02 dezembro 2008

My Favorites # 11 - The Cure – “Pornography” (1982 Fiction)

Esta é inquestionavelmente a hora mais negra de Robert Smith. Todos os momentos de “Pornography” são assustadores, desesperantes e angustiantes, nunca os The Cure soaram tão frios e rancorosos, nem a música “rock” tinha sido tão opressiva e claustrofóbica. Cinco anos após o apogeu dos Sex Pistols e The Clash, este era o seu momento de violência “punk”, nada como os anteriores, mas na mesma furiosa e niilista. Foi um marco no movimento “pós-punk” onde apenas rivaliza com “Closer” dos Joy Division. Mas é um disco colossalmente criativo pois contém alguma da música mais sepulcral já criada. O facto de na altura Smith ser um regular utilizador de LSD, e que mal falava com os seus companheiro, é evidente na forma como a sua voz frágil é levantada por impiedosos gritos de agonia, surgindo desesperado e transtornado. Assim como os rígidos ritmos - a forma mais dissonante e extenuante de tocar guitarra, os tons lúgubres dos sintetizadores, o baixo sorumbático, a forma monótona e mecânica de tocar bateria de Lawrence Tolhurst criam um absoluto sentimento de inércia ao longo do disco – são factores que contribuem para a triste aura deste convidativo disco. Este começa com a frase: “It doesn’t matter if we all die”, retirada de “One Hundred Years”, cheia de desespero e desejo não correspondido. Seguem-se os hipnóticos hinos fúnebres “Siamese Twins” e “The Figurehead”, a tribal “The Hanging Garden” que é provavelmente uma das melhores canções dos The Cure, “A Strange Day” que é dominada pelo presente sentimento de raiva, mas com algo contíguo em beleza oculto no seu interior. E a faixa-título é uma claustrofóbica e completa descida aos abismos da total loucura, como deve ser o fecho de um disco destes.
Smith revisitou este disto com “Disintegration”, em 1989, que a par deste, continuam a ser as suas obra-primas. E estes são os The Cure com que me identifico, e não os de “Friday I’m In Love”.
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3 comentários:

marco costa disse...

Excelente lembrança e para mim um dos marcos mais importantes da minha existência. Este album dos Cure é um hino de resistência à necessária morte por simpatia...

Excelente post. Agradecido.

M.A. disse...

Nunca tive os Cure entre as minhas bandas de eleição. No entanto, reconheço que o "Pornography" e o "Disintegration" são dois belos discos. O "Kiss Me" também tem alguns temas interessantes.

Abraço

Zito disse...

os Cure foram uma banda marcante nos anos 80, como muitas outras foram perdendo fulgor, criatividade

"Three Imaginary Boys" continua a ser o meu preferido, não consigo comparar com "Closer" por este ser um peça única, com tudo que lhe está associado.

deixei os Cure depois de "Kiss me, Kiss me, Kiss me", disco recheado de preciosidades pop