15 fevereiro 2008

Tributo # 4 - Roky Erickson/ 13th Floor Elevators

Felizmente o êxito do filme “Alta Fidelidade”, despertou o interesse para uma das bandas mais incrivelmente infelizes da história do “rock”, e em especial o seu co-líder, o genial visionário Roky Erickson.
São hoje considerados pioneiros, por terem sido uma das primeiras bandas a ter um som “psicadélico” e também percursores do garage-rock.
Originário de Austin, no Texas, Roky foi desde muito novo, fortemente influenciado para a música pela sua mãe, que era cantora. E cedo demonstrou um grande talento. Mal atingiu os 18 anos decidiu que iria formar uma banda. Após uma primeira experiência sem grande continuidade, conheceu Tommy Hall, um viciado em acídos que era bastante mais velho do que Roky, e que iria exercer uma influência muito forte sobre si, e assim decidiram criar uma banda (existe a história de que uma Janis Joplin iria ser a vocalista, mas receando que o seu envolvimento no grupo pudesse criar uma relação com drogas mais duras, preferiu recusar e ingressar no Big Brother and the Holding Company, e o resto da história já é conhecida, o que não deixa de ser irónico, se considerar-mos o percurso de drogas e a consequente morte daí originada de Joplin).
Adoptaram a designação 13th Floor Elevators, e lançaram em 1966 o primeiro single, “You’re Gonna Miss Me” (composto por Erickson), que obteve um sucesso razoável, e atraíram o interesse da Internacional Artists que iria editar o seu disco de estreia, “The Psychedelic Sounds of The13th Floor Elevators”. Este disco é hoje considerado um clássico, e contém “RollerCoaster” ou “Fire Engine”. O som “garage- psicadélico” que criaram assenta numa produção rudimentar que contrastava com o que era usual na altura, com vocalizações primárias, e imensas referências a experiências místicas e alucinações de drogas.
Problemas com a policia derivados pela divulgação e suporte do consumo de LSD e marijuana, que a banda propagava, fizeram com que os elementos que componham a secção rítmica saíssem da banda e já com uma nova formação iriam gravar o disco seguinte “Easter Everywhere”, editado em 1967, que apesar de manter o som hipnótico da banda, era mais elaborado. Contém grandes temas como “Earthquake” ou “I Had to Tell You”, para além de uma versão de “It´s All Over Now, Baby Blue” de Bob Dylan, e de “Slip Inside This House” popularizado na década de 90 pelos Primal Scream.
Novamente problemas relacionados com a droga, colocaram a polícia na rota da banda. E Roky acabou preso em 1969 por encontrarem na sua posse um cigarro de marijuana. Para evitar ir para a prisão, declarou insanidade mental. Como resultado passou três anos num hospital psiquiátrico, diagnosticado como esquizofrénico, e cujo ortodoxo tratamento era baseado em choques eléctricos e numa forte medicação.
Durante esses anos a editora lançaria dois discos (um ao vivo e outro com sobras de estúdio) mas que nada acrescentariam, e a banda acabou por se desfazer.
Quando Roky saiu do hospital, estava num estado mental lastimável. Ainda continuou a compor e chegou a editar alguns discos. Alguns nem interessa mencionar, outros apesar de serem bizarros exercícios, são brilhantes como o seu disco de 1980, “Roky Erickson & The Aliens”.
Em 1982, desapareceu sem rasto, tendo sido reencontrado na década de 90 a mendigar pelas ruas.
E partir daí alguns fãs célebres como os ZZ Top (também Texanos), R.E.M. ou Henry Rollins, começaram a citar o seu nome como uma influência. Muitos desses fãs reuniram-se e editaram um disco de tributo com versões de canções suas. E outros como King Coffey, convidaram Erickson a gravar novamente discos de originais.
Roky recuperou a alegria da vida, e hoje está a viver confortavelmente e com saúde, continuando a tocar esporadicamente.
Por tudo isto, é hoje uma figura de culto, um sobrevivente, que se tornou uma verdadeira lenda.

2 comentários:

M.A. disse...

Este é um daqueles ícones dos quais ainda necessito aprofundar o meu conhecimento. Mas o pouco que ouvi deixou-me muito bem impressionado.

Abraço

sonia teixeira disse...

Foi uma pena o que aconteceu com este pequeno génio, pois se calhar teriamos muitos mais discos de grande qualidade.

Bjs