
“Closer” é um disco completo, cuja autenticidade como facto é garantida pela autenticidade da vida (e morte) do seu criador. Imensamente deprimente e sombrio, é no entanto estranhamente compelível, não obstante a sua gelada beleza.
A voz de Curtis estava mais rica e mais expressiva, recheada de letras completamente honestas sobre a perda de fé na humanidade, o isolamento, a perda de controlo e por fim a morte. “Closer” revela a sua perturbada vida interior, com rendições de depressão e alienação, capturando o desespero e as ansiedades resultantes da sua deterioração física devido à epilepsia. E as inflexíveis e vagas texturas musicais, tipicamente escassas e friamente eficientes fornecem o perfeito fundo de misteriosa e penetrante obscuridade. Menos baseado nas guitarras do que “Unknown Pleasures”, “Closer” é mais exposto e amplo, edificado sobre teclados e uma sonoridade minimalista.
Como expressão musical e lírica, “Closer” é um dos discos mais fascinantes de sempre, evidenciado pela sinistra percussão tribal de “Atrocity Exhibition” (cuja referência “This Is The Way- Step Inside” é um convite para a câmara de horrores que é Closer”), a precisa electrónica matemática de “Colony”, os espaçados e hipnotizantes acordes de “A Means To An End”, a singela e formosa “Heart And Soul , a aniquiladora melancolia de “Passover”, e pelas 3 últimas faixas, que reforçam esse enorme impacto emocional, começando com “24 Twenty Four Hours”, passando pelo vagarosamente dilacerante “The Eternal” e terminando com o irresistível e dolorosamente excessivo “Decades” (especialmente com a pergunta “Where Have They Been?).
Uma pergunta paira constantemente no ar -“Teria a música o mesmo poder se Curtis não se tivesse suicidado?” – mas para mim isso não é relevante, nem o mais importante, apreciamos antes o facto de termos ficado com “Closer”, a elegia de Curtis.
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3 comentários:
Os Joy Division não deixam de ser uma banda curiosa pois são muito frequentemente olhados como fundadores de muita música posterior (o que não falta por aí hoje são emulações de Curtis e dos Divisions em grande parte da cena indie), mas ao mesmo tempo não parecem receber publicamente o estatuto de banda importante que foram. Creio que os seus discos recebem sempre um misto de agrado e desconforto. O mesmo se passa comigo. Há algumas coisas que parecem mal polidas e algo grotescas, mas ao mesmo tempo fascinantes e muito belas. Este disco é, para mim, dos mais belos da década de 80.
abraço
Um dos grupos que ficam marcados pelo um sabor amargo a pouco.
Todos gostariamos de ter visto mais deles !
www.captiveofmynegativity.blogspot.com
Faço minhas as palavras do Strange Quark. Um dos melhores discos que ouvi, de tão belo e perturbante que é.
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