chords” (4AD)
The Fall – “Imperial Wax Solvent” (Sanctuary)
The Kills – “Midnight Boom” (Domino)
The Walkmen – “You & Me” (Gigantic)
The Week That Was – “The Week That Was” (Memphis Industries)
Two Banks of Four - “Junkyard Gods” (Sonar Kollektiv)
Xiu Xiu - “Women as Lovers” (Kill Rock Stars)

30 dezembro 2008

High Places – “High Places” (2008 Thrill Jockey)

O duo Rob Barber e Mary Pearson esforçaram-se por fazer com que a sua sonoridade não se enquadrasse facilmente nos géneros habituais e apresentam-nos uma excitadamente única experiência auditiva. O facto do disco ter sido gravado no seu apartamento de Brooklyn, e a utilização de um conjunto de objectos domésticos mundanos, tornam os resultados dessas experiências muito terrenos.
Através de uma gradual e paciente construção de sons e dinâmicas sonoras onde a presença constante da voz demasiado doce de Pearson, que nos surge abafada de forma de a repercutir e a retardar, torna-a em mais um versado instrumento na incompreensível mistura de colagens rítmicas de “ruídos e sons” de Barber, criando uma música irregular, adequada para as alegres e meditativas letras infantis, cheias júbilo e surpresas, que invocam contos de fadas e dão às canções um sentimento de absorção.
O resultado é um conjunto de canções hipnóticas, impetuosas, soporíficas, normalmente dolorosamente doces que nos deslumbrem completamente. Desde as finas porções de electrónica e os oscilantes tons penetrantes de “The Storm” e “The Tree With The Lights In It”, passando pela maravilhosamente incerta percussão, da excelente literalmente “Vision’s The First”, pelos hesitantes “beats” de “Gold Coin”, pelo esplendorosamente apurado “electro-pop” de “From Stardust To Sentience”.
Algures num universo perdido entre Panda Bear e Aphex Twin.
_

19 dezembro 2008

Canções de Natal II

Com um desejo de festas felizes para todos os visitantes do blog, anexo mais uma lista de canções alusivas à época, com a particularidade de também termos aqui incluidas duas versões para Ramones (por Asobi Seksu) e "King" Elvis Presley (por My Morning Jacket)

Asobi Seksu - Merry Christmas (I Don´t Want To Fight Tonight) (2007 do 7” homónimo)

Basement 5 - Last White Christmas (1980 do álbum “1965 – 1980”)

De La Soul - Millie Pulled A Pistol On Santa (1991 do álbum “De La Soul Is Dead”)

Housewives On Prozac - I Broke My Arm Christmas Shopping At The Mall (2004 do álbum homónimo)

Malcolm Middleton - Burst Noel (2005 do álbum “Into The Woods”)

Mogwai - Christmas Steps (1999 do álbum “Come On Die Young”)

My Morning Jacket - Santa Claus Is Back In Town (2000 do EP “My Morning Jacket Does Xmas Fiasco Style”)

Saint Etienne with Tim Burgess - I Was Born On Christmas Day (1993 do 7” “Xmas 93”)

Willard Grant Conspiracy - Christmas In Nevada (2000 do álbum “Everything's Fine”)

18 dezembro 2008

Covers # 7

Nestas noites frias a melhor coisa a fazer é mesmo ouvir umas musiquinhas no calor do lar. E em mais uma ronda pela prateleira, consegui relembrar algumas curiosas versões de canções bastantes conhecidas.

E neste conjunto, muitas delas foram grandes êxitos nesses "gloriosos" anos 80.

Esta em 1988:

Xiu Xiu - Fast Car (Tracy Chapman)


Esta liderou, em absoluto, os tops no distinto ano de 1982:

Violent Femmes - Do You Really Want To Hurt Me? (Culture Club)


E esta em 1987

JJ 72 - It's A Sin (Pet Shop Boys)