05 abril 2010

In the Beginning # 1 - Billy Bragg – “Brewing Up With Billy Bragg” (1984 Go! Discs)


Lembro perfeitamente que quando comprei este disco na feira da vandoma por volta de 1986, com cerca de quinze anos, ainda estava numa fase inicial da minha descoberta musical. Aqui descobri um “one-man band”, um homem contra o sistema, numa rebelião politica, falando em nome dos necessitados contra o governo de Margaret Thatcher. A sonoridade era escassa, somente voz e guitarra, deliberadamente áspera e não adulterada, impulsiva e graciosa. E se soava interessante, era porque a capacidade de escrita é brilhante. Bragg foi sempre um dos principais líderes do movimento designado como “The Red Wedge” – um grupo de artistas da esquerda – mas a suas referências politicas inicialmente eram diminutas.
Este segundo álbum de Bragg, continha 11 impressionantemente observadas e detalhadas canções que representam muita da mais sólida e da mais efectiva escrita de Bragg. Amplamente equilibrando mensagens politicas de esquerda (a estridentemente feroz critica à imprensa de direita “It Says Here”, os claustrofóbicos horrores da guerra em “Island of No Return”, a perspicaz “Like Soldiers Do”, que relata a perspectiva do comum soldado), com lamentosas histórias de amor suburbanas que nunca correm bem (a encantadora melancolia do notável “A Lover Sings”, a profundamente comovedora paixão adolescente de “The Saturday Boy”, os detalhes de infidelidade e do colapso de uma relação na dolorosa “The Myth of Trust”, a triste, mas melancolicamente bela “St.Swinthin’s Day”).
Ele tornou-se mais estridente e menos observador de várias maneiras, e os seus discos tornaram-se mais ambiciosos com o passar dos anos. Não sou adverso ao seu trabalho nos anos 90, mas os três primeiros discos (juntar “Life’s A Riot With Spy Vs. Spy” (1983) e “Talking With The Taxman About Poetry” (1986)), representam o seu pico criativo para mim, tendo depois disso a qualidade declinado de disco para disco.
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2 comentários:

M.A. disse...

É um daqueles músicos incapazes de fazer um mau disco. Mas a essência está nesses três primeiros, de facto.

Abraço!

Pedro Carvalho disse...

completamente de acordo em relação aos 3 primeiros, pico no talking about taxman about poetry - a minha porta de entrada. Depois disso, declinio, e sim, com alguns discos que me parecem mediocres, apesar de a curva descendente me ter levado a deixar de passar cartão.
abraço,