
Na edição original em vinil existia uma clara divisão entre os lados. No primeiro tínhamos uma reflexão sobre as disparidades entre a realidade e a imagística. Aqui estavam contidas as excêntricas melodias e os hipnóticos “beats” que estão presentes na brilhante beleza da ondulante “Europe Endless”, nas misteriosas e deslocadas vocalizações da glacial “The Hall Of Mirrors” e na sombriamente cómica “Showroom Dummies”.
O segundo lado era dedicado a uma possível recreação auricular duma viagem intercontinental de comboio através da Europa – começa com “Trans Europe Express”, que se desenvolve em direcção às colagens sonoras de “Metal On Metal” e na magnificente melodia de “Franz Schubert”, a mesma melodia de “Europe Endless”, mas transformada lentamente como uma pintura sonora em evolução.
A ausência de qualquer particularmente sólido conteúdo lírico, efectivamente serve para tornar a consistentemente memorável música mais aprazível e permite-a dominar todo o disco.
A sua combinação de ritmos mecanizados e minimalistas com melodias contagiantes, seria uma influência enorme e um estímulo para inúmeras bandas britânicas, como os The Human League ou os Cabaret Voltaire, entre outras, utilizarem mais os sintetizadores (convém relembrar que o disco saiu no mesmo verão de “Never Mind The Bollocks” dos Sex Pistols), e iriam ser um dos maiores fornecedores de “samples” para a comunidade afro-americana dos grandes centros urbanos dos Estados Unidos (não esquecer que Afrika Bambaataa “samplou” “Trans-Europe Express” para o seu seminal “Planet Rock”). E se poderíamos pensar que o disco soa datado presentemente, a música resiste ao passar dos tempos, e ainda permanece verdadeiramente atmosférica hoje.
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3 comentários:
Conheci os Kraftwerk com Radioactivity, e depois quase que saltei para o sucesso que foi The Man Machine e Computer World. No meio da synthpop da altura, foram discos cujos temas se desgataram com as audições repetidas e causavam-me já algum enjoo. Com o tempo vim a recuperá-los e são sem dúvida discos bem conseguidos. Mas se há momento dourado na carreira deste quarteto é, efectivamente, o que culmina com este Trans Europe Express. Nota de curiosidade: Em Dezembro passado tive de fazer uma longa viagem até ao norte de Espanha, durante a noite, e tinha no CD do carro justamente este disco que fui a ouvir na fria solidão da estrada ao longo do planalto de Salamanca. Memorável companhia!
Nice trip... :-)
Abraço
que GRANDE album este...
E que lendas.
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