Top 40
Uns dias de férias permitiram uma escuta reforçada das últimas aquisições, e após muita “reflexão”, anexo a sempre polémica lista dos melhores do ano. Como é usual está por “grupos”, para ser mais democrático
Top 3
Deerhunter – “Halcyon Digest” (2010 4AD)
Foals – “Total Life Forever” (2010 Transgressive)
The Black Keys – “Brothers” (2010 V2)
Top 10
Beach House – “Teen Dream” (Sub Pop)
Caribou – “Swin” (Merge/ City Slang)
Four Tet – “There Is Love In You” (Domino)
Midlake – “The Courage Of Others” (Bella Union)
The National – “High Violet” (4AD)
The Soft Pack – “The Soft Pack” (2010 Kemado)
Walls – “Walls” (Kompakt)
Top 40
Actress – “Splazsh” (Honest Jon’s)
Arcade Fire – “The Suburbs” (Merge)
Ariel Pink’s Haunted Graffitti – “Before Today” (4AD)
Barn Owl – “Ancestral Star” (Thrill Jockey)
Edwyn Collins – “Losing Sleep” (Heavenly)
Efterklang – “Magic Chairs” (4AD)
Field Music – “Field Music” (Memphis Industries)
Gil Scott-Heron – “I’m New Here” (XL)
John Grant – “Queen Of Denmark” (Bella Union)
Mark McGuire – “Living With Yourself” (Mego)
Matthew Dear – “Black City” (Ghostly International)
Matthew Herbert – “One One” (Accidental)
No Age – “Everything In Between” (Sub Pop)
Peter Broderick – “How They Are (Bella Union)
Phantogram – “Eyelid Movies (Barsuk)
Rangda – “False Flag” (Drag City)
Richard Skelton – “Landings” (Type)
Sleigh Bells – “Treats” (Mom & Pop)
Spoon – “Transference” (2010 Merge)
Swans – “My Father Will Guide Me Up A Rope To The Sky” (Young God)
Tame Impala – “Innerspeaker” (Modular)
Teenage Fanclub – “Shadows” (PeMa)
The Album Leaf - “A Chorus of Storytellers” (2010 Sub Pop)
The Besnard Lakes - “The Besnard Lakes Are the Roaring Night” (2010 Jagjaguwar)
The Phantom Band – “The Wants” (Chemikal underground)
The Walkmen – “Lisbon” (Fat Possum)
Trentemoller – “Into The Great Wide Yonder” (2010 In My Room)
Vampire Weekend - “Contra” (2010 XL)
Wavves – “King Of The Beach” (2010 Fat Possum)
Women – “Public Strain” (2010 Jagjaguwar)
31 dezembro 2010
21 dezembro 2010
Canções de Natal IV

Eels -"Everything's Gonna Be Cool This Christmas" (1998 do 7" "Cancer For The Cure")
Hawksley Workman - "Merry Christmas (I Love You)" (2001 do álbum "Almost a Full Moon")
Julian Casablancas - "I Wish It Was Christmas Today" (2009 do 7''Homónimo)
Morphine - "Sexy Christmas Baby Mine" (single de 1993 - retirado do "Best Of")
Saint Etienne -"21st Century Christmas" (2006 do CD "Xmas 2006" (fan club)
The Fall - "Jingle Bell Rock" (1994 retirado de "The Complete Peel Sessions")
The Wedding Present -"White Christmas" (2008 da compilação "How The West Was Won")
Yo La Tengo - "Rock'n'Roll Santa" (2002 do EP "Merry Christmas From Yo La Tengo")
09 dezembro 2010
Deerhunter – “Halcyon Digest” (2010 4AD)
Bradford Cox, desde sempre se aventurou regularmente em direcções musicais completamente novas, mas sempre conseguiu ficar completamente consistente, sonoramente reconhecível e sempre demonstrou uma notável capacidade de criar fantásticas canções “pop”.Divido entre as jornadas propulsoras dos Deerhunter e o docemente sonhador “rock” do seu projecto solo Atlas Sound, as suas ideias continuam a surpreender.
O último dos Deerhunter, será provavelmente menos imediato do que a anterior obra-prima, “Microcastle/Weird Era Cont”, mas “Halcyon Digest” é uma colecção de incrivelmente belas e contagiantes canções “pop”, onde Bradford Cox engloba o núcleo do seu som e todas as suas influências (o ameaçador “psicadelismo”, os “funky drones”, os sonoros congelamentos da mente, e elegante “pop-buzz”) através de sonoridades irregulares e atmosféricas de forma a atingir uma apoteose nesta oferta nebulosa, mas feliz.
Desde o simplista “Earthquake”, com o seu penoso andamento, que desperta o ouvinte para um unificado registo recheados de notáveis momentos estéticos, onde se incluem o saltitante “Don’t Cry, o encantador “Revival”, a florescente excelência de “Sailing”, o estridente “fuzz-pop” de “Memory Boy”, a espiral de linhas de guitarra do melado "Desire Lines", o emproado e surpreendente saxofone presente em "Coronado", o “noise-pop” crocante do mais experimental "Helicopter", até chegarmos aos longos arpejos de fascinantemente amargurada “He Would Have Laughed”, atingimos um universo mágico recheado de histórias honestas e singulares, e onde distintos sons animam estruturas “pop”, em outra obra brilhante na impressionante carreira Cox's. E eu só posso vê-los ficar melhor.
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30 novembro 2010
Do fundo da prateleira # 25 - Papa M – “Whatever, Mortal” (2001Drag City)
Apesar da sua longa e diversa lista de colaborações em múltiplos projectos, no que toca às suas próprias sonoridades, David Pajo simplifica bastante as coisas e faz música sem preconceitos e sem artifíciosDesprovido de “acordes pop” ou drama narrativo, a atenção dos temas desloca-se para a materialidade do som: a velocidade de um “vibrato” de guitarra, o do deslizar dos dedos nas cordas de metal ou a distância entre as notas de um intervalo. Frases despidas são repetidas lentamente e sombreadas ou alteradas por outros instrumentos, criando teias sonoras, que se entrelaçam entre si.
Música que pode ter uma base “country” e “folk” e um espírito sempre muito americano – a que não são alheias as presenças de Will Oldham, Tara Jane O’Neil e Britt Walford e a omnipresença do banjo – mas que ai muito além, numa fusão das vertentes aérea e terrena que Pajo tem vindo a explorar nos últimos anos. E se “Whatever, Mortal” pode parecer à primeira um disco fechado e obscuro, quando os nossos ouvidos passam por temas como “The Lass of Roch Royal”, “Purple Eyelid”, “Krusty”, “Many Splendorer Thing” ou “Northwest Passage”, para apenas destacar algumas canções, rapidamente nos apercebemos que estamos perante uma obra de arte à leveza e à simplicidade.
Resumindo, música que qualquer mortal irá gostar.
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26 novembro 2010
My Favorites # 22 - Menomena – “Friend and Foe” (2007 Barsuk)
Desde o seu disco de estreia que os Menomena nos presenteiam com um absolutamente incrível trabalho artístico.Neste disco apresentaram-nos outro vigoroso exercício, musicalmente como liricamente cheio de ideias, pois é impressionante a quantidade de momentos inteligentes e emocionantes que ficam connosco após a sua audição.
Eles fizeram como o seu foco principal, descarnarem a formula standard de composição e utilizando todos os aspectos da sua música para uma extensão absolutamente máxima de delicias sonoras.
As composições são imprevisíveis e complexas, no entanto as melodias são ágeis e sustentadas, numa muito própria imediata simplicidade, menos angular na sua entrega e isso torna-as mais fáceis de entender. Os seus momentos de quietude são preenchidos com estranhos saxofones, escuros e súbitos traços de piano e esmagadoras guitarras distorcidas, que espreitam a cada esquina, complementando toda a peculiar e divertida estrutura “pop” que a banda toca com perfeição em cada uma das doze faixas. Os Menomena certificam-se que cada instrumento utilizado é especificamente deles, e que o majestoso som de todas as canções é e soa claramente Menomena.A sua “assinatura” do modular “pop” que praticam é visivelmente eficaz no tema de abertura, o intrincado “Muscle’n’Flo”, um verdadeiro carrossel musical, que abre o caminho desta estranha viagem, que demonstra as dezenas de engenhosos e arrepiantes detalhes que são oferecidos no álbum, através do assombroso piano de “Wet & Rusty”, do verdadeiramente único negro “fun pop” de “Weird”, da saltitante linha de baixo e da bateria electrónica de “Evil Bee”, do “pop” fracturado de “My My”, ou do brilhantemente implacável “The Pelican”. E tal como os álbuns anteriores, a embalagem é surpreendente – o artista Craig Thompson fez todos os desenhos (um humorístico e infernal universo “freak”) e a sua sublime arte reflecte perfeitamente o som que o álbum revela.
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24 novembro 2010
Singles # 25 - Oasis – “Live Forever” (1994 Creation)
Na tarde do dia 9 de Abril de 1993, Noel Gallagher estava em casa quando o telefone tocou. Do outro lado estava Alan McGee. Ele assinou os Oasis depois de ouvir quatro “demos” – uma delas era “Live Forever”.Sem grande surpresa, “Live Forever” tem as suas raízes noutra canção, Em Outubro de 1991 “Shine On Me” dos Rolling Stones, o seu refrão tem exactamente a mesma melodia que as linhas de abertura dessa canção, e que impulsionou Noel para escrever a primeira música que ele acreditava sinceramente poder ser um futuro clássico.
18 meses depois McGee e a banda estavam de acordo que a canção merecia ser o ser primeiro Top Ten. E se bem que “Supersonic” e “Shakermaker” já tinham construído o perfil da banda, “Live Forever” já constava do reportório dos seus concertos e rapidamente ganhou reputação mediante o aumento do estatuto da banda
Uma espécie de manifesto – apresentando o carácter da banda e estabelecendo tanto de onde eles vieram e ao que estavam a reagir.
Simultaneamente forjaram uma ruptura com a era “grunge” e acenaram à experiencias “acid house” de Noel: : “You and I are gonna live forever”, poderia ter saído da boca de qualquer “clubber” do final dos nos 80.
Em Agosto de 1994, “Live Forever” envolto numa capa que mostrava a casa onde John Lennon passou a sua infância, voou para o Top Ten, e as ultimas dúvidas sobre os méritos musicais dos Oasis (um pouco ocluída nessa altura pelo muito gin, coca e lutas) desapareceram.
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15 novembro 2010
Inovadores # 18 - Tuxedomoon – “Desire” + "No Tears" (1987 Crammed)
“Desire” foi inicialmente gravado em Inglaterra durante o ano de 1981, quando o grupo de São Francisco se encontrava exilado na Europa, e é o início de um novo ciclo para os Tuxedomoon, pois aqui abandonaram o pós-punk erudito que marcou o seu álbum de estreia na Ralph, inevitavelmente influenciado pelo som dos seus patrões - The Residents - para mergulharem no crepúsculo de uma música que aliava a nostalgia ao futurismo.O extraordinário “Desire” (aqui reunido com o EP “No Tears”), combina canções letradas e dançantes com peças atmosféricas, utilizando ritmos automáticos, o violino "alien" de Blaine L. Reininger, o arsenal de efeitos electrónicos desconjuntados de Peter Principle e os teclados e sopros de Steve Brown, para criar registos utópicos, como na combinação de sons eléctricos com o clarinete praticada em “East”, que são capazes de se infiltrarem no sangue de um “rock-jazz” doente como um antibiótico, e servem canções sobre a decadência do amor e do Ocidente, através de melodias que capturam a mente e a alma, poemas em vez de letras, e inesperadas passagens musicais.
A maioria das pessoas pode caracterizar os Tuxedomoon como experimentalistas “underground”, mas a caracterização que mais se adequa será de essencialistas.
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Tuxedomoon - Litebulb Overkill
10 novembro 2010
Rock # 18 - Bardo Pond – “Amanita” (1996 Matador)
São bem evidentes as diferenças sonoras presentes no disco de estreia da banda de Filadélfia para a Matador, em relação a sonoridade tipicamente “basement-tapes” do anterior “Bufo Alvarius”, pois o surpreendentemente brilhante “Amanita” revela uma profundidade e maturidade que todos os seus esforços anteriores apenas insinuavam.Tal como a maioria dos álbuns dos Bardo Pond, está recheado de intensas sonoridades “fuzzy” que giram e trituram, no entanto por debaixo de tudo isso existe sempre uma deslumbrante melodia como só mesmo eles são capazes de criar.
As influências são notórias: o psicadelismo dos anos 60, os Crazy Horse e claro os Sonic Youth.
Sombrio, pesado e hipnótico, atinge níveis superiores de massacre sonoro, camada após camada, através das trilhas de feedback das guitarras de John e Michael Gibbons e da irradiante flauta fantasmagórica da vocalista Isobel Sollenberger, sempre partindo do nuclear baixo pulsante de Clint Takeda, para criar algum da melhor música “psicadélica” das bandas contemporâneas.
Assim desde a monumental abertura com o denso e complexo “Limerick”, com as suas gritantes guitarras que criam tensão e a ressonante voz feminina, passando pela delirante experimentação sonora de “Rumination”, pela introspectiva e sensual “Be A Fish”, por essa densa valsa nuclear que reside em “High Frequency”, pelas distorcidas sinfonias celestiais de “Sentence”, até à conclusão com as texturas sonoras encharcadas de raiva presentes no tributo “RM”, seremos rapidamente absorvidos no lago (pond) e não sairemos pacificamente.
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05 novembro 2010
Extremos # 11 - Jad Fair And Daniel Johnston - “It’s Spooky” (1989 50 Skidillion Watts/ 1993 Paperhouse)
O brilhante e mentalmente perturbado Daniel Johnston é tão idolatrado pelos seus fãs como é desconhecido do “mainstream” da cultura “pop”.As suas auto-editadas k7’s ou são inaudíveis trabalhos de um louco ou o frágil produto de um visionário “pop”, dependendo de quem perguntarmos (se perguntarmos a alguns obsessivos notáveis como Michael Stipe dos R.E.M., Matt Groening – criador dos Simpsons – ou aos vários membros dos Sonic Youth, todos eles dirão que Johnston é um génio. (Kurt Cobain que apareceu muitas vezes em público envergando uma t-shirt Johnston, diria o mesmo). Jad Fair, apesar de mais experiente e estável do que Johnston, é também uma figura de culto. Os Half Japanese, a banda que ele criou com o seu irmão David, foram determinantes para a formação do “punk” e “indie rock”.
Num encontro surreal em 1989, eles decidiram gravar “It’s Spooky”. O disco une as desleixadas emoções entusiasticamente “indie rock” de Fair com a pungência e melancolia que caracteriza a escrita de Johnston, e essa mistura de estilos atinge um efeito dramático em “Summer Tale”.
Mas a influência mais prevalente no disco, é Johnston, que emprega maravilhosamente quer as suas usuais figuras mitológicas quer o seu ameaçadoramente directo “mix” de figuras patetas, especialmente em “Tongues Wag In This Town” e na hilariante “Frankenstein Vs. The World”.
Mas quando Johnston se afasta da fantasia, e restringe-se à descrição anedótica, os resultados são magníficos. Em “I Did Acid with Caroline” descreve uma “trip” com uma amiga, de um forma admirável, que é impossível não sermos atingido pela sua sinceridade. Da mesma foram “McDonalds on the Brain”, um relato do período em que trabalhou na cadeia de “fast-food”, é simultaneamente divertido e indescritivelmente triste.
Em última analise, “It’s Spooky”, faz jus à promessa implícita nesta colaboração, pois quer Johnston quer Fair são tão talentosos e tão destemidos que cada um dos seus registos está inevitavelmente repleto de raros e estranhos tesouros.
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28 outubro 2010
Women – “Public Strain” (2010 Jagjaguwar)
O disco homónimo de estreia dos canadianos Women, editado em 2008, mostrou muita qualidade com a sua fantástica energia, mas para muitos, o seu nervoso, barulhoso “art-rock” e experimental “pop”, era um pouco pesado no seu casamento entre melodia e abrasão.“Public Strain” definitivamente não é “Women 2.0”, é mais longo e as maciças ondas sonoras que ainda tentam aperfeiçoar, parecem agora verdadeiramente capazes. Enquanto o primeiro álbum foi coroado com fortes melodias e elevadas, no entanto belas, camadas sonoras, “Public Strain”, tem o seu foco na capacidade de composição e nas firmes melodias, é o som de uma banda a soltar-se e a alargar a sua palete sonora numa muita mais poderosa e coesa visão. Os Women continuam a fugir a uma categorização fácil, e assim é indiferente se os chamarmos de experimentalistas “pop” ou “noisemakers”, uma coisa é clara, o que eles fazem é excelente.
Melodiosos, artísticos e possuindo os impecavelmente cativantes “riffs, soam tentadoramente inovadores e ”refrescantes”, as canções ganham forma através das suas melodias, da impressionante destreza e da intrincada musicalidade da banda, que combina hermeticamente as progressões que soam singularmente livres, nas enormes “walls of sound”.
Eles podem lembrar os Deerhoof ou os Liars, mas o seu “modus operandi” (misturar luz com sombras, “noise” com “pop”) foi praticamente inventado pelos The Velvet Underground. Mas o que é fundamental, é que eles absorveram estas influências, mas sem as imitarem, retirando o que queriam, e destilando-as em algo novo. Ao fazerem isso, eles provam que são uma das mais versáteis e imprevisíveis bandas actuais. E quando chegamos ao épico “Eyesore”, que exibe os variados pontos fortes da banda – a atmosfera dos seus temas “noise”, os “riffs” angulares dos seus números “pop” e aquela pureza “rock” sempre à espreita - só apetece começar a audição novamente.
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23 outubro 2010
Compilações # 8 - Abecedarians – “AB-CD” (1988 Caroline)
O curioso título desta compilação, que basicamente contém os conteúdos dos dois primeiros álbuns dos californianos Abecedarians, é uma abreviatura do seu próprio nome. Eles foram durante os cinco anos da sua existência, uma das poucas bandas americanas do “post-punk” que deram uma apropriada resposta ao paralelo movimento britânico. E seria uma pena se ficarem na história apenas por terem sido a única banda americana que editou pela Factory Records (o single “Smiling Monarchs”, pois eles tinham uma sonoridade única, extremamente ampla e deserta, que encapsulava elementos do “post-punk”, “dream pop”e “post-rock”. Foram alvo de inúmeras comparações com os melhores do género, mas certamente serão os Echo And The Bunnymen a melhor referência, pelos ritmos enérgicos, pelas ressonantes guitarras, pelo serpenteante baixo e por uma bateria num estilo “jazzistico”, reminiscente dos Can, que impulsionava as músicas de uma forma expansiva, mas desapressada, para criar composições heterodoxas como as impressionantemente hipnotizantes “Soil” e “I Glide”.Assente nas vocalizações profundas e distintas de Chris Manecke, em conjunção com as exuberantes guitarras submersas em “reverb”, era a robusta secção rítmica que funcionava como a âncora sonora que continha as imponderáveis atmosferas onde as canções se aventuravam. A banda notavelmente intercalava uma quantidade de truques tecnológicos no seu som, alternando entre canções mais optimisticamente “pop” e material mais melancolicamente lento. E assim se as guitarras discordantes do sombrio “Ghosts” relembram os Joy Division, já as “drum-machines” e os sintetizadores presentes em “The Other Side Of The Fence” recordam os Orchestral Manoeuvres In The Dark nos seus primórdios.
Um disco para ouvir lentamente e repetidamente.
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19 outubro 2010
Tributo # 13 - Can
Os Can surgiram em 1968, na cidade de Colónia. A anarquia, novas liberdades e novas questões estavam no ar. A Europa Ocidental estava a adoptar novas formas de pensar o seu futuro, e os jovens
alemães levaram a necessidade de revolução para o coração.
O teclista Irmin Schmidt tinha sido aluno do pioneiro da música electrónica Karlheinz Stockhausen, e durante esse período, Schmidt conheceu Holger Czukay, que na altura compunha extremamente complexas peças musicais e que se tornou baixista enquanto ganhava a vida como professor de música.
Um dos alunos de Czukay, o guitarrista, Michael Karoli, estava convencido de que os The Beatles e os The Rolling Stones eram melhores do que Stockhausen e Beethoven. Ele demonstrou-o a Czukay ao tocar “I Am the Walrus”, um momento decisivo para Czukay, pois este percebeu que era possível ser-se musicalmente audacioso no contexto de uma canção “pop”.
Entretanto Schmidt estava a ficar cada vez mais aborrecido com os seus estudos formais da música e cada vez mais encantado pelos sons radicais provenientes do mundo do “rock”, especialmente, os The Mothers of Invention, os The Velvet Underground e Jimi Hendrix, ou seja, música eléctrica que incorporou improvisação, dissonância, elevados volumes sonoros e, provavelmente o mais importante, o ritmo percussivo – um elemento que a música clássica, mesmo nos seus modelos mais “avant-.garde”, nunca incluiu.
Schmidt e Czukay decidiram formar um grupo para criar um novo tipo de música; nenhum tinha muito conhecimento do “idioma rock”, um facto que ambos consideravam uma grande vantagem, pelo facto de assim ser difícil seguir os “rock” clichés.
Recrutaram Karoli para tocar guitarra, e completaram o grupo com um amigo de Schmidt – o baterista Jaki Liebezeit - que tocava “free jazz” e “bebop”, e um itinerante artista negro norte-americano chamado Malcolm Mooney, que possuía a rara habilidade de improvisar letras que faziam um muito seu próprio sentido.
Os Can queriam fazer um tipo de música que combinasse elementos de “rock”, “jazz”, “r&b”, “world music”, electrónica, mas que no entanto não fosse nenhuma dessas, pois era crucial que essa música fosse apenas deles, caso contrário, não tinha interesse.
Liebezeit, também tinha começado a odiar as suas performances de “free jazz”, ele sentiu que o “free”, paradoxalmente, estava actualmente a matar a música, e começou a desenvolver um interesse nos ritmos “naturais” que podiam ser encontrados nas músicas étnicas, ritmos que podem ser multifacetados e complexos e ao mesmo tempo fa
cilmente “sentidos” e “compreendidos” pelo corpo humano.
Desde o início que a música dos Can se caracterizou pelos fortes poliritmos da percussão e pela densa interacção instrumental, como é visível nos 20 minutos de “Yoo Doo Right” do primeiro álbum “Monster Movie”.
Foi no seu próprio estúdio de gravação situado num velho castelo chamado Schoss Norvenich, a cerca de meia hora de Colónia, que os primeiros álbuns da banda foram gravados (o japonês Damo Suzuki substituiu Mooney após a edição do primeiro). A música dos Can foi construída no princípio de que “everyone solos, no one solos” – ou seja, a música era sobre o “tecido” e não sobre os “tecelões”. As peças têm frequentemente uma “qualidade fabricada” – Czukay, como engenheiro chefe, esculpia as “jams” livres, através da edição e da
mistura, dando-lhes estrutura e espaço para respirar.
Foi a espontaneidade e a forma quase telepática de trabalharem em conjunto que criou o verdadeiro génio e que os fãs consideram os seus melhores anos: “Tago Mago”, “Ege Bamyasi”, “Future Days” e “Soon Over Babaluma”.
Todos os álbuns foram gravados em duas pistas, o que é surpreendente tendo em conta a densidade de informação sónica que contêm. Mas Czukay, sentiu que o uso de “multitracking” foi o princípio do fim, pois incentivou o grupo a pensar em si mesmos como “players” mais preocupados com as suas partes do que contribuírem apenas com o que era necessário para a excelência do todo. E isto é evidente nos últimos discos dos Can, já com Rosko Gee no lugar de Czukay, e com a adição do percussionista Reebop Kwaku Baah. O grupo tinha melhorado como “players”, no entanto a música perdeu a sua inefabilidade, o seu mistério e assim o seu real poder.
alemães levaram a necessidade de revolução para o coração.O teclista Irmin Schmidt tinha sido aluno do pioneiro da música electrónica Karlheinz Stockhausen, e durante esse período, Schmidt conheceu Holger Czukay, que na altura compunha extremamente complexas peças musicais e que se tornou baixista enquanto ganhava a vida como professor de música.
Um dos alunos de Czukay, o guitarrista, Michael Karoli, estava convencido de que os The Beatles e os The Rolling Stones eram melhores do que Stockhausen e Beethoven. Ele demonstrou-o a Czukay ao tocar “I Am the Walrus”, um momento decisivo para Czukay, pois este percebeu que era possível ser-se musicalmente audacioso no contexto de uma canção “pop”.

Entretanto Schmidt estava a ficar cada vez mais aborrecido com os seus estudos formais da música e cada vez mais encantado pelos sons radicais provenientes do mundo do “rock”, especialmente, os The Mothers of Invention, os The Velvet Underground e Jimi Hendrix, ou seja, música eléctrica que incorporou improvisação, dissonância, elevados volumes sonoros e, provavelmente o mais importante, o ritmo percussivo – um elemento que a música clássica, mesmo nos seus modelos mais “avant-.garde”, nunca incluiu.
Schmidt e Czukay decidiram formar um grupo para criar um novo tipo de música; nenhum tinha muito conhecimento do “idioma rock”, um facto que ambos consideravam uma grande vantagem, pelo facto de assim ser difícil seguir os “rock” clichés.

Recrutaram Karoli para tocar guitarra, e completaram o grupo com um amigo de Schmidt – o baterista Jaki Liebezeit - que tocava “free jazz” e “bebop”, e um itinerante artista negro norte-americano chamado Malcolm Mooney, que possuía a rara habilidade de improvisar letras que faziam um muito seu próprio sentido.
Os Can queriam fazer um tipo de música que combinasse elementos de “rock”, “jazz”, “r&b”, “world music”, electrónica, mas que no entanto não fosse nenhuma dessas, pois era crucial que essa música fosse apenas deles, caso contrário, não tinha interesse.
Liebezeit, também tinha começado a odiar as suas performances de “free jazz”, ele sentiu que o “free”, paradoxalmente, estava actualmente a matar a música, e começou a desenvolver um interesse nos ritmos “naturais” que podiam ser encontrados nas músicas étnicas, ritmos que podem ser multifacetados e complexos e ao mesmo tempo fa
cilmente “sentidos” e “compreendidos” pelo corpo humano.Desde o início que a música dos Can se caracterizou pelos fortes poliritmos da percussão e pela densa interacção instrumental, como é visível nos 20 minutos de “Yoo Doo Right” do primeiro álbum “Monster Movie”.
Foi no seu próprio estúdio de gravação situado num velho castelo chamado Schoss Norvenich, a cerca de meia hora de Colónia, que os primeiros álbuns da banda foram gravados (o japonês Damo Suzuki substituiu Mooney após a edição do primeiro). A música dos Can foi construída no princípio de que “everyone solos, no one solos” – ou seja, a música era sobre o “tecido” e não sobre os “tecelões”. As peças têm frequentemente uma “qualidade fabricada” – Czukay, como engenheiro chefe, esculpia as “jams” livres, através da edição e da
mistura, dando-lhes estrutura e espaço para respirar.Foi a espontaneidade e a forma quase telepática de trabalharem em conjunto que criou o verdadeiro génio e que os fãs consideram os seus melhores anos: “Tago Mago”, “Ege Bamyasi”, “Future Days” e “Soon Over Babaluma”.
Todos os álbuns foram gravados em duas pistas, o que é surpreendente tendo em conta a densidade de informação sónica que contêm. Mas Czukay, sentiu que o uso de “multitracking” foi o princípio do fim, pois incentivou o grupo a pensar em si mesmos como “players” mais preocupados com as suas partes do que contribuírem apenas com o que era necessário para a excelência do todo. E isto é evidente nos últimos discos dos Can, já com Rosko Gee no lugar de Czukay, e com a adição do percussionista Reebop Kwaku Baah. O grupo tinha melhorado como “players”, no entanto a música perdeu a sua inefabilidade, o seu mistério e assim o seu real poder.
14 outubro 2010
Pop # 15 - The Delgados – “Peloton” (1998 Chemikal Underground)
Antes de chegarem a "The Great Eastern", os The Delgados progrediram brilhantemente do “trash-pop” influenciado pelos Sonic Youth de “Domestiques” (1996) para uma mais detalhada palete sónica em “Peloton”, adicionando flautas, ao estarem recheados de quartetos de cordas e ao incluir o ocasional “sample”, fazendo com que cada canção tivesse arranjos verdadeiramente únicos. E se a isso juntarmos o facto de Emma Pollock e Alan Woodward ao alternam as vocalizações, fazem com que os seus sedutores tons celestiais tenham um efeito paliativo sobre o ouvinte.O processo de aprendizagem que os levou de um extremo para o outro, desdobra-se diante dos nossos olhos. Os primeiros temas são particularmente bons exemplos – em “The Arcane Model” e especialmente na esplêndida “Everything Goes Around the Water”, existe uma fusão entre o deslocado “pub rock” de “Domestiques” com o estranho tom de suavidade aveludado da sua música posterior.
Pollock surge magnífica nos tons melodiosos da suave “The Actress”, e na viçosa e mágica “Pull The Wires From The Wall” a sua contribuição é particularmente impressionante. A presença da guitarra acústica e do violoncelo na introdução faz evocar Kristen Hersh, mas há também uma pitada de Marianne Faithfull na assustada mas avaliada entrega de Pollock. Mais emocionante ainda é “Blackpool”, um sinistro relato em que as alterações dos tempos são negociados por uma bizarra acrobacia fonética que encanta e confunde o ouvinte. E o francamente mental “Repeat Failure” que soa como se os My Bloody Valentine estivessem a massacrar os Belle And Sebastian, escutado através de um exausto rádio de onda curta.
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07 outubro 2010
Rock # 17 - Hüsker Dü – “New Day Rising” (1985 SST)
Dos vários “clássicos” editados pelo Hüsker Dü, “New Day Rising” é uma excelente afirmação de intenção e será provavelmente o melhor da sua carreira.Literalmente esmagador, ele recomeça onde “Zen Arcade” acabou e simplesmente dispara, capturando a banda numa fase onde eles se encontravam a passar do veloz “hardcore” dos discos anteriores para a sonoridade mais melódica dos álbuns que se seguiram. A velocidade das canções é ligeiramente inferior, mas a intensidade do fluxo nunca cessa.
A capacidade conjunta de composição de Grant Hart (provavelmente melhor em “Flip Your Wig”) e Bob Mould nunca funcionou tão bem como aqui, onde o perverso sentido de humor de Hart surge como um contraponto mais ensolarado às escuras e torturadas obsessões de Mould. Tal como os Velvet Underground nos anos 60, eles estavam a re-escrever as regras do “rock” e “pop” mas também do “hardcore” e “punk” de um só golpe.
O disco está recheado de grandes canções, sempre carregadas de emoções, onde a guitarra de Mould é nitidamente ameaçadora e implacável, a bateria de Hart é quase “jazzística”, de fluxo livre e a dirigir velozmente e sem fôlego as canções para a frente e com o baixista Greg Norton a colar as coisas com subtis ganchos melódicos.
Desde a selvagem, incendiária “New Day Rising”, passando pelo brilhante épico “Celebrated Summer”, pela explosiva “I Apologize”, pela vigorosa “Terms of Psychic Warfare”, pela política “Folklore”, pela “trashy” “Punch Drunk”, pela melancólica “Girl Who Lives On Heaven Hill”, pela excelente “Books About UFO’s” até chegarmos ao colapso sonoro de “Plans I Make”, este registo ficará para sempre como uma das indiscutíveis referências do “rock alternativo” americano dos anos 80.
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01 outubro 2010
Trentemoller – “Into The Great Wide Yonder” (2010 In My Room)
O título do segundo disco de Andres Trentemoller, é sem dúvidas uma referência à libertação das limitações estilísticas da música de dança. Aqui ele maravilhosamente transcende géneros ao apresentar uma ampla variedade de ideias musicais, arranjos e instrumentos, e como tal, é um triunfo indiscutível.Utilizando uma mistura deliciosa e extravagante de instrumentos, o álbum apresenta guitarras eléctricas, guitarras acústicas, quarteto de cordas, “theremin” e até uma caixa de música, entre muitos outros, criando uma monumental paisagem sonora, simultaneamente psicadélica e cinematográfica.
Aqui Trentemoller surge ambiciosa e elegantemente a experimentar com texturas sonoras mais orgânicas e analógicas, misturando melodias complexas com sons, ritmos e géneros de um alcance mais longínquo, como “pós-punk”, “electro”, “gothic rock” e “surf rock”, mas unindo todos os elementos num fluxo continuo, de tal forma conceitualmente bizarro, que deixa os ouvintes, com poucas opções, para além de se apaixonarem.Além disso, ele coloca muita mais ênfase nas vocalizações ao recrutar numerosos convidados, e assim desde o pensativo “Sycamore Feeling”, passando pelo sinuoso “Even Through You’re With Another Girl”, pelo assombroso “Silver Surfer, Ghost Rider Go”, ou pelo etéreo “Neverglade” (com a participação de Fyfe Dangerfield dos Guillemots), cria um formosamente variado álbum, que facilmente ultrapassa os limites da música electrónica, e sublinha o talento visionário que Andres Trentemoller é.
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27 setembro 2010
Extremos # 10 - Chrome – “Half Machine Lip Moves” (1979 Beggars Banquet)
O núcleo central dos Chrome, o duo Damon Edge e Helios Creed – auxiliados por variados músicos que fugazmente se juntavam ao projecto – criou um estilo musical que merecia muito mais crédito do que o estatuto de “culto” que inevitavelmente gerou. “Half Machine Lip Moves” foi na altura do seu lançamento um curioso e poderoso híbrido, que fundia o estilo agressivo de uns The Stooges com uma sobrenaturalidade inspirada na ficção cientifica e muita LSD, reflectida nos títulos, que evidenciavam o interesse que tinham nos alienígenas e na tecnologia contemporânea.Este álbum foi sem dúvida o melhor momento dos Chrome (“Alien Soundtracks” de 1977 foi a outra obra-prima): a cauterizada guitarra de Creed, fortemente carregada de efeitos FX, o Moog e as arrepiantes vocalizações de Edge, sustentadas pela percussão metálica, uniram-se para criar o que poderia ter se tornado num ponto de partida radicalmente novo para uma forma emergente de “post-rock”. A sua influência pode ser perceptível no som dos Big Black e em alguns outros grupos, mas a extensão do seu esquecimento pode ser medido no mês em que o cadáver de Damon Edge permaneceu por descobrir após a sua morte em 1995.
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24 setembro 2010
Rock # 16 - The Wedding Present – “Seamonsters” (1991 RCA)
“Seamonsters” marcou um rumo diferente para os The Wedding Present, aqui eles afastaram-se da abordagem “rápido, frenético, furioso” levada ao limite no seu antecessor “Bizarro”. Este disco é muito mais dinâmico, recheado de grandes melodias, enterradas debaixo de uma “wall of noise” de “feedback”, e cheia de dinâmicas “loud/soft” que traduzem um perfeito equilíbrio entre a intensidade e a sensibilidade.A genial produção de Steve Albini, acondiciona as tensas e atormentadas vocalizações de David Gedge, fazendo rosnar as dolorosamente honestas histórias, e encalhando-as em camadas sonoras que criam uma paisagem “auditiva” que ondula dores.
Mas a abordagem de Albini na gravação da banda também traz à tona os pontos fortes da mesma, não apenas o ofuscante dedilhar de guitarra de Peter Solowka, mas também a intensidade da bateria de Simon Smith.
Gedge surge mais uma vez como um imã para os maus relacionamentos. Liricamente ele continua a falar sobre o amor (perdido e não correspondido) namoricando e actuando de uma forma desprezível, mas os cenários são mais variados e desta vez menos convencionais.
O deslumbrante material sonoro presente em “Seamonsters”, faz dele um disco perfeito, pois não possui uma única música menor, e assim o registo simplesmente flui com jóias maravilhosos como “Dalliance”, “Dare”, “Suck”, “Rotterdam”, “Lovenest”, “Corduroy” ou “Heather” (algumas músicas apontam para o futuro “pop” de Gedge com os Cinerama), que comprovadamente são o seu coroamento dos tormentos pessoais e dos turbilhões de guitarra, pois tal como os My Bloody Valentine, eles pareciam estar a aniquilar as guitarras.
Provavelmente se eles fossem originários de Seattle, talvez hoje tivessem a mesma estima de uns Nirvana, mas egoistamente, tanto quanto os adoro, eu não me importo da sua relativa obscuridade.
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21 setembro 2010
Inovadores # 17 - Alexander “Skip” Spence – “Oar” (1969 Columbia)
Este brilhante álbum – um progenitor dos movimentos “lo-fi” e “psych-folk” – foi concebido enquanto Spence esteve preso num notório hospital psiquiátrico. Ele tinha sido internado nessa instituição depois de, completamente alucinado com ácidos, ter tentado agredir com um machado o seu colega dos Moby Grape, Don Stevenson.Gravado em três faixas, e absolutamente a solo, “Oar” representa um tipo de exploração psicadélica interior que não iria encontrar um público real durante décadas.
Profundo, intenso e comovente Spence vagueia de um modo existencialista entre a psicologia (a incrível “War In Peace”), e faixas de meditação (“Grey/Afro”), tudo encravado entre momento de humor genuíno e comovente tristeza.
Seria incorrecto dizer que a editora não apoiou a edição do disco, pois teve anúncios nas revistas de música americanas e foi mesmo criticada de forma muito positiva na revista Rolling Stone. Mas com um conjunto de canções tão sombrias e com a aceitação da sua desesperança, nunca existiu uma verdadeira hipótese de os “hippies” se prenderem e ele.
É essencial que se aborde este disco com uma mente aberta, pois se apenas o analisarmos superficialmente, não é nada mais que um registo de refugos induzido por drogas. Mas se olhar por debaixo da superfície, descobrimos algo verdadeiramente extraordinário.
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17 setembro 2010
In The Beggining # 6 - Palace Music – “Viva Last Blues” (1995 Drag City)
Na década de 90, e embora muitos caminhos tenham sido perseguidos e posteriormente abandonados por músicos em busca de estilos ainda não saqueados, a trilha dos “Appalachian” foi uma das menos prováveis.Mas no inicio dessa década, Will Oldham involuntariamente contribuiu para um outro renascimento das raízes americanas quando o nativo de Louisville no Kentucky, olhou para o seu próprio quintal em busca de inspiração.
Inicialmente editou a sua bem estudada versão de baladas “country” da era da Depressão no registo de 1992, “There Is No-One What Will Take Care Of You”, mas rapidamente ele abandonou o pastiche do “field-recording” e estabeleceu a sua própria voz em “Viva Last Blues”. Resolveu juntar uma banda com elementos que nunca tinham tocado juntos e libertou-os no estúdio, criando uma intrigante mistura de “folk-country-rock” que desafia classificação (ocasionalmente cobre o mesmo terreno do que os American Music Club). A produção desnudada de Steve Albini é bem visível na forma como a bateria é alisada sobre as guitarras com toda a delicadeza de uma forma a que o registo relembre uma autêntica “basement tape”.
Apesar de estar mais perto do convencional, a sua voz ainda surge rachada nos momentos certos, com Oldham acrescentando sentimento e idiotice” a versos como “If I could fuck a mountain, Lord, I would fuck a mountain” enquanto a sua banda toca como uns desarticulados músicos de Nashville.
Pode deixar-nos com um sentimento triste e claustrofóbico, mas este disco é extremamente belo na sua morbilidade.
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14 setembro 2010
Wavves – “King Of The Beach” (2010 Fat Possum)
Nathan Williams fez um álbum que poucos não o consideravam capaz. Pois entre a não existente qualidade de gravação e as encarecidamente apáticas canções, Williams gravou dois corajosos “lo-fi” álbuns num espaço de quatro meses. Mas entretanto muita coisa mudou, desde logo uma oportuna apropriação da antiga secção rítmica de Jay Reatard, e a utilização do estúdio Sweet Tea (propriedade do Dennis Herring, produtor de Modest Mouse, Throwing Muses ou Sparklehorse) que esteve muito longo da realidade do microfone incorporado dentro do Macbook que manipulou as gravações dos dois primeiros discos.Mas essa transição do quarto solitário para o estúdio profissional poderia ter sido uma prova muito grande para ser superada no sentido de aprimorar as suas habilidades interpessoais e aguçar os danificados ritmos do seu desigual segundo disco.Mas mal o disco começa a tocar, é muito claro que esta não é a mesma banda que criou minutos de inaudível clamor nos registos anteriores. Com uma categórica produção, as canções agora surgem completas, duras como pregos, e os amplificadores viraram-se completamente para o máximo. O próprio Williams está diferente, em “King Of The Beach” encontramo-lo a comutar com a sua capacidade de composição interior (toda a aversão a si mesmo e frenesim adolescente ainda está presente, mas ele parece mais feliz), renunciando ao estático niilismo “lo-fi” a favor da clareza da “alta definição” – assim o álbum está saturado de elevadas harmonias polifônicas, estalados de dedos e palmas. A animosidade das espessas guitarras e da suja bateria de “Idiot”, o impecável 60’s “garage-pop” de “Post Acid”, o “rock” frenético de “Green Eyes”, ou a gentil e espaçada “When Will You Come”, fazem deste versátil e extremamente bem executado registo uma surpreendentemente boa surpresa.
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10 setembro 2010
Classic # 28 - The Stooges – “Fun House” (1970 Elektra)
Se considerar que o primeiro álbum dos The Stooges era essencialmente o som de uns anti-sociais a tocarem o mais cru “garage-rock” possível, repetindo continuamente os mesmos brutais “riffs” de “blues” até atingirem um sentido de ritmo hipnótico no qual a guitarra “guinchava” e o vocalista Iggy Pop cantava contos urbanos que precediam a ascensão do “punk”, o disco seguinte, “Fun House”, ampliou o diagrama sonoro e impulsionou os limites do que o “ rock’n’roll” primário poderia ser ao extremo.Provavelmente derrotando a sua fonte de inspiração - “White Light/ White Heat” dos The Velvet Underground - no seu próprio jogo (embora por meios um pouco diferentes), eles gravaram o que é indiscutivelmente um dos álbuns mais intensos de sempre, encontraram o equivalente musical da mais desenfreada, anárquica, torturante festa que qualquer homem jamais poderia conceber – simultaneamente terrível e fascinante na sua completamente selvagem naturalidade.
No disco de estreia, Iggy era um vocalista mais conflituoso do que qualquer outro do seu tempo, mas aqui ele surge como se estivesse no meio de uma transe tribal, que exigia a completa submissão” do corpo, mente e alma. As letras complementam a música perfeitamente, mas isto não é poesia para ser analisada ao mesmo nível de seriedade do que seriam letras de Bob Dylan, mas nada poderia ser mais apropriado, no calor do momento que a ladainha “I feel alright” repetida durante o fim incendiário de “1970”.
O registo está carregado com o mais directo “garage-rock” - “Down On The Street”, “Loose”, “T.V.Eye” - e seguidamente e de uma forma lenta entra em improvisação livre (juntando-se aqui para o resto da viagem o saxofonista Steven Mackay, que irá rivalizar os solos com a guitarra de Ron Asheton). Eles tiraram as suas sugestões directamente da então contemporânea cena “avant-gard” “ jazz”, e culminam com o apocalíptico “L.A. Blues”, a única lógica conclusão, quase cinco minutos da mais chocante e pura dissonância que sintetiza o manifesto do álbum. Mas um dos aspectos mais importante deste álbum é a forma como as músicas funcionam como um todo coeso, e 40 anos após o seu lançamento original, quando até mesmo a sua editora recuou perante o seu ruidoso, sujo e brutal “rock’n’roll”, nada pode diminuir a energia pura e genialidade emaranhados nesta celebração irrestrita. “Funhouse” é “Detroit Rock” no seu melhor, servindo como crucial diagrama para o “punk”, “post-punk”, “new wave” e “noise/art rock”.
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06 setembro 2010
Pop # 14 - Luna - “Lunapark” (1992 Elektra)
Primeiro com os Galaxie 500, e seguidamente com os Luna, Dean Wareham conseguir formar uma elegante carreira a explorar os cantos e os recantos do auto-titulado terceiro disco dos Velvet Underground.Tal como Lou Reed, Wareham é um mestre no jogo das palavras geradas a partir de conversas mendanas.
Mas onde Reed comemora as agrestes histórias do “underground” de Nova Iorque, Wareham prefere escrever canções de amor para os neuróticos urbanos que assombram as áreas do Lower East Side.
Escolher um disco favorito dos Luna, é então tão difícil como escolher entre “What Goes On”, “Pale Blue Eyes” ou “Beginning To See The Light” dos Velvet.
Mas, pelo menos hoje, fica aqui uma inclinação para o disco de estreia da banda.
Em “Bewitched” arredondaram a sonoridade da banda com um segundo guitarrista; “Penthouse” aperfeiçoa o estilo Luna; e “Pup Tent” acrescentou algumas lúdicas ondulações experimentais. O sonhador “Lunapark” é o que se sente mais relaxado e mais variado, com o ex-baterista dos The Feelies, Stanley Demeski e o ex-baixista dos The Chills Justin Harwood a trazerem uma sensação de firmeza e coesão na performance que por vezes faltava na derivação estética dos Galaxie 500 e com Wareham a providenciar melodias eternas e memoráveis na harmoniosa guitarra e nas elevadas vocalizações.
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03 setembro 2010
Extremos # 9 - Big Black – “Songs About Fucking” (1987 Touch & Go)
“Songs About Fucking” foi a destilação perfeita da filosofia do seu líder Steve Albini. Apesar de na altura Albini ter formado este trio “numa base informal”, já lá Um disco abrasivo, tenebroso, confrontacional, sem concessões ao “mainstream” e sem pretensões de possuir um valor socialmente redentor. Aqui a música surge na sua forma mais distorcida e perversa, sem tabus, uma vez que desafiou os ouvintes a aceitar ou rejeitar o seu agressivo som e desagradável conteúdo lírico.A sonoridade do disco é avassaladora, como se fossemos atingidos por uma parede de som, e a chave para o duradouro apelo, encontra-se em grande parte na sua simplicidade, pois os Big Black destilaram a música “rock” através dos seus elementos mais básicos: guitarra, baixo e “drum machine”. E apesar desta abordagem minimalista, “Songs About Fucking” é dificilmente macio e torna-se verdadeiramente provocador – o que emerge é uma barragem de contundente e destripante “noise” que agride os tímpanos com uma mistura de desconcertantes rajadas de guitarra e pulsantes “beats” industriais. Tudo isto culminando com o demente e enlouquecido estilo vocal de Albini.
Os conceitos aqui lançados aqui são geralmente desagradáveis e niilistas, seja o sujo ruído de “The Power Of Independent Trucking”, as fracturadas “basslines” e a inumana programação de “Bad Penny” e “Columbian Necktie”, o “punk” agressivo de “L-Dopa”, a raiva do “proto” industrial “Precious Thing”, a sinistra “Kitty Empire”, ou o puro “feedback” e as empoladas, distorcidas vocalizações presentes em “The Model”, uma assombrosa versão do original dos Kraftwerk. E tudo isto através do que parece ser uma “incorrecta” mistura e engenharia das canções, pois as mesmas soam como se estivessem a sair através de um pequeno rádio portátil.
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30 agosto 2010
Foals – “Total Life Forever” (2010 Transgressive)
Depois do ataque declamatório do seu disco de estreia - “Antidotes” - aqui surge uma tranquilidade e uma profundidade de emoções que os Foals nunca antes tinham abraçado.É evidente uma maior ambição e uma maior maturidade, o que sugere que a prioridade da banda foi racionalizar a sonoridade “indie” mais acessível, que foi de alguma forma criticada no disco de estreia. É certo que as características guitarras encharcadas de agudos ainda permanecem, mas agora elas servem para adicionar sabor ao invés de conduzir as músicas, e também o vocalista Yannis Philippakis melhorou, e o seu emocional e arrepiante desempenho está a quilómetros de distância do seu indiscutivelmente repetitivo uivar do passado. Assim o som global é mais expansivo e a produção mais “calorosa”, eles expandiram consideravelmente a sua gama musical e combinaram todas as suas forças, mas raramente soam previsíveis.
Destacam-se a pálida e límpida “Blue Blood”, que lentamente acumula vigor antes de explodir num coro glorioso e num duplo serpentear de guitarras, e “Spanish Sahara”, que é inicialmente paciente e metódico, sendo os elementos adicionados gradualmente de forma a refazerem uma completamente satisfatória construção rítmica. Mas ainda temos as delícias “pop” de “Miami”, as texturas sensuais de “Black Gold” e “2 Trees”, a arrojada escultura melódica de “Total Life Forever”, as cintilantes guitarras e as camadas atmosféricas de sintetizadores de “This Orient”, as belíssimas melodias de “Alabaster” ou a simplicidade tribal de “What Remains”.
É pois a ambiguidade de estilos, e a insistência em levar o ouvinte ao longo de uma intensa viagem, que faz de “Total Life Forever” uma declaração de intenções infinitamente interessante.
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27 agosto 2010
Covers # 14
Para encerrar o ciclo dos ultimos posts que estavam relacionadas com a editora 4AD, andei pela prateleira e encontrei estas versões:
Um das bandas mais bizarras que esteve na 4AD, recriou este tema que acabou por ser um inesperado sucesso no inicio da decada de 80:
Das poucas "covers" que os Pixies realizaram, esconderam uma no lado B do single "Velouria", para o pretenso "padrinho" do "grunge"


E em relação aos Pixies, a sua influência é enorme e não faltam "covers":
23 agosto 2010
Rock # 16 - Pixies – “Surfer Rosa” (1988 4AD)
Na sequência do surpreendente mini-LP “Come On Pilgrim”, este mortífero disco de estreia dos extraterrestres de Boston é tudo o que viria a ser futuramente afinado para o impecável “Doolittle” e novamente “rasgado” para “Trompe Le Monde”.Brilhantemente desalinhado, explosivo, sujo e cru, para além das reflexões mais delirantes dos Sonic Youth, esta sonoridade era basicamente inédita na época. É uma soberba mistura da melhor capacidade de composição, de letras loucas e perturbadoras, de guitarras abrasivas e de uma melodia verdadeiramente impressionante.
Black Francis surge aqui mais psicótico do que nunca, as suas vocalizações alternam entre gritos e pensativas reflexões, Joey Santiago continua a provar que é um dos mais subestimados guitarristas de sempre, e o estrondoso rufar de David Lovering dá às músicas uma qualidade superlativa.
Tal como os Velvet Underground, os Pixies sempre tiveram os seus lados mais abrasivos e mais suaves, e foram capazes de os demonstrar num registo único, e muitas vezes dentro da mesma música.
Este é o mais resoluto, áspero e agudo disco, menos filtrado, as canções são editadas para eliminar qualquer nota que não seja absolutamente necessária – isto claro obra de Steve Albini – e assim elas surgem brutais, com guitarras altamente distorcidas e letras sobre incesto e injúrias, mas no entanto são bastante cativantes e melódicas.
Desde o soco inicial dado pelos clássicos por excelência, o enlouquecido e desafiante “Bone Machine” e o rápido e furioso “Break My Body”, passando pela deliciosa interpretação de Kim Deal em “Gigantic” (um assombroso e assustador hino sobre o voyeurismo infantil), pela excelentemente intensa “River Euphrates”, ou pela arrepiante beleza do inesquecível “Where Is My Mind?”, o clímax do álbum, e uma das melhoras músicas dos anos 80.
Um grande disco que provou ser massivamente influente em praticamente todas as futuras áreas do rock alternativo.
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13 agosto 2010
My Favorites # 21 - This Mortal Coil – “It’ll End In Tears” (1984 4AD)
Um projecto criado na mente de Ivo Watts-Russell, onde membros de vários grupos da 4AD como Cocteau Twins, Dead Can Dance, The Wolfganf Press ou Colourbox trabalharam conjuntamente para escreverem canções e para realizarem surpreendentes versões de temas popularizados por Tim Buckley, Roy Harper ou Alex Chilton dos Big Star. A perspectiva era intimadora mas funcionou incrivelmente bem e seria um epítome e uma óptima introdução para do som 4AD.Com tanta gente a trabalhar num disco, é natural que as sonoridades sejam bastante diversificadas. É evidente a diferença entre Howard Devoto a cantar o devastador “Holocaust” (original Alex Chilton) com o seu piano e violoncelo, para a turbulenta guitarra “indie” de “Not Me”, original de Colin Newman dos Wire.
Destaca-se o grande momento mágico, dominado pelos Cocteau Twins, na surpreendente versão, verdadeiramente de cortar a respiração, pela calmante cadência espiritual propositada por Liz Frazer, para “Song To The Siren”, o hino a uma sereia de Tim Buckley. Mas ainda a dolorosamente sedutora “Kangaroo” (original de Alex Chilton) cantada por Gordon Sharp, que nunca conseguiu com a sua banda - CindyTalk – atingir a graça que obteve neste álbum, a assustadora voz hipnótica de Lisa Gerard em “Dreams Made Flesh”, ou o exótico “Barramundi”, obra de Simon Raymond (baixista dos Cocteau Twins) que com a sua natureza obscura cria uma sonoridade verdadeiramente gótica. No entanto, e apesar de todos esses contrastes, cada faixa tem uma ligação estreita. É quase como se estivesse-mos a seguir um caminho espiritual.
Poderá faltar a grandeza do posterior “Filigree and Shadow”, mas este hipnótico e surpreendentemente belo álbum é despojado até ao esqueleto de beleza e tristeza.
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05 agosto 2010
In The Beginning # 5 - Cocteau Twins – “Garlands” (1982 4AD)
O disco de estreia dos Cocteau Twins é uma experiência auditiva bem mais áspera do que as suas futuras produções majestosas e etéreas, “Garlands” está desprovido de qualquer tipo de bom humor. A primeira de muitas obras-primas, revela um lado diferente na música dos Cocteau Twins, pois sonoramente são mais directamente decalcáveis de uns The Cure ou Siouxsie And The Banshees pelas penetrantes e góticas guitarras. Liz Frazer e Robin Guthrie (mais o baixista Will Heggie) costuram uma incrível combinação de impedimento e mistério.O excelente “Garlands” soa cru, minimal, nocturno e sombrio. Muito mais baseado nas guitarras do que a maioria dos outros álbuns dos Cocteau Twins, são as ferozes e estrondosas linhas de guitarra de Guthrie que quase justapostas ao lado do baixo taciturno de Heggie que dominam a paisagem sonora (acompanhados pelo crepitando da “drum machine”) mas sem deslocar o surpreendentemente sobrenatural estilo vocal de Liz Frazer, e assim constituem um todo perfeito e homogéneo. As vocalizações aqui não são leves e celestiais como em álbuns posteriores, nomeadamente “Treasure” e “Victorialand”, pelo contrário elas soam assustadoras e assombrosas e possuem uma certa estética de identificação.
“Garlands” é o resultado final da junção de três excepcionalmente brilhantes músicos, que têm um entendimento mútuo e conseguiram criar neste resultado sinérgico, um grande disco.
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30 julho 2010
Classic # 27 - Bauhaus - “In The Flat Field” (1980 4AD)
Sempre odiei o rótulo “gótico”, esse mesmo não fez outra coisa senão prejudicar os Bauhaus, pois para mim eles são tão “rockers” como Elvis Presley.O seu disco de estreia, “In The Flat Field”, é uma grande obra do melhor “art rock” expressionista.
Provavelmente a banda foi responsável pela criação de um género musical e de um estilo de vida cultural, mas em primeiro lugar, os Bauhaus eram um colectivo de génios criativos. Podem questionar se bandas como The Sisters of Mercy ou mesmo Alien Sex Fiend foram superiores quando se tratava do “rock gótico”, mas nenhuma delas conseguiu executar os inúmeros estilos que os Bauhaus abordaram com perfeição.
“In The Flat Field” contém uma série de pedras angulares do dicionário “rock gótico”, mas simultaneamente oferece um punhado de faixas que mostram como os Bauhaus estavam definitivamente dispostos e aptos para assumir riscos. Hinos fúnebres como “Double Dare” e “Stigmata Martyr” basicamente definiram o modelo de como deveria soar a música gótica, no entanto em faixas como “God In An Alcove” a banda parece dizer “fuck off” ao suposto “público alvo” e a verdadeira capacidade artística é demonstrada em peças experimentais como “Nerves”.
O álbum é muito intenso, não sendo depressivo, é paranóico e recheado de uma negra vida cinética, muito mais do que em qualquer dos outros registos dos Bauhaus. Mas a instrumentação austera e a bela, vacilante e profunda voz de Peter Murphy são o que realmente define o som Bauhaus.
A negra e muscular beleza dos Bauhaus mais do que criar um género, é responsável pelo nascimento de uma subcultura “rock n' roll” obcecada pela morte, que poderia ser simultaneamente assustadora, ritmada e experimental mas sem perder o “focus” na sua visão única.
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27 julho 2010
Editoras # 7 - 4AD
A história começa em 1972 quando o jovem de 17 anos, Ivo Watts-Russell deixou Northampton para descobrir Londres, e encontrar refugio atrás do balcão da loja de disco Beggars Banquet. 
No final dessa década, as consequências do “punk” deixaram muitos excitados com as possibilidades criadas pelo movimento. Ivo foi um deles e ficou tão excitado com as inúmeras “demos” que infestavam a loja (proprietária da editora Beggars Banquet) que solicitou os responsáveis da mesma para criarem uma nova editora. Cansados de tanta insistência, deram-lhe £2000 para começar a sua própria editora, com a premissa de que podiam ficar com os potenciais futuros sucessos. Foi assim que surgiram em 1979, os Shox, Bearz, The Fast Set e Bauhaus, os responsáveis pelos quatro primeiros “singles” da recém formada Axis. Mas um telefonema de outra Axis Records, obrigou-o a renomear o seu projecto para 4AD. Os Bauhaus foram os únicos que se enquadraram no plano original da Beggars Banquet e posteriormente deixariam a editora. Mas entretanto chegaram os Rema-Rema, os Modern English, os Dif Juz, e um bando de australianos chamados The Birthday Party, que permitiram a uma pequena editora dar um grande passo em frente. Estes grupos iriam criar um tipo de padrão sonoro, sombrio e melancólico, que discos subsequentes não iriam eliminar. Mas o que faltava era continuidade, pois os seus artistas eram errantes ou descontentes. Os Bauhaus abandonaram, os Modern English foram despedidos, os Birthday Party acabaram.
Mas as peças começaram a juntar-se novamente a partir de 1982, quando três excêntricos escoceses decidiram reinventar a “pop” com uma surpreendente sonoridade vocal, e assim surgiu “Garlands” pelos Cocteau Twins. Surgem também os The Wolfgang Press, o mutante “disco-noise” dos Colourbox e Vaughan Oliver é recrutado como designer das capas dos discos.
Agora a 4AD tem a possibilidade de longevidade do seu lado, com uma deliciosamente abstracta imagem a unir um conjunto de bandas que iria moldar uma fachada uniforme. Isso seria cimentado pelo colectivo This Mortal Coil, um desejo de Ivo se envolver musicalmente e que virtualmente criou um manisfesto estético para toda a etiqueta. Assim quando os Dead Can Dance e os Xymox surgiram em 1984/85 já o termo “disco 4AD” era um factor diferenciador.
No meio dos anos 80, indiferentes ao movimento das “fuzzy” guitarras indie “C86”, aventuraram-se nas torturas apocalípticas dos A.R.Kane e nas expansões mentais das Le Mystère Des Voix Bulgares. E não podemos esquecer essa bizarra colaboração entre os A.R. Kane e os Colourbox, que resultou em “Pump Up The Volume” dos M/A/R/R/S o primeiro disco que fez os obsessivos questionar: “o que é que isso faz na 4AD?”. Mas o disco seria líder nas tabelas, vendendo dois milhões e meio de cópias por todo o mundo, naturalmente Ivo teve o seu momento corrupto.
Mas o seu consolo estava perto, se bem que do outro lado do Atlântico, ao localizar o caldeirão borbulhante de angústia e raiva das “Throwing Muses e um grupo de Boston notável pelas suas furiosas mudança de tempo, chamado Pixies. Esta dupla iria ter enorme sucesso, e para além de serem as bases futuras das The Breeders e das Belly, e seria responsável pelo despertar de grupos como as Lush e os Pale Saints.
A editora tinha afastado o rótulo etéreo e foi propositadamente procurando “bandas de guitarra”, na busca de uns novos Pixies, facto que se tornou urgente, após o fim da banda, e que se tornaria uma constante nos anos seguintes.
Seriam também bandas americanas a atingir maior sucesso na década de 90, como os Red House Painters, Unrest e His Name is Alive, mas a exploração de novos territórios continuou com a assinatura dos Gus Gus.
Coincidente com os fortes sentimentos da atribulada partida dos Cocteau Twins, praticamente após uma década a trabalharem em conjunto, em 1999 Ivo vende a editora ao Beggars Group, onde ainda hoje se encontra incorporada, mas a editora continuou a manter a sua identidade e selecção de artistas ao manter a ex-Throwing Muses, Kristin Hersh ou as The Breeders, e recrutando novos actos como Blonde Redhead, ScottWalker ou St. Vincent.
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Cocteau Twins - Crushed
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Throwing Muses - Colder

No final dessa década, as consequências do “punk” deixaram muitos excitados com as possibilidades criadas pelo movimento. Ivo foi um deles e ficou tão excitado com as inúmeras “demos” que infestavam a loja (proprietária da editora Beggars Banquet) que solicitou os responsáveis da mesma para criarem uma nova editora. Cansados de tanta insistência, deram-lhe £2000 para começar a sua própria editora, com a premissa de que podiam ficar com os potenciais futuros sucessos. Foi assim que surgiram em 1979, os Shox, Bearz, The Fast Set e Bauhaus, os responsáveis pelos quatro primeiros “singles” da recém formada Axis. Mas um telefonema de outra Axis Records, obrigou-o a renomear o seu projecto para 4AD. Os Bauhaus foram os únicos que se enquadraram no plano original da Beggars Banquet e posteriormente deixariam a editora. Mas entretanto chegaram os Rema-Rema, os Modern English, os Dif Juz, e um bando de australianos chamados The Birthday Party, que permitiram a uma pequena editora dar um grande passo em frente. Estes grupos iriam criar um tipo de padrão sonoro, sombrio e melancólico, que discos subsequentes não iriam eliminar. Mas o que faltava era continuidade, pois os seus artistas eram errantes ou descontentes. Os Bauhaus abandonaram, os Modern English foram despedidos, os Birthday Party acabaram.

Mas as peças começaram a juntar-se novamente a partir de 1982, quando três excêntricos escoceses decidiram reinventar a “pop” com uma surpreendente sonoridade vocal, e assim surgiu “Garlands” pelos Cocteau Twins. Surgem também os The Wolfgang Press, o mutante “disco-noise” dos Colourbox e Vaughan Oliver é recrutado como designer das capas dos discos.
Agora a 4AD tem a possibilidade de longevidade do seu lado, com uma deliciosamente abstracta imagem a unir um conjunto de bandas que iria moldar uma fachada uniforme. Isso seria cimentado pelo colectivo This Mortal Coil, um desejo de Ivo se envolver musicalmente e que virtualmente criou um manisfesto estético para toda a etiqueta. Assim quando os Dead Can Dance e os Xymox surgiram em 1984/85 já o termo “disco 4AD” era um factor diferenciador.
No meio dos anos 80, indiferentes ao movimento das “fuzzy” guitarras indie “C86”, aventuraram-se nas torturas apocalípticas dos A.R.Kane e nas expansões mentais das Le Mystère Des Voix Bulgares. E não podemos esquecer essa bizarra colaboração entre os A.R. Kane e os Colourbox, que resultou em “Pump Up The Volume” dos M/A/R/R/S o primeiro disco que fez os obsessivos questionar: “o que é que isso faz na 4AD?”. Mas o disco seria líder nas tabelas, vendendo dois milhões e meio de cópias por todo o mundo, naturalmente Ivo teve o seu momento corrupto.

Mas o seu consolo estava perto, se bem que do outro lado do Atlântico, ao localizar o caldeirão borbulhante de angústia e raiva das “Throwing Muses e um grupo de Boston notável pelas suas furiosas mudança de tempo, chamado Pixies. Esta dupla iria ter enorme sucesso, e para além de serem as bases futuras das The Breeders e das Belly, e seria responsável pelo despertar de grupos como as Lush e os Pale Saints.
A editora tinha afastado o rótulo etéreo e foi propositadamente procurando “bandas de guitarra”, na busca de uns novos Pixies, facto que se tornou urgente, após o fim da banda, e que se tornaria uma constante nos anos seguintes.
Seriam também bandas americanas a atingir maior sucesso na década de 90, como os Red House Painters, Unrest e His Name is Alive, mas a exploração de novos territórios continuou com a assinatura dos Gus Gus.
Coincidente com os fortes sentimentos da atribulada partida dos Cocteau Twins, praticamente após uma década a trabalharem em conjunto, em 1999 Ivo vende a editora ao Beggars Group, onde ainda hoje se encontra incorporada, mas a editora continuou a manter a sua identidade e selecção de artistas ao manter a ex-Throwing Muses, Kristin Hersh ou as The Breeders, e recrutando novos actos como Blonde Redhead, ScottWalker ou St. Vincent.
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Cocteau Twins - Crushed
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Throwing Muses - Colder
21 julho 2010
Rock # 15 - Polvo - “Exploded Drawing” (1996)” (Touch And Go)
O catálogo dos Polvo está bem recheado com discos ousados e tentadores, que literalmente engolem as melodias e os ritmos como é o caso de “Shapes” e “Today’s Active Lifestyles”. Mas pessoalmente o hipnótico e formoso “Exploded Drawing” é o que mais me fascina.Todas as esculpidas dissonâncias, os calmantes vocais, e os afiados desvios rítmicos que tão bem definem os Polvo e que os tornam tão difíceis de categorizar estão presente aqui mas com uma dose adicional de um purificante turbilhão sónico e estranhas estruturas “pop”.
Anteriores referências comparativas incluem os Sonic Youth, os U.S. Maple ou o ”math-rock”, sendo que esta última referência é uma “etiqueta” extremamente enganadora, uma vez que alude muito mais para o método do que para os resultados e para a própria música – é certamente um sofisticado e matemático “noise-rock”/“indie–rock”, mas onde os resultados desses ritmos complexos e das ortodoxas estruturas de guitarra pertencem a um formato não convencional.
As melodias estão divididas em regimes de tons que nem perecem humanos, e tal como a capa que o seu título evoca “Exploded Drawing”, golpeia as estruturas convencionais, abrindo-as e recombinando-as em novas e intrigantes formas, que nos transportam para outra realidade.
Um soberbo e ambicioso “opus”, de uma das mais inesquecível e originais bandas da década de 90.
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11 julho 2010
Electronic # 18 - Arthur Russell – “World Of Echo” (1986 Upside/Rough Trade)
Um dos menos “honrados” elos entre o “disco” e o “avant garde”, Arthur Russell, foi um violoncelista cuja ânsia de experimentar foi demasiada para a Manhattan School of Music, pois desde que chegou a Nova Iorque nos meados dos nos 70, para aí estudar, começou a fazer conexões entre os formatos.O simplesmente espantoso “World Of Echo” (o disco é essencialmente uma exploração do eco nas suas diversas formas) – para violoncelo solo, voz, efeitos e electrónica – encerra em si mesmo muitas das suas ideias para uma música “loose-limbed” (como o próprio a definiu) e que sempre manteve a curiosidade como a sua parte mais central. “World Of Echo” continua a ser um disco extraordinário pelos seus cintilantes, reverberantes, quase tangíveis sons: ritmos “sonar” e melodias derivam através de várias camadas de som e significado, como uma metáfora para o inconsciente.
Apesar de Russell, que faleceu em 1992 vitima de SIDA, ser muitas vezes lembrado apenas pelos seus “singles” “disco” nos Loose Joints e Dinosaur L – “Kiss Me Again”, “Is It All Over My Face”, “Go Bang” – e por ter co-fundado a Sleeping Bag Records, este meditativo, quase melancólico registo, categorizado simplesmente como estranho aquando da sua edição, deve ser reexaminado bem de perto.
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06 julho 2010
Compilação # 7 - Y Pants – “Y Pants” (1998 Periodic Document)
Barbara Ess tocou com Glenn Branca nos The Static, mas o seu grupo posterior, Y Pants, descolou-se do idealismo “make-it-new” do movimento artístico “no wave”, para se tornarem num dos mais divertidos grupos femininos de sempre.Baseados em torno do baixo pulsante de Ess, no pequeno teclado Casio de Gail Vachon e na forma brusca e vigorosamente primitiva com que Virginia Piersol tocava a sua bateria de plástico, as Y Pants evitaram a centralidade da guitarra tanto quanto elas poderiam – quando era necessário algo para preencher uma faixa, elas geralmente preferiam o “ukulele”. Elas tinham todas vozes frágeis e límpidas, mas cantavam em simultâneo para se reforçarem umas as outras, e apesar de todo o seu repúdio pela ortodoxia “rock”, elas adoravam o seu ritmo e a sua simplicidade.
Este disco reúne todas as gravações realizadas pela banda: o seu EP de estreia em 1980, uma faixa de uma compilação da Tellus, e o seu único álbum de originais, “Beat It Down” de 1982. E é um belo documento de um momento particular na história da “downtown NYC”, pois para além dos chilreantes e tinidos originais, como o satírico ”Do The Obvious”, estão presentes configurações de Bertold Brecht e Emily Dickinson, e uma versão imortal do clássico “That’s The Way Boys Are” de Lesley Gore, abrandada como para um canto fúnebre e cantada “acappella” com um grito ouvido vagamente na retaguarda.
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03 julho 2010
Singles # 24 - Beck – “Loser” (1993/4 Bong Load/Geffen)
Em 1992, Beck Hansen vivia em Los Angeles e ocasionalmente tocava num pequeno espaço chamado Jabberjaw. Os seus contactos nesse espaço levaram à sua apresentação a um produtor local chamado Karl Stephenson – o cérebro por detrás do projecto “art-pop” Forest For The Trees.A dupla, juntamente com um amigo em comum, resolveu reuniu-se em casa de Stephenson, onde Beck tocou algumas das suas canções, mas nada de produtivo surgiu, e Stephenson, inclusive, parecia terrivelmente entediado. Numa altura em que Beck começou a tocar um “riff” de guitarra “slide”, os outros saíram para comer uma pizza, e deixaram a “tape” a rolar, Beck escreveu a letra enquanto eles estavam ausentes e posteriormente gravaram a canção, tendo Stephenson adicionado um “drum beat”. Tudo foi feito num par de horas, e quando Beck saiu, já se tinha esquecido completamente da canção.
Nove meses depois a Bong Load Records emitiu 500 cópias da mesma. Rapidamente cópias gravadas começaram a circular pelas rádios americanas e na Primavera de 1994, “Loser” tornou-se um “hit single”, tendo Beck assinado com a Geffen. O “timing”, fortuitamente foi brilhante: com a obsessão dos “media” pela geração “slacker” num pico absoluto, uma canção a conter um refrão destes, era referência obrigatória para chocar a consciência americana.
E se tudo isto ameaçou Beck de se tornar um “one-hit wonder”, a sua carreira posterior não deixa dúvidas sobre esse facto.
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28 junho 2010
Covers # 13
Mais uma ronda pela prateleira com o objectivo de seleccionar algumas versões que
particularmente aprecio.
Este é uma excelente interpretação para um grande clássico intemporal.
Death Cab For Cutie - This Charming Man (The Smiths)

Ainda me lembra do filme que incluia esta na sua banda-sonoro. Curiosamente Ray Manzarek foi o produtor.
Echo And The Bunnymen - People Are Strange (The Doors)
Um grupo que merecia muito mais atenção do que a recebeu, mas que terá sempre um carinho especial cá por casa.
Shop Assistants - She Said (The Beatles)
particularmente aprecio.Este é uma excelente interpretação para um grande clássico intemporal.
Death Cab For Cutie - This Charming Man (The Smiths)

Ainda me lembra do filme que incluia esta na sua banda-sonoro. Curiosamente Ray Manzarek foi o produtor.
Echo And The Bunnymen - People Are Strange (The Doors)
Um grupo que merecia muito mais atenção do que a recebeu, mas que terá sempre um carinho especial cá por casa.

Shop Assistants - She Said (The Beatles)
E aqui está uma boa razão para ainda comprar "singles".
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