
Ao longo das suas oito faixas, o caos e a beleza são superiormente conjugados como figuras do Kama Sutra e as amaldiçoadamente cativantes e estruturadas “canções” de alguma forma resistiram aos ciclones de guitarras, baixo, bateria, flauta e às vocalizações radicalmente desprendidas, do na altura, vocalista David Baker.
Liderados pelos erraticamente brilhantes guitarristas/compositores Grasshopper e Jonathan Donahue, os Mercury Rev conseguiram forjar “prog-psych” à escala de Wagner (“Sweet Oddysee Of A Cancer Cell t’th’ Center of Yer Heart”), conjurar novas tonalidades de guitarras e flautas mentalmente desafiadoras (“Chasing A Bee”), criar virtuais alucinações a partir de nebulosas camadas de guitarras eléctricas e acústicas (“Frittering”), ou electrocutar o nosso sistema nervoso com um “rock” anfetaminico (“Coney Island Cyclone”, Syringe Mouth”). Alguns fãs podem considerar muitos dos discos posteriores mais consistentes, mas os extremos de “Yerself Is Steam” ainda tem de ser superados no cânone deste sub-apreciado tesouro americano.
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1 comentário:
Ainda me lembro de os ouvir pela 1.ª vez, no "Som da Frente", e ficar siderado com a cacofonia deliberada. Mal imaginava eu (e toda a gente, presumo) as transformações futuras...
Abraço!
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