
Chris Chu tentou expandir o som da sua banda utilizando a técnica “wall of sound” desenvolvida por Phil Spector, mas modernizando-a. A magnífica utilização da reverberação e do eco, são completadas com as harmonizadas e assertivas vocalizações de Chu, que recria o que Brian Wilson fez para os The Beach Boys em “Pet Sounds”. Tenta ainda fugir ao “indie-guitar-pop” que marcou a maioria das suas primeiras gravações, dando mais atenção à sonoridade criada, mantendo o foco nas abundantes e inebriantes melodias, que apesar de simples são cuidadosamente trabalhadas. Deixa os efeitos sonoros para segundo plano e surge mais experimental, provavelmente devido à influência de Chris Taylor dos Grizzly Bear que co-produz o disco. O resultado é uma sonoridade muito própria, onde cada canção é extremamente estratificada, construída lentamente e pacientemente com sons vibrantes e suaves, onde floresce a capacidade de escrita de Chu. É uma complexa experiência auditiva, pois as canções introduzem uma infinidade de variações que inesperadamente esgueiram-se para a nossa cabeça, permitindo descobrir algo de novo mesmo após várias audições.
O melhor exemplo é a peculiar e encantadora “Excuses”, mas não existe ao longo do disco nenhum ponto que pareça introdutório ou conclusivo, pois o verdadeiro efeito produzido por “Big Echo” é a continuidade. Desde a deslumbrantemente agridoce “Promises”, passando pelo economicamente viciante “folk” de “Cold War”, pela serenidade da épica “Pleasure Sighs” ou pela bela fragilidade “pós-rock” de “Stitches”, os The Morning Benders criaram uma gloriosa obra de arte sonora.
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