07 Fevereiro 2010

Pop # 10 - The Go-Betweens- “Liberty Belle And The Black Diamond Express” (1986 Beggars Banquet)

O mais épico e mais romântico disco do quarteto Australiano, será provavelmente também o mais consistente de uma banda que ao longo da sua história discográfica nunca parou de impressionar. Pois, para além deste, poderia ter escolhido outro - “Before Hollywood”, “16 Lovers Lane” ou “Oceans Apart” – já que todos os seus álbuns são fantásticos, e estão recheados de belas e habilmente criadas canções, que relatam histórias de amores românticos e das suas irritadas rejeições.
Através das fantásticas letras de Grant McLennan e Robert Forster, apresentam-nos melancólicas e dolorosas meditações acerca do amor e as suas consequências. E estas surgem quer através da presunçosa indiferença de Robert Forster e os seus arrogantes relatos de intensas paixões, quer através do mais sério romantismo de Grant McLennan com as suas poéticas e sonhadoras composições.
Gravado com o produtor Richard Preston em Fulham na Inglaterra, está evidente que os nativos de Brisbane procuraram aqui uma sonoridade mais rústica, quase áspera, que lhe dá sensações ligeiramente únicas em relação aos seus outros discos.
Podemos destacar as discordantes guitarras e as declamatórias vozes de “Spring Rain”, a majestosa “The Wrong Road”, a perfeita capacidade de escrita evidenciada em “To Reach Me”, a subtil, no entanto dramática “Twin Layers Of Lightning”, o excelente “pop” presente em “Head Full Of Steam” ou as agravantes e desesperantes emoções de “Apology Accepted”. Mas a real força deste disco é a sua coesão global, pois tudo parece coexistir em perfeita sintonia. Todos os aspectos delicadamente reunidos como um puzzle, produzindo uma sonoridade perfeita e verdadeiramente única, e que por mais vezes que o escutemos, nos irá sempre produzir efeitos surpreendentes.
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04 Fevereiro 2010

Classic # 24 - Primal Scream - “Exterminator” (2000 Creation)

Tal como os Primal Scream inventaram, em 1991, a sua própria banda-sonora para o Acid House com “Screamadelica”, ao se juntarem” aos The Orb e a Andrew Weatherall, e ao misturarem “beats” com abafadas guitarras reminiscente dos The Stooges e um “dub” halucinogénico, “Exterminator” maneja o mesmo bem oleado estratagema mas trocando o “house” pelo “electro” e “techno”.
Desta vez a “equipa de mistura” incluía entre outros David Holmes, Kevin Shield dos My Bloody Valentine, Dan The Automator, Jagz Kooner ou mais eficaz e surpreendentemente entre todos eles, os The Chemical Brothers. Estes últimos contribuem com uma frenética e vacilante “mix” de “Swastika Eyes”, que surge como o sucessor da “acid blues” mix de “Higher Than The Sun” que os The Orb realizaram para “ Screamadelica”.
Embora indiscutivelmente mais negro e vigoroso, depois de ter retirado elementos das sonoridades alcançadas em “Vanishing Point” e levando-as a um maior extremo sonoro, “Exterminator”, é facilmente identificável como o real sucessor de “Screamadelica”. Aqui é a amplitude, a profundidade, a energia, a intensidade e a ira presentes que completam o brilhantismo deste disco.
Mas “Exterminator” começa o seu penetrante curso de um ainda mais alto patamar, e a sua fuselagem está carregada com uma primitiva mistura explosiva do mais pesado “funk”, “jazz”, “noise” e “rock” prestes a explodir. E como se não bastasse debaixo de tudo, temos o verdadeiramente extraordinário e vibrante baixo de Mani (aka Gary Mounfield), que confere ao disco um acompanhamento deveras hipnotizador.
Assim e em canções como na poderosamente agressiva “Kill All Hippies”, na impertinente e intensa “Accelerator”, na bruma psicadélica de “Blood Money” ou nos abrasadores ritmos do transtornado “jazz” de “MBV Arkestra”, os Primal Scream retalharam todas as regras musicais para impulsionarem as suas estimulante ideias, no sempre muito estéril panorama musical.
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28 Janeiro 2010

Vampire Weekend - “Contra” (2010 XL)

Os atípicos Vampire Weekend desde o seu disco de estreia que cativaram uma boa quantidade de fãs e antipatias.
Isso deveu-se essencialmente e simultaneamente pelo facto de ao terem extraído toda a permutabilidade das melodias e ritmos instituídos nos principais elementos da música Africana, com uma jovialidade e um aparato habilidoso, fez com que o mesmo fosse considerado como um acto pretensioso realizado por um bando de miúdos universitários privilegiados.
Mas a sua música - executada com precisão e inspiração - é meritória do “hype” que geram.
Mais uma vez produzido pelo teclista Rostam Batmanglij, “Contra”, é mais complexo e variado, mas menos imediato do que o seu antecessor. Aqui o quarteto liderado por Erza Koenig inventou novas formas de recriar o que tinham feito anteriormente. Existem menos guitarras, e mais “samples”, muitos sintetizadores, várias espaçosas orquestrações e mais efeitos de estúdio que realçam o seu som. As influências africanas ainda estão presentes, mas agora incorporam o “dancehall”, “reggae”, e o “ska”. E assim, cada impecavelmente meticulosa composição é uma inventiva experiência rítmica cultural.
Seja no sereno matraqueado piano, evocativo dos Konono Nº1 de “Horchata”, no ruído arrastante de “White Sky”, na incorporação do “ska” em “Holiday”, no cintilante piano e nas luxuriantes orquestrações de “Taxi Cab”, na frenética “Cousins”, no “electro-rock” presente em “Giving Up The Gun” ou na delicada e melancólica “I Think Ur A Contra”, o exótico “Contra” confunde e encanta, e os “antipatizantes” estão a perder algo brilhante.
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21 Janeiro 2010

Electronic # 13 - The Sabres Of Paradise - “Haunted Dancehall” (1994 Warp)

Normalmente relegados para segundo plano quando se analisa a editora Warp, os The Sabres Of Paradise criaram aqui um disco extremamente coeso, que envelheceu maravilhosamente e ao contrário de muitos registos do mesmo período ainda soa tão moderno hoje como quando foi editado.
Inventivo e abstracto, ao nível do melhor de uns Aphex Twin, Andrew Weatherall e companhia fizeram um disco conceptual, mas onde parece obvio que também se queriam divertir, pois inventaram as treze pequenas narrativas (que seriam retiradas de um imaginário livro “Haunted Dancehall” de um imaginário autor - James Woodbourne), que acompanham o disco e que dão o titulo aos temas que servem para relatar a atmosfera da peculiar excursão de um tal Nicky McGuire pelo lado impuro da cidade de Londres.
Convenientemente estruturado, muito mais que o anterior disco, o palpitante “tecno” de “Sabresonic”, e menos direccionados para a pista de dança, é evidente que eles aqui encontraram o espaço necessário para serem cinemáticos e descritivos sem nunca comprometer o “groove”, ao criarem texturas sonoras (triturando “hip-hop”, “electro”, “dub”, “acid”) e sentimentos verdadeiramente únicos e totalmente envolventes, onde os espaços entre a música são tão importantes como a própria música.
Manhosamente, as faixas agem como se tivessem sido edificadas a partir da precedente, e de faixa para faixa, criam um sublime padrão auricular, através de pervertidos e borbulhantes “beats”, que aumenta a sombria atmosfera presente nas incursões de McGuire pelas ruas sinistras e becos misteriosos de Londres.
É impossível resistir à sinistra ameaça “lo-fi” de “Tow Truck”, aos melancólicos “grooves” da “mix” dos Portishead para “Planet D”, à assombrosa beleza de “Theme 4”, ao “tecno-dub” suspenso de “Wilmot”, ao excêntrico “Bubble And Slide”, às fantásticas paisagens sonoras de “The Ballad Of Nicky McGuire” e à espantosamente obscura “Haunted Dancehall” que encerra este aventuroso disco.
Genial.
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19 Janeiro 2010

Do fundo da prateleira # 19 - Clearlake - “Cedars” (2003 Domino)

Depois da excelente estreia com ”Lido”, o atraentemente e simultaneamente sereno e ameaçador “Cedars” foi o segundo disco deste quarteto liderados por Jason Pegg.
Aqui destaca-se essencialmente a capacidade de Pegg escrever melodias assombrosamente harmoniosas, de forma a criar incisivas e despretensiosas canções que aprofundam assuntos raramente explorados desta forma tão “forense” - loucura, morte, frustração, alienação - utilizando um humor bem seco, reminiscente do melhor Morrissey, e encontrando grande inspiração nas mundanas tradições britânicas.
O vigor e a profundidade claustrofóbica de “Cedars” – que inclui canções que oscilam entre a poesia paroquial de “Keep Smiling” e a melancolia cinematográfica de “Wonder If The Snow Will Settle” - conferem um sentimento quase sobrenatural de empatia na “pop” inarmónica da vibrante “Almost The Same”, na espirituosa “The Mind Is Evil”, na glacial e grandiosa “I’d Like to Hurt You”, ou na sombria e intensa “It’s All Too Much”. Estão ainda melhores na inspirada “Treat Yourself With Kindness” (uma canção que simultaneamente nos faz rir e chorar), e terminam maravilhosamente bem com “Trees In The City”.
Um ecléctico e cativante álbum, produzido pelo ex-Cocteau Twins Simon Raymonde, que confirmava o “pedigree” da banda, que na altura chegou mesmo a ser qualificados por muitos como uma das possíveis sucessoras dos The Smiths para o século XXI.
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14 Janeiro 2010

Rock # 11 - Archers Of Loaf - “Icky Mettle” (1993 Alias)

Infelizmente os Archers Of Loaf sempre pareceram perdidos no dilúvio da enorme corrente de “música alternativa” que surgiu no início da década 90 nos Estados Unidos.
O seu inquietante e desordenado “indie-rock”, é muita vezes comparado com o dos Pavement, mas sonoramente estão mais próximos dos seus conterrâneos da North Carolina, Superchunk e Polvo pelo choque entre “noise-pop” e “ pós-punk”, ou mesmo dos Dinosaur Jr., pela capacidade enérgica.
O seu abrasivo e impetuoso disco de estreia, “Icky Mettle”, está repleto de energia e fúria. São as penetrantes, abruptas e triturantes guitarras que comandam, mas com a sólida secção rítmica (composta pelo baixista Matt Gentling e pelo baterista Mark Price), a grudar conjuntamente toda a potente confusão. E através da impressionantemente extenuada voz do vocalista Eric Bachmann, surgem as disfuncionais, rancorosas e impenetráveis letras que abordam gloriosamente a vida na sociedade moderna.
Ecléctico, torna-se difícil destacar algum tema, mas pessoalmente continua-me a fascinar a persistente atracção de “Web In Front”, a inflexível “Last Word”, a dupla artilharia de guitarras presente em “You And Me”, a ríspida energia de “Fat”, a ardente “Learo, You’re A Hole”, a genial “Toast”, ou a áspera “Backwash”.
Nos três discos seguintes iriam por variadas razões evoluir sonoramente, mas “Icky Mettle”, é ainda hoje obrigatório para a compreensão do “indie-rock” nos anos 90.
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13 Janeiro 2010

Pop # 9 - Belle And Sebastian - “If You’re Feeling Sinister” (1996 Jeepster)

“If You’re Feeling Sinister” é, na minha opinião, onde encontramos o mais forte conjunto de canções alguma vez criado pelos Belle And Sebastian. Mais melancólico, complexo e sofisticado, do que por exemplo “The Boy With The Arab Strap”, aqui criam uma “pop” perfeitamente arrebatadora e melódica, maioritariamente assente em guitarras acústicas ou guitarras eléctricas límpidas.
Composto de formosas canções, que contam histórias únicas - às vezes opinativamente, às vezes introspectivamente – relatadas pela fantástica visão surreal da vida cotidiana que Stuart Murdoch têm.
As vozes suaves e a dócil música podem enganar, pois existe aqui pouca inocência. Ouçam atentamente as memoráveis letras, subtis e sarcásticas, impregnadas de um elevado (embora bem negro) sentido de humor.
Desde a épica, intemporal e fantasticamente cómica “The Stars of Track And Field”, passando pela espiral de piano presente em “Seeing Other People”, pelos gentis e alucinogénicos arranjos de “Like Dylan In The Movies” , pelo belo hino metafórico “The Fox In The Snow”, pela notável “Get Me Away From Here, I’m Dying”, pelo delicado e disciplinado dedilhar visível na extraordinária “If You’re Feeling Sinister”, até concluir com a distinta “Judy And The Dream Of Horses”.
O facto de serem originários de Glasgow, e descenderem de uma estirpe que remonta a bandas como The Pastels ou Orange Juice, ajuda a compreender as suas origens, mas também podemos visualizar a inigualável melancolia de um Nick Drake ou mesmo algumas influências dos Tindersticks.
E o melhor é que podemos escutar repetidamente o disco, e descobrir sempre algo novo, e são estas pequenas coisas inteligentes, perspicazes, poéticas que nos fazem sentir melhor.
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11 Janeiro 2010

Extremos # 6 - Blue Cheer - “Vincebus Eruptum” (1968 Philips)

Nomeados segundo um particularmente potente tipo de “acido”, os Blue Cheer são muitas vezes considerados os progenitores do que se iria denominar como “Heavy Metal” ou “Hard Rock, pela extremamente pesada sonoridade que praticavam para a época.
Reza a história que o grupo tocava tão forte e alto, que inadvertidamente chegaram a causar a morte prematura de um cão, que se extraviou para o palco numa altura em que eles estavam a improvisar.
No seu disco de estreia “Vincebus Eruptum”, descobriram que os amplificadores podiam atingir o volume máximo, e deram-nos seis temas recheados de “feedback” e mau génio. Começando no deformado e explosivo “Summertime Blues”, passando pelo preguiçoso e delirante “Rock Me Baby”, pela massiva e confusa distorção de “Doctor Please”, pelo fantástico “Out Of Focus” que é precisamente isso, pela erupção da psicótica “Parchment Farm”, até chegarmos ao verdadeiro abuso da guitarra e do amplificador de “Second Time Around”.
Rosnando violentamente na face da inocência “hippie”, “Vincebus Eruptum” não impressionou a geração Woodstock com o seu ataque sónico, mas rapidamente se tornou num hino para os Hell’s Angels.
Apesar da abordagem caótica o tornar menos directo que os primeiros trabalhos dos Black Sabbath ou The Stooges - as suas referencia mais próximas - anos mais tarde iria adequadamente inspirar uma nova geração de contundentes bandas “garage” e numerosos trios de “noise” japoneses, como os High Rise e os Musica Transonic de Asahito Nanjo, que ao longo dos anos lhes iriam prestar uma mutante homenagem.
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07 Janeiro 2010

Classic # 23 - The Velvet Underground And Nico- “The Velvet Underground & Nico” (1967 Verve)

Por muitos considerado como o ponto de partida para a música alternativa, este disco realmente alterou a face do “rock”, mas também do “glam”, do “punk”, do “goth” ou do “indie”. Mas 43 anos depois, o que ainda mais surpreende é a sua audácia, a sua diversidade, a sua capacidade de experimentação sonora e a sua originalidade.
Sombrio e introspectivo, é a absoluta antítese, do movimento “hippie” que o resto da América andava a jubilar, e áspero como a cidade onde nasceu.
A música não é complexa, surge dispersa e escorregadia, mas é estranhamente compelível. E a estranha aliança entre Lou Reed e John Cale , fazia com eles experimentassem algo diferente em cada canção, através das hipnóticas espirais de dissonantes guitarras e viola, sempre apoiados pela poderosa bateria de Mo Tucker e com Sterling Morrison a agregar toda a mutilação sonora. Ao juntarem o contraste entre a voz fortemente superficial de Reed e o suave trautear de Nico, e a ilustre escrita de Reed - com referências sinceras e directas ao sexo bizarro e drogas, algo que ninguém tinha coragem para abordar tão abertamente à 40 anos atrás, pois no passado grupos como The Beatles (em “Happiness Is A Warm Gun”) ou The Byrds (em “Eight Miles High”), escreveram sobre os mesmos controversos temas ambiguamente – criaram momentos verdadeiramente únicos.
Começando na volátil, celestial, simultaneamente fascinante e sinistra “Sunday Morning”, passando pelas implacáveis e puramente loucas imagens do completamente soberbo “I'm Waiting For The Man”, pela gentil e sedutora “Femme Fatale”, pelo perturbador e contundente exótico relato sadomasoquista da claustrofóbica “Venus In Furs”, pela a atitude fútil do desbotado “garage” de “Run, Run, Run”, pelo melancólico “avant-garde” de “All Tomorrow’s Parties”, pela assustadora e francamente brilhante confissão no surreal épico “Heroin”, ou pela invulgarmente delicada e encantadora “I’ll Be Your Mirror”, chegamos às duas últimas canções que efectivamente representam a criação do rock alternativo: a convulsiva “The Black Angel’s Death Song” com a feroz e penetrante viola e a poesia absurda de Reed e a abismal batalha instrumental recheada de feedback presente em “European Son”, que absorve por completo o ouvinte.
Certamente Sonic Youth, Suicide, The Jesus and Mary Chain, Pixies, Smashing Pumpkins, My Bloody Valentine, entre outros, não teriam realizado os extraordinários álbuns que fizerem sem a existência deste magnifico monumento ao espírito brutal do “rock’n’roll”.
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04 Janeiro 2010

Best of 2009

Top 40

Uns dias de férias permitiram uma escuta reforçada das últimas aquisições, e após muita “reflexão”, anexo a sempre polémica lista dos melhores do ano. Como é sempre difícil a ordenação, mais uma vez a selecção está por “grupos”, para ser mais democrático.

Top 3
Animal Collective – “Merriweather Post Pavilion”(Domino)
Bill Callahan – “Sometimes I Wish We Were An Eagle” (2009 Drag City)
The Phantom Band – “Checkmate Savage” (2009 Chemikal Underground)

Top 10
Atlas Sound – “Logos” (2009 Kranky)
Dirty Projectors – “Bitte Orca” (Domino)
Fuck Buttons – “Tarot Sport” (ATP Recordings)
Grizzly Bear – “Veckatimest” (Warp)
Lindstrom and Prins Thomas – “II” (2009 Eskimo)
Noah & The Whale – “The First Days Of Spring” (Vertigo)
Yeah Yeah Yeahs – “It’s A Blitz” (Polydor)

Top 40
Alasdair Roberts – “Spoils” (Drag City)
Andrew Bird – “Noble Beast” (Fat Possum)
Arbouretum – “Song Of The Pearl” (Thrill Jockey)
Blues Control – “Local Flavor” (Siltbreeze)
Boozoo Bajou – “Grains” (!K7)
Dan Auerbach – Keep It Hid” (V2)
David Sylvian – “Manafon” (Samadhi Sound)
Do Make Say Think – “Other Truths” (Arts & Crafts)
Girls – “Album” (True Panther Sounds/ Matador)
Howling Bells – “Radio Wars” (2009 Independiente)
Japandroids – “Post-Nothing” (Polyvinyl)
Jon Hassell – “Last Night The Moon Came Dropping Its Clothes in The Street” (ECM)
Mono – “Hymn To The Immortal Wind” (2009 Temporary Residence)
Regina Spektor – “Far” (2009 Warner)
Richard Hawley – “Truelove’s Gutter” (Mute)
Sa-Ra Creative Partners – “Nuclear Evolution: The Age Of Love” (Ubiquity)
Seeland – “Tomorrow Today” (2009 Loaf)
Sonic Youth – “The Eternal” (Matador)
Soulsavers - Broken” (2009 V2)
Sunset Rubdown – “Dragonslayer” (Jagjaguwar)
The Antlers – “Hospice” (Frenchkiss)
The Horrors – “Primary Colours” (XL)
The Skygreen Leopards – “Gorgeous Johnny” (Cosmos)
The Very Best – “Warm Heart Of Africa” (Moshi Moshi)
The Whitest Boy Alive – “Rules” (Groove Attack)
Timber Timbre – “Timber Timbre” (Arts & Crafts)
Tó Trips – “Guitarra 66” (Mbari)
Tortoise – “Beacons Of Ancestorship” (Thrill Jockey)
Wilco – “Wilco” (Nonesuch)
Yo La Tengo – “Popular Songs” (2009 Matador)

23 Dezembro 2009

Canções de Natal III

Com um desejo de festas felizes para todos os visitantes do blog, anexo mais uma lista de canções alusivas à época:

Casiotone For The Painfully ALone - Cold White Christmas (2006 do álbum "Etiquette")

Death Cab For Cutie - Christmas (Baby Please Come Home) (2007 do álbum "Rockabye Baby! - Lullaby Renditions Of Christmas Rock Classics")

Evangelicals - The Last Christmas On Earth (2007 do álbum "Mistletonia")

Frightened Rabbit - It's Christmas So We'll Stop (2007 do 7" homónimo)

John Cale - Child's Christmas In Wales (1973 do álbum "Paris 1919")

Swearing At Motorists - Inadvertent Christmas Song (2000 do álbum "Number Seven Uptown")

The Black Arts - Christmas Number One (2007 do 7" homónimo)

The Fall - No Xmas For John Quays (1979 do álbum "Live At The Witch Trials")

The Pale Fountains - Benoit's Christmas (1988 do álbum "Ghosts Of Christmas Past")

18 Dezembro 2009

Jon Spencer Blues Explosion - Discografia Selectiva

“Extra Width” (1993 Matador)
“Extra Width” é a analogia aural de um momento flamejante – uma mistura de “tequila”, “Budweiser” e “speed”- excepto a paranóia e náusea resultantes.
Unidos pelo desejo de “fazer algo realmente louco”, Jon Spencer, Judah Bauer e Russell Simins (ex-Honeymoon Killers) estão tão versados no papel de uns verdadeiros mestres do “blues”, como estão no de teóricos da deconstrução.
No seu mundo Son House “jams” com os Gang of Four, Thurston Moore toca com os Million Dollar Quartet, e uma desordem áudio é talhada. Em estúdio, Spencer e companhia tocam com as camadas visíveis, os níveis sonoros no máximo e com o bom senso de saberem que o “real blues” não é um produto rarefeito para os fãs de Robert Cray. Os The Blues Explosion começavam a deixar marcas indeléveis na música “rock”.

“Orange” (1994 Matador)
Um grande passo em frente em relação a “Extra Width” – um motim rítmico que confunde e perturba. A prontidão de misturar as coisas de Spencer – principalmente o Theremin, com as influências Stax e “P-Funk” - é inspirador.
Treze exuberantes e empolgantes canções de irresistível e vibrantemente ruidosa energia.
Existe mais do que uma forma de aproximação à música dos JSBX. Primeiro como uma jubilosa continuação do caminho de “blues’n’roll” de Captain Beefheart – tal como este fez com Howlin’ Wolf, Spencer faz o mesmo para Hound Dog Taylor (a fonte original da Blues Explosion – 2 guitarras, bateria e sem baixo). Segundo, como um alegre despojamento do niilismo da “No Wave” nova iorquina, da qual os Pussy Galore eram os enteados não desejados. Convém relembrar que os Pussy Galore fizeram uma bizarra versão integral de “Exile On Main Street” dos Rolling Stones.

“ACME” (1998 Matador)
Embora seja o resultado de mais de seis meses de gravações em colaboração com cerca de uma dúzia de produtores, o quinto disco da Jon Spencer Blues Explosion parece mais o resultado uma gravação ao vivo.
A restrição aqui é a chave, quando Spencer, o guitarrista Judah Bauer (que toca aqui muito mais baixo do que fazia no passado) e especialmente o baterista Russell Simins afinam o tipo de “soul” dos anos 60, que o “punk” era muito orgulhosamente indisciplinado para imitar.
“ACME” marca o regresso da JSBX aos ritmos uniformes – mais ao estilo de “Orange” (1994) do que do saltitante “Now I Got Worry” (1996) – mas agora, em vez de libertas, as batidas tribais de Simins estão em satisfeito conflito com o unicamente não refinado sentido melódico de Spencer e actuam perfeitamente.
Se canções como “Magical Colors” e “Do You Wanna Get Heavy?” mergulham em novos padrões rítmicos, já “Blue Green Olga” e “Torture” são suficientemente suaves, que a característica rudeza de Spencer, ao inicio parece ausente.

“Damage” (2004 Mute)
Podemos bem dizer: “If ain’t broke, why fix it?”, os The Blues Explosion parecem melhorar com o passar dos anos. E o facto de abandonarem o Jon Spencer do nome da banda parece o único sério desvio do descarnado e irregular “blues-punk”, mas bem característico, que vêem a produzir ao longo dos últimos anos.
Desta vez são ajudados por convidados como DJ Shadow ou David Holmes, que fundem as arrogantes, mas seguras guitarras com o carácter do “hip hop” e ainda captam o frenético e louco gorgolhar de Jon Spencer.
Desde o lento e taciturno “Spoiled”, com a presença de Martina Topley-Bird, passando pelo discurso politico de ” Hot Gossip” (com a presença de Chuck D dos Public Enemy) , pelo impetuoso “pop” de “Crunchy”, pelo “space-rock” de “You Been My Baby”, até à paranóica “Rattling”, é só fúria, com os ritmos triturantes a impelirem este besta através do “rock’n’roll”, “white soul”, “southern rock”, e muito mais “natural blues” do que qualquer disco de Moby.
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16 Dezembro 2009

Singles # 19 - The Jesus and Mary Chain – “Just Like Honey” (1985 Blanco Y Negro)

Apesar de “Just Like Honey” apenas ter sido o terceiro “single” extraído de “Psychocandy”, foi sempre o que mais me marcou.
Ao combinarem dois acordes, uma batida primitiva de bateria e um torrencial “wall of sound” de feedback e distorção que mutila as guitarras, com uma melodia simples, invocam os primórdios do “rock and roll”, ao pegaram numa formula vulgar e formal de elaborar música, muito ao espírito de um Phil Spector.
Mas é nesses dois aspectos, que se encontra a sua beleza. Uma explosão de “noise” finamente presa a uma melodia.
Evocativa e sexual, as provocadoras letras, cujas referências acerca de ser o “plastic toy” de alguém, não parecem nada inocentes. Mas como é tão aduladora e sincera, é mais uma canção de amor do que um relato de uma aventura carnal. E por isso certamente foi tão bem seleccionada para o final do filme “Lost In Translation”.
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14 Dezembro 2009

Atlas Sound – “Logos” (2009 Kranky)

Bradford Cox ofereceu-nos no ano transacto, dois excelentes discos, que estiveram entre os melhores desse mesmo ano - “Microcastle” dos Deerhunter e o primeiro disco do seu projecto a solo, Atlas Sound - onde regressa agora.
Aqui, em oposição ao Deerhunter, Cox permite a si próprio mais liberdade na composição, e o resultado é mais um disco extremamente ecléctico, cuidadosamente composto, e com uma atenuante elegância.
Dentro do seu admiravelmente invulgar e intenso mundo interno, ”Logos” consegue combinar melodias simples com bastante experimentalismo, o que permite ao ouvinte regressar sempre preparado para novas sensações auditivas.
Gravado de forma súbita em tournée, conta com bastantes convidados ilustres, como Noah Lennox/Panda Bear dos Animal Collective, no desenvolto e sublime “psych-pop” de “Walkabout”, Sasha Vine dos Sian Alice Group, na frágil tolerância de “Attic Lights” ou Laetitia Sadier dos Stereolab, que empresta a sua volátil voz às acidentadas matrizes sonoras do épico “Quick Canal”. Estes convidados efectivamente ajudaram a dar uma nova ressonância a este caleidoscópio sonoro, mas apesar da sua presença, “Logos” é ainda predominantemente uma questão verdadeiramente insular para Cox, mas que aqui soa mais vivo e mais solto do que no primeiro disco. Isso é visível nas harmónicas tonalidades que emergem de “An Orchid”, no evasivo “pop” acústico de “Criminals”, na interminavelmente memorável e vibrante pseudo-balada “Sheila” ou nos cintilantes sintetizadores e ritmos activos de “Kid Klimax”.
Dolorosamente belo.
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11 Dezembro 2009

Inovadores # 15 - The Slits & The Raincoats

Se pretendem música “normal” ou um ordinário “punk-rock”, esqueçam, estamos na presença de dois discos verdadeiramente inovadores, onde mostraram que as raparigas também podiam fazer o que os rapazes andavam a fazer, e aqui podemos incluir ainda as Au Pairs ou as Delta 5, entre outras. Sem as The Slits e as The Raincoats, poderiam não ter existido bandas como Luscious Jackson, L7 ou Elastica.


The Slits - “Cut” (1979 Island)

Explodiram num movimento “punk” dominada pelos homens durante uma abertura de um concerto dos The Clash na sua White Riot Tour de 1977. A sua missão era de escapar às rígidas tradições rítmicas do “rock” e os majestosamente grosseiros estilos do “dub”que influenciaram “Cut” realizou isso mesmo. A sonoridade e o menos que sincero título do primeiro “single” “Typical Girls”, determinou a agenda – as vocalizações chamamento e resposta que lutavam para serem ouvidas sobre percussões em chapas metálicas e irregular dissonância musical.
Apesar do sucesso do disco (chegou ao Top 30 em Inglaterra), a banda perdeu o rumo ao direccionar-se para intratáveis “jams”, editando apenas mais um disco de estúdio. “Cut”, no entanto, mantêm toda a atrevidamente indiferença confrontante da sua capa.
Como bonus no CD, está a versão para “I Heard It Through The Grapevine” de Marvin Gaye.

The Raincoats - “The Raincoats” (1979 Rough Trade)

Politicas, feministas e verdadeiramente inspiradoras, e não o foram só para um jovem americano chamado Kurt Cobain, mas também para o movimento “Riot Grrrl” e para todos os que admiraram a estética DIY do pós-punk.
Criaram canções desiguais e dementes, por via de uma dissonante, mas inata capacidade de compor temas intensamente pessoais, através das suas distintas perspectivas femininas, e reproduzidas através do imoral violino contundente, das irregulares mas emotivas guitarras e das desafiadoras múltiplas harmonias vocais, ruidosos ritmos que resultavam em complexas melodias sem convencionalismos que produziram um estilo musical ímpar, algo totalmente oposto ao que seria de esperar de uma banda cuja influência primaria era o “punk”, visível na perturbadora “Off Duty Trip”, na excelente “The Void” ou na fenomenal versão de “Lola”, um original dos The Kinks.
Como extra na reedição em CD, está incluído o fundamental “single”“Fairytale In The Supermarket.
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The Slits - I Heard It Through The Grapevine (original Marvin Gaye)
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The Raincoats - Lola (original The Kinks)

09 Dezembro 2009

Tributo # 12 - Luke Haines - The Auteurs - Baader Meinhof - Black Box Recorder

Luke Haines é um dos melhores compositores britânicos das últimas décadas, mas também será provavelmente um dos mais incompreendidos. Ao longo dos anos e através de vários pseudónimos, sempre expressou a sua obliqua afeição pela nativa Inglaterra, especialmente na silenciosa mas feroz luta de classes, que tanto relembrava os The Kinks com os The Fall.
Após várias experiências sem significado, formou os The Auteurs, no início da década de 90, e aqui já se deslumbrava o refinado humor de Haines, visto este ser o único compositor do grupo. Assinaram pela Hut e editaram o glorioso single “Showgirl” e o álbum “New Wave” (1993), o primeiro de vários enervantemente notáveis e intencionalmente mutáveis álbuns.
“New Wave” é constituído por discordantes melodias acústicas e por uma sensibilidades “pop” delicadamente criada, que adornam as letras extremamente poéticas, e está recheado de referências à fama (“Don’t Trust The Stars” ou “Starstruck), que parecem simultaneamente fascinar como assustar Haines.
Seguiu-se o brilhante “Now I’m A Cowboy” (1994), edificado com um visível ressentimento literário e crivado de grandes canções, e mais uma vez, cheio de acusações de desigualdades sociais em “The Upper Classes”, “Chinese Bakery”, “New French Girlfriend” ou “I’m A Rich Man’s Toy”. O triste e agressivo “After Murder Park”(1996) - produzido por Steve Albini - é mais uma colecção de inventivas composições e escassos mas viciosos arranjos (como “Light Aircraft On Fire”, “Unsolved Child Murder” ou “Tombstone”), mas também era brutalmente redutivo, e com referencias a assassinatos e alcoolismo, rapidamente se tornou um intruso para a Britpop na altura no seu auge. O que sempre deu a sensação de que Haines não queria atingir o estrelato como muitas das bandas britânicas da época - Blur, Oasis, Pulp – atingiram.
Depois do erático “How I Learned To Love The Bootboys”, criou o peculiar mas magnifico projecto conceptual Baader Meinhof, inspirado no grupo terrorista com o mesmo nome, onde as insidiosamente doces melodias, e as letras biliosas que caracterizam os The Auteurs continuam presentes mas agora são envoltas com sinistra electrónica.
O mais igualitário projecto Black Box Recorder – com John Moore (famoso por uma passagem efémera pelos The Jesus And Mary Chain) e Sarah Nixey – deixou-nos três excelentes discos – “England Made Me” (um profundamente afectuoso, mas sombriamente cómico olhar sobre os aspectos decadentes da bizarra cultura britânica na década 70); “The Facts Of Life” (um clássico, recheado com um “pop” majestoso, onde Haines progredi através das regiões mais negras de “England Made Me”- como a sociedade de consumo ou a atracção hedonística do capitalismo – em canções verdadeiramente notáveis como “Weekend”, “The Art Of Driving”, “The Facts Of Life”, “The English Motorway System”, “Straight Life” ou “Sex Life”); e “Passionoia” (mais delicada ironia “pop”, se bem que provavelmente demasiado inteligente, onde expressam a sua convicção que estão aqui para nos ensinarem lições sobre a vida – inclui a curiosa declaração de amor a “Andrew Ridgley” dos Wham).
Editou ainda “Das Capital” uma versão orquestral de temas dos The Auteurs, e prosseguiu uma careira a solo, onde se destaca o interessantíssimo “Off My Rocker At The Art School Bop” (mais um sarcástico e caustico relato da cultura e vida britânica nos anos 70, a década onde cresceu Haines, e mais um exibição de génio e coragem, evidente em temas como “Leeds United” ou “Here’s To Old England”.
Ultimamente tentou fugir à imagem misantrópica, que de certa forma sempre o caracterizou, e já este ano editou “21st Century Man”, onde questiona o seu epitáfio.
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04 Dezembro 2009

My Favorites # 18 - Mark Lanegan - “Whiskey For The Holy Ghost” (1994 Sub Pop)

Ainda a propósito do recente post sobre o último disco dos Soulsavers, será uma pena se a maioria das pessoas apenas conhecer Mark Lanegan como ex-membro dos Screaming Trees, membro ocasional dos Queens of The Stone Age ou aquele que tornou os últimos discos de Isobel Campbell tão formidavelmente especiais.
O seu trabalho a solo é indispensável, especialmente o sombriamente esplendoroso segundo disco – que demorou cerca de três anos a gravar, com a ajuda de Mike Johnson na altura nos Dinosaur Jr. e dos veteranos produtores/engenheiros de som Jack Endino e Terry Date, entre outros notáveis convidados – e que é uma absoluta obra-prima.
Triste, profundamente atmosférico e introspectivo, apesar de às vezes ser levemente reconfortante, representava uma significante rotura em relação ao seu trabalho com os Screaming Trees e em relação ao seu primeiro disco a solo - “The Winding Sheet”- revelava uma maior consistência global e um acréscimo de maturidade na escrita de Lanegan.
Ele, confessadamente tentava combater os seus demónios pessoais, que habitavam o seu despojado, mas todavia esperançoso mundo, através de encantadoras canções acerca de abandono e desespero, expondo-nos completamente a nu a sua atormentada alma. Mas a melancolia presente é compensada pelas requintadas e melódicas canções, que surgem uma atrás da outra, tão dolorosamente belas que não deixarão o ouvinte indiferente. E depois destaca-se o baixo, mas profundo tom de voz de Lanegan, marcado por demasiadas garrafas de whiskey e milhares de maços de cigarros, e ao contrário dos Screaming Trees, onde ele forçava a sua voz até ao alcance máximo possível, aqui ele permite-a descer até ao seu alcance mais natural, que reforça a sua abordagem musical, maioritariamente assente nas palavras.
Ouçam a atmosférica mistura do baixo com a guitarra acústica de “The River Rise”, a reconfortante “Kingdoms Of Rain”, a bizarra “Carnival”, a magnifica “El Sol”, a assombrosa “Judas Touch”, a lamentosa “Beggar’s Blues” ou “Sunrise”.
Revelando uma maravilhosa força motriz, é provavelmente o seu melhor disco, e se quisermos enquadra-lo com outra obra-prima de conteúdo similar, podemos coloca-lo ao nível de “On The Beach” de Neil Young.
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02 Dezembro 2009

Rock # 10 - Band Of Susans – “Hope Against Hope” (1988 Blast First)

Oriundos de Nova Iorque, o guitarrista Robert Poss e a baixista Susan Stenger criaram uma banda cujo nome derivou do simples facto de na altura três dos seus elementos se chamarem Susan. Inspirados em igual medida por Glenn Branca e Rhys Chatham, pelos Wire e pelo no-wave dos seus conterrâneos Live Skull e Sonic Youth, criaram um som verdadeiramente único, se por um lado era extremamente agressivo, aguçado e abrasivo, por outro era estratificadamente melódico. Misturaram uma sonoridade reminiscente do movimento “no-wave” nova-iorquino, com outra mais próxima do movimento shoegazing que provinha de Inglaterra.
Resultaram texturas e tonalidades sónicas, executadas através de simples e repetitivos acordes e matrizes de baixo em constante movimento, recheados com enormes camadas de guitarras “noise” para produzir uma vivificante e visceral corrente de magma melodioso, entregues ou pelo ruidoso “falsetto” de Poss ou pelo gentil gutural de Stenger. O facto de coabitarem na banda três guitarristas, deu à música uma qualidade compacta, onde um revestimento tectónico de feedback, distorção e acordes desfocados e disfuncionais, escondia nas dissonantes e inconstantes “walls of noise”, as estruturas e as melodias mais convencionais.
O seu disco de estreia, o corrosivo “Hope Against Hope”, foi considerado por muitos como uma versão americana de “Psychocandy” dos The Jesus And The Mary Chain, e daí destacam-se, para além do propulsivo tema-título, a fulminante “Not Even Close”, a estridente “Throne Of Blood”, a devaneadora “All The Wrong Reasons” ou a densa “You Were An Optimist”.
O disco seguinte “Love Agenda” (1989) é outra excelente colecção de canções embriagadas e consumptivas, que contou com a participação de Page Hamilton, futuro fundador dos Helmet.
Discos fascinantes e que ainda hoje soam actuais.
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30 Novembro 2009

Classic # 22 - John Cale – “Music For A New Society” (1982 Ze/Island)

John Cale convida-nos a participar na sua particular viagem através dos sombrios recantos da vida, e nós num total devaneio consciente parece que acompanhamos a sua mente ao longo dessa viagem, recheada de indefinidas ânsias e saudades de algo desaparecido.
Estamos na presença de um disco esplêndido, mas que foi sempre extremamente subestimado na longa carreira de Cale.
Minimal, frugal e espectral (em completo contraste com as experiências “noise” do disco anterior “Honi Soit”), aqui existe uma arrebatadora sensação de desânimo, derrota, traição e desespero, que se senta lado a lado com pungentes passagens de pura beleza, entregues na desamparado e dramática voz de Cale.
Gentis mas perturbadoras baladas como “Taking Your Life In Your Hands”, “Thoughtless Kind”, “Sanities” ou “If You Were Still Around” (com letras de Sam Shepard) surgem acompanhadas por ameaçadoras e desarticuladas colagens sonoras, que substituem os “tradicionais” arranjos “rock”, e que provavelmente serve para demonstrar bem os instintos do ex-Velvet Underground, quer como experimentalista sónico, quer como criador de gentis melodias. Ouçam a forma como a maravilhosa “Risé, Sam & Rimsky-Korsakov”, edifica uma nova forma de expressão.
Um disco profundamente emotivo e inquietantemente pessoal, mas que nos acompanhará para sempre.
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John Cale - Taking Your Life In Your Hands

26 Novembro 2009

Pop # 8 - Beachwood Sparks – “Once We Were Trees” (2001 Sub Pop)

Numa primeira abordagem este disco até poderá parecer fácil de descrever, mas escutando-o atentamente, constatamos que já não será assim.
É certo que similitudes serão sempre descortinadas, mas elas também não estão escondidas, pelo contrário, estão bem visível na sonoridade “West Coast” “country-pop” que incorpora o estilo sonoro saltitante de bandas como os The Byrds, os Love ou os The Flying Burrito Brothers - e cujas influências eles nunca negaram – e no facto dela ser intencionalmente sombria, reproduzida por processos e efeitos que utilizam variados métodos “vintage”. Mas neste disco também é visível o facto de explorarem ambiciosamente o alegre e puro psicadelismo mais em comum com os Pink Floyd de “A Saucerful Of Secrets”.
Eles soam verdadeiramente originais e desafiam uma categorização fácil. Produzem uma sonoridade aveludada, com óptimas mudanças rítmicas, magníficos arranjos orquestrais e harmonias fantásticas, assentes essencialmente nas estranhas vocalizações ondulantes, nas impetuosas guitarras e no espectral órgão.
Daí resultam canções incrivelmente contagiantes como “Confusion Is Nothing New”, “The Sun Surrounds Me”, “Let It Run”, “Your Selfish Ways”, ou a surpreendentemente soberba e palpitante versão de ”By Your Side”, original de Sade, que contém uma mensagem lírica que transmite ao ouvinte um sentimento de conforto e esperança, e que assim dá alguma serenidade ao tom carregado mais predominante ao longo deste disco complexo, que certamente se tornará num clássico intemporal.
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23 Novembro 2009

Editoras # 6 - Twisted Nerve

Fundada em Manchester por Andy Votel e por Damon Gough (conhecido musicalmente como Badly Drawn Boy), esta pequena editora lançou a partir do final dos anos 90 um conjunto de discos que para além da sua qualidade musical, eram visualmente desafiantes. Assim tornou-se um prazer redobrado coleccionar esses pequenos pedaços de vinil (de 7”, 10” e 12”).
Aqui tento destacar alguns dos meus preferidos, mas o ideal é mesmo possui-los fisicamente.


Various – “Modern Music For Motorbikes/ Motorvehicles” (1999)

Various – “All Oar Nothing” (1998)

Badly Drawn Boy – “The Hour Of Bewilderbeast” (2000)
“EP 1” (1997)
“EP 3” (1998)

Alfie – “Sure And Simple Time” (2000)

Aiden Smith – “At Home With 2” (2003)

Sirconical – “Waving At Planes” (2005)


Explorem ainda os projectos Dakota Oak, Mum & Dad, Sirconical, DOT, Diane Cluck, Voice Of The Seven Woods.



Alfie - It's Just About The Weather

19 Novembro 2009

Soulsavers - Broken” (2009 V2)

Em primeiro lugar, o que impressiona é a enorme evolução que “Broken” demonstra em relação ao disco anterior dos Soulsavers, “It’s Not How Far You Fall, It´s The Way You Land”.
Estamos na presença de um disco coeso, quer musical quer liricamente, assente na estranha combinação de Mark Lanegan com o duo Soulsavers, e que parece não estar confinada a géneros musicais e nem em ter limites. Este facto não será estranho a Lanegan, pois o próprio sempre se renovou ao longo da sua carreira, desde os tempos dos Screaming Trees, e passando por colaborações tão distintas como com Isobel Campbell ou com Greg Dulli nos The Gutter Twins.
E se o começo com o dilacerante “Seventh Proof” revela a qualidade e o conhecimento musical do duo Rich Machin e Ian Glover, quando ouvimos a sinistra e amarga “Death Bells”, é evidente que a presença do angustiado e errante Mark Lanegan (que no disco anterior tinha uma participação ocasional), é a mais-valia deste disco, pelo imenso impacto que a sua elegante, sombria, penetrante e rude voz atinge no ouvinte. Por isso mesmo, ele o ofusca os outros notáveis convidados presentes ao longo do disco, e que incluem Gibby Haynes (Butthole Surfers), Richard Hawley, Mike Patton (Faith No More, Mr. Bungle, Fantomas, etc) ou Jason Pierce dos Spiritualized.
Mas isto não significa que o disco não esteja recheado de belas canções que alternam entre uma introspecção deprimida e uma exuberância dramática, como a elegante “Unbalanced Pieces”, a virtuosa “You’ll Miss Me When I Burn”, o conforto jubiloso de “Shadows Fall”, a taciturna “Can’t Catch The Rain”, ou “Praying Ground” com a assombrosa voz de Rosa Agostino dos Red Ghost.
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16 Novembro 2009

DVD # 5 – Wilco - “I Am Trying To Break Your Heart” (2003 Plexi)

Quando começaram a gravar “normalmente” ninguém deveria estar consciente que estavam a criar um brilhante documentário que acompanha os Wilco no processo de gravação do agora clássico “Yankee Hotel Foxtrot”.
Estamos na presença de um arrebatador e perspicaz exame à vida e ao processo criativo da banda e principalmente do seu reservado líder Jeff Tweedy – a força primordial por detrás dos Wilco e aquele cuja presença domina o filme - mas também ficamos com uma ideia do triste estado actual da industria discográfica e dos gigantes que a controlam.
É aqui que seguimos o exuberante entusiasmo inicial da banda sobre o dinheiro recebido, e por terem tido liberdade artística para gravar e produzir o próprio disco na sua Chicago; é aqui que eles expõem as suas lutas internas como unidade criativa e os seus egos a colidir, especialmente entre Jeff Tweedy e Jay Bennett; é aqui que estão registados os altos e baixos - incluindo os problemas com a editora Reprise, que detestou a primeira versão do disco e exige alterações no mesmo, e quando estes recusam faze-las a editora despede-os; é aqui que acompanhamos os notáveis episódios da discussão no estúdio entre Tweedy e Bennett sobre a mistura de “Heavy Metal Drummer”, ou quando seguimos Tweedy até a casa de banho onde este vomita. E apesar do seu mundo um tanto disfuncional, a banda surge como um grupo normal de pessoas (sem a posse “rock”) a tentarem criar um disco ambicioso.
Destaca-se ainda a esplendorosa fotografia (o realizador Sam Jones era fotografo), filmada num granulado preto e branco (e que transmite uma grande sensibilidade em filmar a cidade de Chicago) e as excelentes actuações ao vivo – especialmente os solos acústicos de Tweedy.
E como agora ironicamente sabemos com o sucesso atingido pelo disco, o filme acabou por ter um final feliz.

10 Novembro 2009

Singles # 17 - The Smiths – “Hand In Glove” (1983 Rough Trade)

Apesar de ter sido considerada uma das melhores canções de amor dos últimos tempos, pela altura do seu lançamento, o primeiro single dos The Smiths nunca teve muito sucesso, e nem a insistência de Morrrissey em coloca-lo em inúmeras compilações iria alterar o seu destino. Mas é uma canção que retrata bem a verdadeiramente única relação que existiu entre a banda e os seus fãs.
Apoiada na controversa capa com um nu masculino, e pela sofrida letra acerca de um amor perfeito, que é arruinado pelo pessimismo de um deles e por uma sociedade pejorativa, cantada na assombrosa voz imediatamente identificável, e emparelhada pela cintilante música criado por Johnny Marr, que contava com a cuidadosa duplicação de guitarras eléctricas e acústicas, produzindo um som mais “rock” para o seu primeiro registro.
Curiosamente a versão que Sandie Shaw editou após criar uma amizade com Morrissey, teria muito mais sucesso.
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06 Novembro 2009

Do fundo da prateleira # 18 - McCarthy – “The Enraged Will Inherit The Earth” (1989 Midnight Music)

Apesar de serem muitas vezes apenas referenciados por terem sido o grupo onde estiveram os futuros criadores dos Stereolab, Tim Gane e Laetitia Sadier (esta apenas tinha entrado no grupo pela altura do ultimo álbum), este quarteto inglês, originário da pequena cidade de Barking, criou uma sonoridade verdadeiramente única na combinação entre a guitarra melodiosa de Gane, com a distinta percussão de Gary Baker e a voz à menino do coro de Malcolm Éden. Daí resultaram pequenas jóias de “pop” dissonante que poderiam ter sido extraídas do reportório primário dos The Smiths, e que iriam inspirar futuros dissidentes da “agit-pop”, através de repetições melódicas, que apoiavam as manifestamente e expeditamente canções políticas, mas sem os slogans e o dogma, pois eram canções avunculares, recheadas de sátira social, sarcasmo e inconformismo, criticando os capitalistas, os banqueiros, os governantes ou a monarquia.
Destaco o segundo disco (“I Am A Wallet” de 1987 também é indispensável), porque foi o primeiro que tive e por incluir a minha canção favorita deles – “Keep An Open Mind, Or Else” – e para além desta obra-prima, inclui outras preciosidades como “Boy Meets Girl So What”, “I’m Not A Patriot But”, “You’ve Got To Put An End To Them” ou “The Home Secretary Briefs The Forces Of Law And Order”.
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04 Novembro 2009

Inovadores # 14 - Tortoise - “Tortoise” (1994 Thrill Jockey)

A história da música alternativa americana foi involuntariamente alterada em 1993 quando um conjunto de membros de bandas como Bastro, Tar Babies, Gastr Del Sol e Eleventh Dream Day (apenas para numerar alguns) entraram no estúdio Idful Music Corporation em Chicago. As sessões daí resultantes produziram um elegante trabalho. Simultaneamente rico e esquelético, era uma brilhante e totalmente instrumental exploração de ritmo e fidelidade (uma verdadeira exploração sonora, reflectiva e cerebral), que busca inspiração – sem directamente referenciar - no “dub”, no “jazz”, no “krautrock”, no “funk”, na música electrónica e no pós-punk, que criava ilimitadas possibilidades.
Jubiloso, austero e cáustico, está recheado de ritmos tensos e tremeluzentes, e distintivas dinâmicas, onde a música nunca varia de velocidade, e que é em iguais partes dócil quietude rítmica e um muito particular e refinado som cerebral.
O próprio Steve Albini interminavelmente divulgou o disco, e chegou mesmo a declarar que este era o melhor disco alguma vez feito em Chicago. Dan Bitney, John Herdon, Douglas McCombs, Bundy K. Brown e John McEntire deram-nos um disco que se assimila com simplicidade e como os vários admiradores provaram, é também um disco fácil de prestar homenagem.
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Tortoise - Onions Wrapped In Rubber

02 Novembro 2009

R.I.P.: António Sérgio

Aos 59 anos, António Sérgio, último dos radialistas com programa de autor, morreu sábado à noite em consequência de um problema cardíaco, mas a sua influência nas ondas hertzianas estendeu-se ao longo dos anos, na divulgação da chamada música alternativa.
Começou em 1968 na Rádio Renascença, mas foi no final da década de 1970, quando ingressou na Rádio Comercial, que a sua popularidade se consolidou, ajudando a divulgar novos estilos e tendências da música moderna. Ficaram celebres programas onde deixou a sua imagem de marca como Rotação, Rolls Rock, Som da Frente, Lança-Chamas, O Grande Delta e A Hora do Lobo.António Sérgio fazia actualmente o programa Viriato 25 da rádio Radar, e cujo dono o qualificou como "um mestre da rádio, uma referência" ou o "John Peel português".
Musicalmente foi um pai para muitos da minha geração, e uma das suas frases com que mais me identifico é: "tudo é música desde que saibamos apreciar".
Muita falta vai fazer.

30 Setembro 2009

Yo La Tengo – “Popular Songs” (2009 Matador)

Ao seu décimo segundo disco (ou será decimo quarto) e ao longo de uma consistente carreira de 25 anos, o grupo de Ira Kaplan e Georgia Hubley, continua abrangente, alienante e prolifico como sempre.
E tal como o excelente último disco, “I’m Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass”, desistem rapidamente de se manterem fiéis a uma sonoridade constante e oferecem-nos as características variações sonoras que os fãs se habituaram a esperar da banda.
A destreza com que mudam de estilos, sons e temas de canção para canção é ao mesmo tempo idiossincrásica e surpreendente, e apenas possível de ser conjugado pelo singular ouvido conhecedor de melodias de Kaplan.
Desde o frágil “pop”, passando pelas explosões psicadélicas, pelo áspero “country-pop”, até às improvisações “noise” (e apesar de ser notável, que as suas principais influências musicais – “soul”, “garage rock” – estão mais tradicionais do que é usual), continuamos na presença de uma banda ainda persuasivamente enfeitiçada pela mutabilidade da música “pop”.
Isso é visível nos luxuriantes arranjos orquestrais do “funky” “Here To Fall”, no esplendoroso “pop-rock” de “Avalon Or Someone Very Similar”, na cintilante e encantadora “Nothing To Hide”, no inesperado dueto retro de “If It’s True”, no resplandecente rastro de “feedback” da épica “More Stars Than There Are In Heaven”, ou no hipnótico “noise-freak” de “And The Glitter is Gone”.
É inevitável não se questionar a mensagem subliminar da capa do disco – sinónimo de um futuro digital ou do papel da música nas nossas vidas – em qualquer caso, o disco vive de acordo com o seu título.
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28 Setembro 2009

Covers # 11 - Jon Auer - “6 1/2” (2001 Pattern 25)

Fico sempre desconfiado com os supostos discos de “versões”, pois na maioria das vezes, nem sempre conseguem entender, nem igualar a intenção das mesmas, e ficam muitas aquém das expectativas criadas. Felizmente neste caso, a mestria como Jon Auer reinventa radicalmente os originais, apropriando-se dos mesmos e moldando-os ao seu estilo faz o disco funcionar na perfeição.
Não sei se na altura da sua edição, este disco funcionou como uma resposta ao excelente disco a solo – “Touched” - que Ken Springfellow editou no mesmo ano, mas o outro Posie apresentou-nos esta pequena maravilha de seis versões e meia (daí o titulo). Pois para além do exercício experimental que é o tributo a “Bonnie & Clyde” de Serge Gainsbourg, temos versões dos The Chameleons, dos Swervedriver, dos Ween, dos Hüsker Dü, dos Psychedelic Furs, e até de Madonna. E se a escolha dos temas é fantástica, os resultados são surpreendentes. As canções contêm o característico estilo rancoroso de Auer e evocam o “pop” delicioso que caracterizava os The Posies.
E realmente o único pecado deste disco é ser tão pequeno.
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24 Setembro 2009

Wilco - Discografia Selectiva

“Being There” (1996 Reprise)

Tal como os Rolling Stones de “Country Honk” e os Grateful Dead de “American Beauty”, executam uma mistura de estilos – primariamente “country-rock” e rude “American punk” – com uma excitação “bar-room” e um charme decrépito que é inteiramente ilusório neste disco de dupla meditação sobre a idade e a vida “rock’n’roll”. Existe uma busca optimista na visão do compositor Jeff Tweedy que é perfeitamente igualada pela força das suas melodias.
Destaques: “Hotel Arizona”, “Outtasite (Outta Mind)”

“Summerteeth” (1999 Reprise)

Uma miasma de “rock, pop e “country”, que transcende géneros, onde trocaram as suas raízes “roots rock” pelos acordes “power-pop” dos Big Star, pelas harmonias radiosas dos The Beach Boys e por uma esfera de experimentação.
Rodopiando numa extraordinária tapeçaria de sons e uma enormidade de instrumentos que inclui mellotrons, guitarras “e-bow”, moogs, trompetes e várias percussões - todos tocados de uma forma vibrante, apurada e imaculada - as canções invocam as angústias amargas e as euforias irrealistas das relações humanas, através das tristes e sombrias letras, que demonstram um invulgar crescimento da parte de Tweedy. Ele aparentemente é sincero e directo, e o resultado é imediato, alternativamente amável e irritado, simultaneamente esplendoroso e perturbador.
Destaques: “Can’t Stand It”, “I’m Always In Love”, She’s A Jar”, “Via Chicago”

“Yankee Hotel Foxtrot” (2002 Nonesuch)

Um disco verdadeiramente especial, de uma banda que estava a alterar a sua sonoridade, com uma unicamente sóbria sensibilidade, e que leva o ouvinte numa ecléctica viagem existencialista.
Impregnado com uma consistência codificada e com uma complexidade rítmica jamais atingida num disco dos Wilco, onde os instrumentos típicos batalham com turbilhões de ruídos e sons bizarros, que interligam as canções de todas as formas possíveis. A presença de Jim O’Rourke não será alheia a esta sonoridade.
Está recheado de escuridão e mistério, com comoventes canções acerca do amor (imprevisível, magnífico, doloroso, incompreendido, desleal), num estranho mundo moderno, que revelam uma beleza intangível.
Destaques: “I Am Trying To Break Your Arm”, “War On War, “Heavy Metal Drummer”

“A Ghost Is Born” (2004 Nonesuch)

Outro diversificado e encantadoramente incompreensível esforço de um dos mais interessantes experimentalistas da musica moderna. Para além dos paradigmas e da ironia musical, temos o intrigante “pop”, mas também o rude, fumegante e jubiloso “rock’n’roll”. Imprevisivelmente, as canções aqui geralmente evitam os rápidos dividendos e grandes refrãos em favor de arranjos complexos e subtis dinâmicas. Tweedy surge mais relaxado, mais subjugado, e mais dependente do estúdio de gravação. O efeito é gradual, libertino em tonalidade, detalhe e nas estruturas libertas de convencionalismos das canções. Provavelmente não cativará na primeira audição, todavia, quando investimos tempo e o ouvimos repetidamente, conseguimos apreciar este disco sem esforço e as canções tornam-se verdadeiramente contagiantes.
Detaques: “At Least That’s What You Said”, “Hummingbird”,


21 Setembro 2009

Rock # 9 - The Jesus Lizard – “Goat” (1991 Touch And Go)

No seu segundo álbum, os lunáticos e depravados de Chicago cumpriram bem o seu papel dos primos retardados e alcoólicos dos britânicos Gang of Four. Nesta espiral de caos, produzida por Steve Albini, a sua sonoridade está no mais doentio, repulsivo e ameaçador possível em faixas como “Then Comes Dudley”, a psicótica “Nub”, a venenosa “Mouthbreaker”, “Monkey Trick” ou a paranóica “I Can’t Swin”.
O baterista Mac McNeilly e o baixista David Sims tocavam com uma ritmada subtileza fulminante, o guitarrista Duane Denison aparentemente arranha as cordas erradas para criar vibrantes “riffs” pós punk e o infame porta-voz David Yow, com o seu incomparável estilo vocal, capturara a alma de um imoderado e desarticulado personagem.
Depois de “Goat”, continuaram a fazer álbuns excelentes – como “Liar” de 1992 (e o famoso “single” a meias com os Nirvana, de onde provavelmente serão mais relembrados) – e repetidamente reinventaram-se a eles próprios, mas os verdadeiros fãs do rock aventuroso necessitam de “Goat”.
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16 Setembro 2009

Pop # 7 - Julian Cope – “Fried” (1984 Mercury)

Com “Fried, Julian Cope criou algo quase surrealista e verdadeiramente aventuroso. Recheado de alienação mental e bucolismo britânico, Cope ainda surge cambaleante do imenso turbilhão que foi o final dos The Teardrop Explodes (principalmente excessos de LSD e o colapso financeiro) e do falhanço do seu primeiro disco a solo, mas tentando não derrocar.
Os introspectivos conteúdos do disco mostram um indivíduo incrivelmente focado, e embora este seja ecléctico, é o invulgar ambiente de tristeza que mantém a coesão do mesmo, mesmo quando este parece estar a sucumbir.
Notáveis canções de pop psicadélico com surpreendentemente belas melodias, surgem entre um conjunto de esotéricos e impenetráveis exercícios acústicos audaciosamente reminiscentes do trabalho a solo de Syd Barrett.
Os resultados são sublimes, evidenciados nas galopantes e ásperas guitarras de “Reynard the Fox”, no gracioso “Bill Drummond Said” (e a sua trémula guitarra), nas acústicas “Me Singing” e “Laughing Boy”, incandescentes com espaço e melancolia (possivelmente influenciado por Tim Buckley), na bizarra explosão de melodia “Sunspots”, e as suas celestiais ondas de teclados, ou nas viciantes e contundentes guitarras de “The Bloody Assizes”.
Para além disso, esta é provavelmente a mais idiossincrásica capa de disco jamais imaginada - onde Cope prostra-se nu debaixo de uma gigante carapaça de tartaruga.
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11 Setembro 2009

Regina Spektor – “Far” (2009 Warner)

Inicialmente fiquei alarmado com a curiosa presença de produtores como Jeff Lynne dos ELO, ou Jacknife Lee (Snow Patrol, Bloc Party), mas Spektor apresenta-nos um disco imaginativo e poético que é uma mistura da suavidade “pop” de “Begin To Hope” com o anti-folk de “Soviet Kitsch”, e onde as contradições da sua música ainda estão presentes.
A apoiar a sua grandiosa voz, estão letras inteligentes e obtusas, e tortuosas melodias inesquecíveis, onde se destaca o seu absolutamente mágico uso da narrativa, que permite criar canções acessíveis, mas poderosas, que comunicam ideias complexas e reflexões impares de uma forma que até uma criança pode apreciar, que maravilhosamente exploram as maiores questões da natureza humana – religião, fé, amor, confiança, morte, etc. Existe um gradual acréscimo de instrumentos adicionais, e “Far” exibe momentos de grandeza orquestral, que resultam numa ecléctica colecção de sons e canções.
Temos a felicidade rejubilante da ode “The Calculation”, a incandescente “Dance Anthem of The 80’s”, a intensa e contemplativa “Laughing With”, a sinistra e industrial “Machine”, a misteriosamente intitulada “Eet”, a simplicidade de “Wallet”, a fuliginosa e poderosa “Man Of A Thousand Faces”, a espantosa “Human Of The Year”, a mordaz “Genius Next Door”, a assombrosa meditação “Blue Lips”.
Não agradará a todos, mas é mais um excelente disco de uma estranha e apaixonante executante que consegue tornar fácil e acessível, uma música desafiante e assim torna-la muito mais gratificante para o ouvinte.
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08 Setembro 2009

Tributo # 11 - Guadalcanal Diary

Tal como os R.E.M., eram originários da Geórgia e inicialmente utilizavam o mesmo produtor - Don Dixon – mas ao contrário dos primeiros, tiveram uma curta e subestimada carreira.
Distinguiram-se pelo seu incomparável estilo, onde misturavam perfeitas canções “pop” e rock experimental, para criar melodias irresistíveis assentes num extraordinariamente rigoroso combo de muscular percussão, rítmicas linhas de baixo e nas guitarras “power-pop” Rickenbacker.
Formados pelos amigos de longa duração, Murray Attaway e Jeff Walls, seria pela excelente e límpida voz, pelos bizarros temas e pelas impecavelmente distorcidas letras metafísicas (que abordavam religião, cultura Americana, alcoolismo, entre outros) do primeiro e pela fumegante forma de tocar guitarra do segundo, que no inicio da década de 80, conseguiram fazer parte da emergente cena musical que provinha da área urbana de Atlanta, e que incluía os The B-52’s, Pylon, The Fans e os já referidos R.E.M..
Tudo começou com “Walking In The Shadow Of The Big Man” (1984), editada na pequena, mas influente DB Records, e com produção de Don Dixon, onde criaram um “rock” discordante mas recheado de influências “southern roots”, evidentes nos magníficos “Trail Of Tears”, “Fire From Heaven” ou na cómica “Watusi Rodeo”, que gerou inúmeras críticas positivas, e que atraiu a atenção da Elektra que assinou o grupo.
Assim “Jamboree” (1986), com o experiente produtor Rodney Mills, é muitas vezes considerado como um disco menos conseguido, mas isso é apenas devido às imensas expectativas exteriores que o rodeavam, pois aqui mostra-nos a banda no seu melhor quer liricamente, quer musicalmente, como em “Please Stop Me”, “Pray For Rain” ou “Country Club Gun”.
Em “2x4” (1987), com imensos grupos a tentarem imitar a sua sonoridade, eles sentiram a necessidade de explorar novos terrenos musicais, regressaram novamente com Don Dixon o que resultou em arranjos mais desenvoltos e ritmos mais enérgicos e robustos. No entanto as canções são introspectivas e bastante espirituais, como “Litany (Life Goes On)”, 3AM”, “Things Fall Apart” ou “Get Over It”. Ainda como extra brindaram-nos com uma versão de “And Your Bird Can Sing” dos Beatles. Provavelmente atingiram o seu expoente máximo neste disco.
“Flip-Flop” (1989), o último disco, é mais um sólido registo, que demonstra que estavam a crescer como uma unidade, e onde o baterista John Poe surgiu a compor algumas das melhores canções como o ruidoso “pop” de “Always Saturday” , “Pretty Is As Pretty Does” ou “Barometer”.
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Guadalcanal Diary - Trail Of Tears
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Guadalcanal Diary - Litany (Life Goes On)

04 Setembro 2009

My Favorites # 17 - Calexico – “Feast Of Wire” (2003 Quarterstick)

Foi o sábio crítico Greil Marcus que “inventou” o termo “The Old Weird America” como tributo a um sombrio e intrigante lugar, mas que é tão bem sucedida na sua exportação para o resto do mundo.
Muitos músicos agruparam-se debaixo desse crescentemente gasto estandarte “alt-country” para derivarem por essa América ilusória e singular como os Calexico.
John Convertino e Joey Burns, estão há vários anos sitiados em Tucson, muito perto da fronteira com o México, e a sua música é consequentemente infiltrada pela sua natural localização, pois captura a intriga das cidades fronteiriças, a solidão do deserto e o exotismo mexicano.
Apesar do seu quarto disco ter sido provavelmente o mais acessível até à data, e onde a frequentemente fracturada e embriagada música agora soa nitidamente recortada, ainda transmite um sentimento enganador de algo não estar correctamente certo. Como exemplo ouçam “Black Heart”, onde Ennio Morricone se junta a uma marcha fúnebre “Tex-Mex”, ou a belamente intitulada “Not Even Stevie Nicks”, onde a personagem principal espectacularmente comete suicídio.
O mesmo se aplica a “Sunken Waltz” e “Woven Birds” – mas quando parece que estão prontos para serem conotados com o estilo musical “alt-country”, eles subitamente mudam totalmente de direcção como em “Close Behind”, no esplêndido “Mexican Guero Canelo” ou em “Crumble” – e o resultado das suas influências predominantes são direccionadas estrondosamente com pedaços de “bebop jazz”. E contra enormes probabilidades tudo resulta brilhantemente.
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02 Setembro 2009

Electronic # 12 - John Foxx – “Metamatic” (1980 Virgin)

“Metamatic”, surgiu após John Foxx abandonar os Ultravox - o grupo que fundou, e que desenvolveu o som e imagem, quando estes pretendiam abordar uma forma musical mais “pop” – e é um dos discos mais desprovidos de emoção na história da “pop”, permanentemente desolador e disruptivo, com letras que mergulham em sonhos, pensamentos, memórias, constantemente evocando atmosferas de ficção cientifica, e que é ainda mais sombrio e mais desligado do que os primeiros trabalhos de Gary Numan.
Ousado, inovador, imaginativo e inflexível, o que é mais surpreendente, neste diligente registo é o quanto obstinadamente minimalista as texturas musicais são. Robóticas, mecânicas, estéreis e assombrosas, quase exclusivamente baseadas em sintetizadores, caixas de ritmos e distorção sonora, visivelmente influenciadas pela música electrónica que provinha da Alemanha na ultima década, e que ainda hoje não soa nem um pouco datada.
Para além dos singles “Underpass” e “No-One Driving”, destacam-se o gelado e melancólico “Metal Beat” (que carrega similaridades com os Kraftwerk) e o áspero e sombrio “Touch And Go”.
Absolutamente subestimado e invulgar, utilizou um estilo musical que nunca mais foi imitado, nem pelo próprio Foxx.
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31 Agosto 2009

Covers # 10

Mais uma ronda pela prateleira à procura de versões, e esta é uma edição especial dedicada a Mr. David Robert Hayward-Jones.

As edições remasterizadas muitas vezes trazem alguns bonus interessantes, como esta:

The Chameleons - John, I'm Only Dancing (David Bowie)


Esta também veio como bonus no primeiro disco dos Associates:

Associates - Boys Keep Swinging (David Bowie)


E o grande e infelizmente já desaparecido Billy Mackenzie brindou-nos com este versão num dos seus discos a solo:

Billy Mackenzie - Wild Is The Wind (David Bowie)


Finalmente um total descontrução de uma das suas musicas mais famosamente comerciais:

M. Ward - Let's Dance (David Bowie)

17 Agosto 2009

Lindstrom and Prins Thomas – “II” (2009 Eskimo)

Mais um desconcertante fascículo na história do duo norueguês.
Eles que no intervalo entre o seu disco de estreia e este novo registo estiveram bastante activos. Lindstrom, editou no ano passado, o muito discutido “Where Tou Go I Go Too”, onde pareceu veemente entusiasmado em se expandir sonoramente, enquanto Prins Thomas realizou inúmeras remisturas, e é evidente que o trabalho a solo de ambos inspira as estéticas que trazem para a sua colaboração.
Apresentam-nos um disco inovador e estimulante, que através da sua caracteristicamente resplendorosa produção, sinaliza uma ambiciosa trajectória deliberada que os afasta da electrónica excessivamente processada através do uso de mais “live elements” no estúdio, que lhe dá uma sensação mais orgânica, e ao mesmo tempo afastam-se da essência inorgânica do “disco” e da possibilidade de algum aborrecimento dai resultante.
Como resultado temos uma singular e altamente trabalhada reconstrução do “krautrock” com o “disco”, mas onde surgem explorações por outros movimentos do “rock underground” das ultimas décadas, apesar das influências mais obvias serem inspiradas no trabalho de Manuel Göttsching, dos Neu! ou dos Tangerine Dream, mas também em Giorgio Moroder.
Audições repetitivas revelam novos pormenores de um disco onde nos podemos perder confortavelmente em momentos mágicos como no “krautrock” inspirado de “Rothaus”, nas plangentes linhas de piano presentes em “For Ett Slikk Og Ingentino”, ou nas cimeiras secção de cordas de “Rett Pa”.
Uma verdadeira demonstração de que duas cabeças podem ser melhores do que uma.
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13 Agosto 2009

R.I.P. : Les Paul

Notícia recebida hoje, via The Associated Press:

Les Paul, the guitarist and inventor who changed the course of music with the electric guitar and multitrack recording and had a string of hits, many with wife Mary Ford, died on Thursday. He was 94.
According to Gibson Guitar, Paul died of complications from pneumonia at White Plains Hospital. His family and friends were by his side.
As an inventor, Paul helped bring about the rise of rock ‘n’ roll and multitrack recording, which enables artists to record different instruments at different times, sing harmony with themselves, and then carefully balance the “tracks” in the finished recording.

07 Agosto 2009

My Favorites # 16 - Lambchop – “Nixon” (2000 Merge)

Kurt Wagner e a sua cada vez maior banda, podem provir de Nashville, mas a sua sonoridade vai muito mais além do que as limitações que essa cidade impôs na música “country”.
Os excelentes “How I Quit Smoking” e “What Another Man Spills” são completados em “Nixon” um disco mais coeso, aonde às fundações sombrias e rurais, continuam a adicionar enfeites “r&b” e “blues”.
Um dos poucos genuinamente sentimentais discos da ultima década, onde se encontram algumas das sonoridades mais melancolicamente purificadas que já ouvi. Está recheado de fantásticos arranjos e melodias luxuriantes delicadamente executadas que incluem ociosas guitarras, secção de sopro e uma vibrante secção de cordas. E se a musica por si só bastava para tornar este disco honroso, temos que acrescentar as infames, excêntricas e singulares letras, aqui no seu máximo de coerência, sinceridade e consciência social, entregues no inquietante e embaraçantemente desamparado “falsetto” de Wagner, muito atmosférico e dócil, e que realmente relembra o eterno Curtis Mayfield.
Destacar uma canção é difícil, mas como favoritas pessoais, enumero a genial “Up With People” (e o seu magistral final), a ilustre “You Masculine You”, a bestial “Grumpus”, “The Old Gold Shoe” ou a enorme “The Book I Haven’t Read”.
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