
29 março 2011
Rock # 21 - June Of 44 – “Four Great Points” (1998 Quarterstick)

15 março 2011
Pop # 17 - Pale Saints - “The Comforts of Madness” (1990 4AD)

Aqui estamos presente uma matéria-prima energética aliviada por uma pureza pacífica.
Com uma personalidade muito própria, ao invés de apenas criarem um som abafado e atropelado por cascatas de guitarras, deram-nos canções muito elaboradas na sua estrutura, extremamente aconchegantes e onde se nota é visível um verdadeiro esforço em serem algo mais do que apenas uma banda com uma sonoridade etérea. E se é verdade que no espectro do “shoegaze”, os Pale Saints (que sempre pareceram criminalmente sob considerados) estão mais próximos de uns Cocteau Twins - com excepção dos gloriosos sintetizadores que são substituídos por um formato sonoro mais “rock” - existe definitivamente uma sensação “4AD”, mas também há algo verdadeiramente único neste registo.
Assim desde a primeira faixa, “Way The World Is”, eles não parecem seguir uma fórmula, e cada faixa segue para a próxima sem lacunas, pois eles possuem um verdadeiro ouvido para uma musicalidade progressista, e preenchem os espaços muito bem, executando mudanças dentro das canções com uma magistral precisão.
Existe um absoluto equilíbrio entre a excentricidade e a formalidade da estrutura “pop” ao longo do álbum, e em canções como “Little Hammer”, aventuraram-se numa direcção onde provavelmente nenhum dos seus contemporâneos nunca tentaria.
A combinação entre voz incrivelmente doce, misteriosa e assustadora de Ian Masters com o harmonioso trabalho de guitarra produzido por Graeme Naysmith deixou-nos pequenas maravilhas como “Sea of Sound”, “Insubstantial”, “Language of Flowers” ou “Sight of You” que nos guiam numa belíssima e transcendental viagem.
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02 março 2011
Wire – “Red Barked Tree” (2011 Pink Flag)

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16 fevereiro 2011
Rock # 20 - Fugazi – “Repeater” (1990 Dischord)

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10 fevereiro 2011
Inovadores # 18 - Cluster – “Cluster 71” (1971 Philips)

Na altura julgado demasiado pesado e teutónico, é um registo presciente pois prefigura muita da música dos séculos XX e XXI, nomeadamente o “illbient” por 20 anos, com partes a soarem estranhamente como DJ Spooky.
Edificado por Conny Plank, as três intituladas faixas formam escuros ecos em torno de frios e repetitivos padrões de sintetizador, com “drones” electrónicos em dissolução e esporádicos sinais de alerta, fundindo as novas possibilidades de produção de ruído electrónico com as repetições e as ressonâncias do “dub”.
Um tipo de “space music” mas com uma grande ressaca, os seus estridentes sintetizadores serpenteiam para as profundezas através de um ofuscante movimento sonoro rotativo, enquanto fragmentos de irregulares batidas evocam um disforme “techno”.
Ao longo dos anos, os muitos que tentaram recriar a vasta solidão do infinito, geralmente surgiram com algo parecido com o que aqui foi realizado. Mas surpreendentemente, este disco atinge a atmosfera e a sonoridade intentada mais do que qualquer equipamento contemporâneo provavelmente conseguiria.
Um disco verdadeiramente absorvente.
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04 fevereiro 2011
Pop # 16 - Apple Boutique – “Love Resistance” (1987 Creation)

Aqui brilhantemente cruzaram uma bela melodia com uma letra simplíssima no que iria resultar numa perfeita canção “pop”, que é uma alegria pura ouvir repetidamente.
Destaca-se o excepcional trabalho de guitarra e a interacção entre os instrumentos, numa forma delicada e inspirada de tocar o denominado “jangle pop”, que nos anos 80 era encharcado pela sonoridade das Rickenbacker inspiradas nos The Byrds, mas que aqui se mostrava visionário em comparação com a s maioria das bandas da altura.
O lado B inclui ainda a enorme “The Ballad of Jet Harris”, uma canção quase instrumental que gradualmente cresce até atingir um elegante final (e aqui eles rivalizam com os melhores Felt) e a interessante “I Don’t Even Believe In You”. Um verdadeiro tesouro perdido.
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31 janeiro 2011
Rock # 19 - Prolapse – “The Italian Flag” (1997 Radar)

Após meia década a vomitarem reciprocamente acrimônias, a suave Steelyard e o psicótico escocês Derrick ainda possuem ódio e energia suficientes para continuar a dar vida ao seu muito pessoal, torturado e negligente show “a bela e o monstro”. Mesmo quando não se lamuriam (como na doce “Flat Velocity Curve”), eles justapõem as suas vozes num dissonante uníssono. E independentemente das suas características vocalizações, os Prolapse abordam os seus “jams” com uma intensidade desenfreada. O tema de abertura “Slash/Oblique”, divide a melodia bem no centro, fervilhando com a vivacidade de uns Sonic Youth, enquanto a incongruente, mas agradável “Killing The Bland” impele um “power pop” com uma tal abstracção, que se finge que o “new-wave punk” nunca enojou.
Adicionando fúria vocal com uma solidez instrumental, os Prolapse são um tanque multicolorido de prazer, uns mais ácidos Blonde Redhead, infundindo a sua música com a mesma “euro-sublimidade” mas com rajadas muito mais cáusticas.
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27 janeiro 2011
Compilações # 9 - The Homosexuals – “The Homosexuals Record” (1984 Recommended)

Os The Homosexuals foram uma banda extremamente original, inteligente, bizarra e apaixonante, que sempre se esconderam atrás de inúmeros pseudónimos e abraçaram a obscuridade.
Eles representaram verdadeiramente a ética “DIY” do “punk”, ao fazerem um esforço concentrado para evitarem o sucesso comercial, gravando em tempo emprestado nos estúdios dos seus amigos, editando os seus próprios discos e raramente tocando ao vivo.
Extremamente influentes em todas as formas da música “punk” britânicas as suas guitarras angulares, as melodias complexas e as tendências experimentais distanciou-os um pouco do “punk” que estava ser criado pelos seus contemporâneos e cimentou a sua reputação como uns precursores do “pós-punk”.
Apesar destas inclinações externas, a sua música é mais ecléctica do que experimental, pois a maioria dos aspectos experimentais – harmónica dissonante, letras surrealistas, múltiplas mudanças estilísticas e rítmicas dentro das músicas – actuam como um véu para, basicamente, canções de “pop” excêntricas, completas com harmonias vocais, refrão e versos.
Foram muitas vezes comparados com os This Heat, mas os The Homosexuals estavam mais preocupados com a elaboração de canções de uma forma mais interessante do que a desconstrução das mesmas.
Eles foram fortemente influenciados pelo “afro-beat” e pelo “dub”, mas ao invés de assimilarem estes estilos numa sonoridade “punk”, eles criaram um crivo sonoro através do qual essas sonoridades pudessem passar e depois surgirem radicalmente alteradas.
Sublimemente difícil.
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17 janeiro 2011
Classic # 29 - Blur – “Parklife” (1994 Food)

Se por um lado “Parklife” é um disco que audaciosamente retrata um período temporal, no entanto este encontra-se a anos-luz da maioria dos discos desse mesmo período. Com uma parte de mordazes comentários sociais, e outra parte de pura extravagância pop “pós-punk”, o disco gerou a mais dançável crítica social com o ultra contagiante e decadente “disco” de “Girls & Boys” e incluía mais 15 outras variadas músicas (desde o ardente “neo-punk” de “Bank Holiday”, passando pelo misterioso “space-rock” de “Far Out”, pelas melódicas harmonias de “Badhead”, até às luxuriantes orquestrações de “To The End”), o terceiro disco do grupo de Londres, misturou um irresistível e contagiante “pop”, com “soul grooves” e belas guitarras irregulares, tudo suportado por irónicas letras que satirizavam todas as coisas verdadeiramente burguesas e britânicas.
“Parklife” extravasa melodias e atmosferas e as letras de Damon Albarn desdobram-se como um grande história, saltando de uma idiossincrasia da sociedade Inglesa para outra. As suas personagens são ricas e complexas figuras, cujas vidas e acções conseguem agarrar a atenção do ouvinte (segundo Damon Albarn, “Parklife” significa “o ambiente onde a normalidade tem a oportunidade de distorcer, mas nunca realmente mudar”).
Apoiado pelas loucas vendas do “single” “Girls and Boys”, este arrebatador disco atingiu o topo das tabelas de vendas e os Blur acabaram por passar de uma banda miserável que estava prestes a ser esmagada pelo “grunge”, para serem aclamados como a melhor banda britânica desde os The Smiths.
Mas talvez a melhor ironia, é que no processo de desvirtuamento dos estereótipos modernos, os Blur não conseguiram evitar de participar numa das mais duradouras instituições britânicas: o “pop” sofisticado.
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11 janeiro 2011
Electronic # 19 - Oval – “94 Diskont” (1995 Mille Plateaux

Um trabalho singular, contribuiu para a evolução artística ao utilizar a tradição estabelecida e esmagando tudo em pedaços, numa época em que a maioria dos músicos procurava inspiração nas décadas anteriores, “94 Diskont” surgiu com uma refrescante visão do futuro, não abandonando a música electrónica do passado, mas transformando-a de formas imagináveis.
O tema de abertura “Do While” consegue, em pouco mais de 20 minutos, um ponto culminante e de destilação de todos os anteriores esforços minimalistas na música.
Conscientemente ou não, sintetizou a influência e as melhoras práticas do mais puro minimalismo de Steve Reich ou Terry Riley com essência digital da nova tecnologia “instrumental”.
A partir de detritos digitais, Oval construiu um ressonante holismo de pura beleza cristalina. E se o disco é difícil no seu propósito e metodologia, também não revela as influências e arrisca, agravado por um forte sentimento de melodia e capacidade de composição.
O tempo demonstrou que o trabalho de Markus Popp foi revolucionário, começando com a criação – ou melhor, negação – do facto musical, reduzindo-o a um conjunto de processos e algoritmos, sem aplicações dramáticas ou emocionais. Apesar de intransigente, revela-se mais acessível com subsequentes audições.
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05 janeiro 2011
My Favorites # 23 - Wall Of Voodoo – “Seven Days In Sammystown” (1985 I.R.S.)

Mas isso fez com que a banda amadurecesse e seguisse uma nova direcção, pois aqui tudo está em perfeito equilíbrio, através de som exuberante e de uma surpreendente dinâmica para um registo com 25 anos. Gravado em Inglaterra, com Ian Broudie (The Pale Fountains, The Coral) e Gil Norton (Pixies, Echo & The Bunnymen), este é o disco que altera o mecanizado som dos Voodoo, evidente nos sintetizadores muito da época utilizados nos registos anteriores, levando-o para novas áreas sonoras. Aqui a constante foi aquele verdadeiramente único som de guitarra de Marc Copeland, e a habilidade na composição de canções, mas a música possui muito mais conteúdo e substância, nuns tons mais sombrios, mas mais energéticos. Provavelmente mais acessível (dá a impressão de ter sido minuciosamente produzido, mas nunca dá a impressão de ter sido sobre-produzido). Temos de juntar a energia e o carisma trazido pelo novo vocalista Andy Prieboy, que sem comprometer o espírito essencial dos WOV ainda conseguiu contemporizou a sua sonoridade.Apesar dos fãs mais incondicionais acharem que é desrespeitoso dizer que este álbum se encontra no mesmo nível dos registos anteriores (o disco seguinte “Happy Planet” já é bastante irregular), é uma bela, retorcida, romântica e sinistra obra-prima, pois desde a incrível “Far Side Of Crazy”, passando pelo requintado humor de “This Business Of Love”, pela pungente “Faded Love”, pela robusta “Mona”, pela intensa “Big City”, por “Dark As A Dungeon” (popularizada por Johnny Cash), pela extraordinária “Tragic Vaudeville”, até à inesperada (para os fãs WOV) “(Don’t Spill My) Courage”, estamos na presença de um disco muito à frente do seu tempo.
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31 dezembro 2010
Best of 2010
Top 40
Uns dias de férias permitiram uma escuta reforçada das últimas aquisições, e após muita “reflexão”, anexo a sempre polémica lista dos melhores do ano. Como é usual está por “grupos”, para ser mais democrático
Top 3
Deerhunter – “Halcyon Digest” (2010 4AD)
Foals – “Total Life Forever” (2010 Transgressive)
The Black Keys – “Brothers” (2010 V2)
Top 10
Beach House – “Teen Dream” (Sub Pop)
Caribou – “Swin” (Merge/ City Slang)
Four Tet – “There Is Love In You” (Domino)
Midlake – “The Courage Of Others” (Bella Union)
The National – “High Violet” (4AD)
The Soft Pack – “The Soft Pack” (2010 Kemado)
Walls – “Walls” (Kompakt)
Top 40
Actress – “Splazsh” (Honest Jon’s)
Arcade Fire – “The Suburbs” (Merge)
Ariel Pink’s Haunted Graffitti – “Before Today” (4AD)
Barn Owl – “Ancestral Star” (Thrill Jockey)
Edwyn Collins – “Losing Sleep” (Heavenly)
Efterklang – “Magic Chairs” (4AD)
Field Music – “Field Music” (Memphis Industries)
Gil Scott-Heron – “I’m New Here” (XL)
John Grant – “Queen Of Denmark” (Bella Union)
Mark McGuire – “Living With Yourself” (Mego)
Matthew Dear – “Black City” (Ghostly International)
Matthew Herbert – “One One” (Accidental)
No Age – “Everything In Between” (Sub Pop)
Peter Broderick – “How They Are (Bella Union)
Phantogram – “Eyelid Movies (Barsuk)
Rangda – “False Flag” (Drag City)
Richard Skelton – “Landings” (Type)
Sleigh Bells – “Treats” (Mom & Pop)
Spoon – “Transference” (2010 Merge)
Swans – “My Father Will Guide Me Up A Rope To The Sky” (Young God)
Tame Impala – “Innerspeaker” (Modular)
Teenage Fanclub – “Shadows” (PeMa)
The Album Leaf - “A Chorus of Storytellers” (2010 Sub Pop)
The Besnard Lakes - “The Besnard Lakes Are the Roaring Night” (2010 Jagjaguwar)
The Phantom Band – “The Wants” (Chemikal underground)
The Walkmen – “Lisbon” (Fat Possum)
Trentemoller – “Into The Great Wide Yonder” (2010 In My Room)
Vampire Weekend - “Contra” (2010 XL)
Wavves – “King Of The Beach” (2010 Fat Possum)
Women – “Public Strain” (2010 Jagjaguwar)
Uns dias de férias permitiram uma escuta reforçada das últimas aquisições, e após muita “reflexão”, anexo a sempre polémica lista dos melhores do ano. Como é usual está por “grupos”, para ser mais democrático
Top 3
Deerhunter – “Halcyon Digest” (2010 4AD)
Foals – “Total Life Forever” (2010 Transgressive)
The Black Keys – “Brothers” (2010 V2)
Top 10
Beach House – “Teen Dream” (Sub Pop)
Caribou – “Swin” (Merge/ City Slang)
Four Tet – “There Is Love In You” (Domino)
Midlake – “The Courage Of Others” (Bella Union)
The National – “High Violet” (4AD)
The Soft Pack – “The Soft Pack” (2010 Kemado)
Walls – “Walls” (Kompakt)
Top 40
Actress – “Splazsh” (Honest Jon’s)
Arcade Fire – “The Suburbs” (Merge)
Ariel Pink’s Haunted Graffitti – “Before Today” (4AD)
Barn Owl – “Ancestral Star” (Thrill Jockey)
Edwyn Collins – “Losing Sleep” (Heavenly)
Efterklang – “Magic Chairs” (4AD)
Field Music – “Field Music” (Memphis Industries)
Gil Scott-Heron – “I’m New Here” (XL)
John Grant – “Queen Of Denmark” (Bella Union)
Mark McGuire – “Living With Yourself” (Mego)
Matthew Dear – “Black City” (Ghostly International)
Matthew Herbert – “One One” (Accidental)
No Age – “Everything In Between” (Sub Pop)
Peter Broderick – “How They Are (Bella Union)
Phantogram – “Eyelid Movies (Barsuk)
Rangda – “False Flag” (Drag City)
Richard Skelton – “Landings” (Type)
Sleigh Bells – “Treats” (Mom & Pop)
Spoon – “Transference” (2010 Merge)
Swans – “My Father Will Guide Me Up A Rope To The Sky” (Young God)
Tame Impala – “Innerspeaker” (Modular)
Teenage Fanclub – “Shadows” (PeMa)
The Album Leaf - “A Chorus of Storytellers” (2010 Sub Pop)
The Besnard Lakes - “The Besnard Lakes Are the Roaring Night” (2010 Jagjaguwar)
The Phantom Band – “The Wants” (Chemikal underground)
The Walkmen – “Lisbon” (Fat Possum)
Trentemoller – “Into The Great Wide Yonder” (2010 In My Room)
Vampire Weekend - “Contra” (2010 XL)
Wavves – “King Of The Beach” (2010 Fat Possum)
Women – “Public Strain” (2010 Jagjaguwar)
21 dezembro 2010
Canções de Natal IV

Eels -"Everything's Gonna Be Cool This Christmas" (1998 do 7" "Cancer For The Cure")
Hawksley Workman - "Merry Christmas (I Love You)" (2001 do álbum "Almost a Full Moon")
Julian Casablancas - "I Wish It Was Christmas Today" (2009 do 7''Homónimo)
Morphine - "Sexy Christmas Baby Mine" (single de 1993 - retirado do "Best Of")
Saint Etienne -"21st Century Christmas" (2006 do CD "Xmas 2006" (fan club)
The Fall - "Jingle Bell Rock" (1994 retirado de "The Complete Peel Sessions")
The Wedding Present -"White Christmas" (2008 da compilação "How The West Was Won")
Yo La Tengo - "Rock'n'Roll Santa" (2002 do EP "Merry Christmas From Yo La Tengo")
09 dezembro 2010
Deerhunter – “Halcyon Digest” (2010 4AD)

Divido entre as jornadas propulsoras dos Deerhunter e o docemente sonhador “rock” do seu projecto solo Atlas Sound, as suas ideias continuam a surpreender.
O último dos Deerhunter, será provavelmente menos imediato do que a anterior obra-prima, “Microcastle/Weird Era Cont”, mas “Halcyon Digest” é uma colecção de incrivelmente belas e contagiantes canções “pop”, onde Bradford Cox engloba o núcleo do seu som e todas as suas influências (o ameaçador “psicadelismo”, os “funky drones”, os sonoros congelamentos da mente, e elegante “pop-buzz”) através de sonoridades irregulares e atmosféricas de forma a atingir uma apoteose nesta oferta nebulosa, mas feliz.
Desde o simplista “Earthquake”, com o seu penoso andamento, que desperta o ouvinte para um unificado registo recheados de notáveis momentos estéticos, onde se incluem o saltitante “Don’t Cry, o encantador “Revival”, a florescente excelência de “Sailing”, o estridente “fuzz-pop” de “Memory Boy”, a espiral de linhas de guitarra do melado "Desire Lines", o emproado e surpreendente saxofone presente em "Coronado", o “noise-pop” crocante do mais experimental "Helicopter", até chegarmos aos longos arpejos de fascinantemente amargurada “He Would Have Laughed”, atingimos um universo mágico recheado de histórias honestas e singulares, e onde distintos sons animam estruturas “pop”, em outra obra brilhante na impressionante carreira Cox's. E eu só posso vê-los ficar melhor.
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30 novembro 2010
Do fundo da prateleira # 25 - Papa M – “Whatever, Mortal” (2001Drag City)

Desprovido de “acordes pop” ou drama narrativo, a atenção dos temas desloca-se para a materialidade do som: a velocidade de um “vibrato” de guitarra, o do deslizar dos dedos nas cordas de metal ou a distância entre as notas de um intervalo. Frases despidas são repetidas lentamente e sombreadas ou alteradas por outros instrumentos, criando teias sonoras, que se entrelaçam entre si.
Música que pode ter uma base “country” e “folk” e um espírito sempre muito americano – a que não são alheias as presenças de Will Oldham, Tara Jane O’Neil e Britt Walford e a omnipresença do banjo – mas que ai muito além, numa fusão das vertentes aérea e terrena que Pajo tem vindo a explorar nos últimos anos. E se “Whatever, Mortal” pode parecer à primeira um disco fechado e obscuro, quando os nossos ouvidos passam por temas como “The Lass of Roch Royal”, “Purple Eyelid”, “Krusty”, “Many Splendorer Thing” ou “Northwest Passage”, para apenas destacar algumas canções, rapidamente nos apercebemos que estamos perante uma obra de arte à leveza e à simplicidade.
Resumindo, música que qualquer mortal irá gostar.
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26 novembro 2010
My Favorites # 22 - Menomena – “Friend and Foe” (2007 Barsuk)

Neste disco apresentaram-nos outro vigoroso exercício, musicalmente como liricamente cheio de ideias, pois é impressionante a quantidade de momentos inteligentes e emocionantes que ficam connosco após a sua audição.
Eles fizeram como o seu foco principal, descarnarem a formula standard de composição e utilizando todos os aspectos da sua música para uma extensão absolutamente máxima de delicias sonoras.
As composições são imprevisíveis e complexas, no entanto as melodias são ágeis e sustentadas, numa muito própria imediata simplicidade, menos angular na sua entrega e isso torna-as mais fáceis de entender. Os seus momentos de quietude são preenchidos com estranhos saxofones, escuros e súbitos traços de piano e esmagadoras guitarras distorcidas, que espreitam a cada esquina, complementando toda a peculiar e divertida estrutura “pop” que a banda toca com perfeição em cada uma das doze faixas. Os Menomena certificam-se que cada instrumento utilizado é especificamente deles, e que o majestoso som de todas as canções é e soa claramente Menomena.A sua “assinatura” do modular “pop” que praticam é visivelmente eficaz no tema de abertura, o intrincado “Muscle’n’Flo”, um verdadeiro carrossel musical, que abre o caminho desta estranha viagem, que demonstra as dezenas de engenhosos e arrepiantes detalhes que são oferecidos no álbum, através do assombroso piano de “Wet & Rusty”, do verdadeiramente único negro “fun pop” de “Weird”, da saltitante linha de baixo e da bateria electrónica de “Evil Bee”, do “pop” fracturado de “My My”, ou do brilhantemente implacável “The Pelican”. E tal como os álbuns anteriores, a embalagem é surpreendente – o artista Craig Thompson fez todos os desenhos (um humorístico e infernal universo “freak”) e a sua sublime arte reflecte perfeitamente o som que o álbum revela.
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24 novembro 2010
Singles # 25 - Oasis – “Live Forever” (1994 Creation)

Sem grande surpresa, “Live Forever” tem as suas raízes noutra canção, Em Outubro de 1991 “Shine On Me” dos Rolling Stones, o seu refrão tem exactamente a mesma melodia que as linhas de abertura dessa canção, e que impulsionou Noel para escrever a primeira música que ele acreditava sinceramente poder ser um futuro clássico.
18 meses depois McGee e a banda estavam de acordo que a canção merecia ser o ser primeiro Top Ten. E se bem que “Supersonic” e “Shakermaker” já tinham construído o perfil da banda, “Live Forever” já constava do reportório dos seus concertos e rapidamente ganhou reputação mediante o aumento do estatuto da banda
Uma espécie de manifesto – apresentando o carácter da banda e estabelecendo tanto de onde eles vieram e ao que estavam a reagir.
Simultaneamente forjaram uma ruptura com a era “grunge” e acenaram à experiencias “acid house” de Noel: : “You and I are gonna live forever”, poderia ter saído da boca de qualquer “clubber” do final dos nos 80.
Em Agosto de 1994, “Live Forever” envolto numa capa que mostrava a casa onde John Lennon passou a sua infância, voou para o Top Ten, e as ultimas dúvidas sobre os méritos musicais dos Oasis (um pouco ocluída nessa altura pelo muito gin, coca e lutas) desapareceram.
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15 novembro 2010
Inovadores # 18 - Tuxedomoon – “Desire” + "No Tears" (1987 Crammed)

O extraordinário “Desire” (aqui reunido com o EP “No Tears”), combina canções letradas e dançantes com peças atmosféricas, utilizando ritmos automáticos, o violino "alien" de Blaine L. Reininger, o arsenal de efeitos electrónicos desconjuntados de Peter Principle e os teclados e sopros de Steve Brown, para criar registos utópicos, como na combinação de sons eléctricos com o clarinete praticada em “East”, que são capazes de se infiltrarem no sangue de um “rock-jazz” doente como um antibiótico, e servem canções sobre a decadência do amor e do Ocidente, através de melodias que capturam a mente e a alma, poemas em vez de letras, e inesperadas passagens musicais.
A maioria das pessoas pode caracterizar os Tuxedomoon como experimentalistas “underground”, mas a caracterização que mais se adequa será de essencialistas.
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Tuxedomoon - Litebulb Overkill
10 novembro 2010
Rock # 18 - Bardo Pond – “Amanita” (1996 Matador)

Tal como a maioria dos álbuns dos Bardo Pond, está recheado de intensas sonoridades “fuzzy” que giram e trituram, no entanto por debaixo de tudo isso existe sempre uma deslumbrante melodia como só mesmo eles são capazes de criar.
As influências são notórias: o psicadelismo dos anos 60, os Crazy Horse e claro os Sonic Youth.
Sombrio, pesado e hipnótico, atinge níveis superiores de massacre sonoro, camada após camada, através das trilhas de feedback das guitarras de John e Michael Gibbons e da irradiante flauta fantasmagórica da vocalista Isobel Sollenberger, sempre partindo do nuclear baixo pulsante de Clint Takeda, para criar algum da melhor música “psicadélica” das bandas contemporâneas.
Assim desde a monumental abertura com o denso e complexo “Limerick”, com as suas gritantes guitarras que criam tensão e a ressonante voz feminina, passando pela delirante experimentação sonora de “Rumination”, pela introspectiva e sensual “Be A Fish”, por essa densa valsa nuclear que reside em “High Frequency”, pelas distorcidas sinfonias celestiais de “Sentence”, até à conclusão com as texturas sonoras encharcadas de raiva presentes no tributo “RM”, seremos rapidamente absorvidos no lago (pond) e não sairemos pacificamente.
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05 novembro 2010
Extremos # 11 - Jad Fair And Daniel Johnston - “It’s Spooky” (1989 50 Skidillion Watts/ 1993 Paperhouse)

As suas auto-editadas k7’s ou são inaudíveis trabalhos de um louco ou o frágil produto de um visionário “pop”, dependendo de quem perguntarmos (se perguntarmos a alguns obsessivos notáveis como Michael Stipe dos R.E.M., Matt Groening – criador dos Simpsons – ou aos vários membros dos Sonic Youth, todos eles dirão que Johnston é um génio. (Kurt Cobain que apareceu muitas vezes em público envergando uma t-shirt Johnston, diria o mesmo). Jad Fair, apesar de mais experiente e estável do que Johnston, é também uma figura de culto. Os Half Japanese, a banda que ele criou com o seu irmão David, foram determinantes para a formação do “punk” e “indie rock”.
Num encontro surreal em 1989, eles decidiram gravar “It’s Spooky”. O disco une as desleixadas emoções entusiasticamente “indie rock” de Fair com a pungência e melancolia que caracteriza a escrita de Johnston, e essa mistura de estilos atinge um efeito dramático em “Summer Tale”.
Mas a influência mais prevalente no disco, é Johnston, que emprega maravilhosamente quer as suas usuais figuras mitológicas quer o seu ameaçadoramente directo “mix” de figuras patetas, especialmente em “Tongues Wag In This Town” e na hilariante “Frankenstein Vs. The World”.
Mas quando Johnston se afasta da fantasia, e restringe-se à descrição anedótica, os resultados são magníficos. Em “I Did Acid with Caroline” descreve uma “trip” com uma amiga, de um forma admirável, que é impossível não sermos atingido pela sua sinceridade. Da mesma foram “McDonalds on the Brain”, um relato do período em que trabalhou na cadeia de “fast-food”, é simultaneamente divertido e indescritivelmente triste.
Em última analise, “It’s Spooky”, faz jus à promessa implícita nesta colaboração, pois quer Johnston quer Fair são tão talentosos e tão destemidos que cada um dos seus registos está inevitavelmente repleto de raros e estranhos tesouros.
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28 outubro 2010
Women – “Public Strain” (2010 Jagjaguwar)

“Public Strain” definitivamente não é “Women 2.0”, é mais longo e as maciças ondas sonoras que ainda tentam aperfeiçoar, parecem agora verdadeiramente capazes. Enquanto o primeiro álbum foi coroado com fortes melodias e elevadas, no entanto belas, camadas sonoras, “Public Strain”, tem o seu foco na capacidade de composição e nas firmes melodias, é o som de uma banda a soltar-se e a alargar a sua palete sonora numa muita mais poderosa e coesa visão. Os Women continuam a fugir a uma categorização fácil, e assim é indiferente se os chamarmos de experimentalistas “pop” ou “noisemakers”, uma coisa é clara, o que eles fazem é excelente.
Melodiosos, artísticos e possuindo os impecavelmente cativantes “riffs, soam tentadoramente inovadores e ”refrescantes”, as canções ganham forma através das suas melodias, da impressionante destreza e da intrincada musicalidade da banda, que combina hermeticamente as progressões que soam singularmente livres, nas enormes “walls of sound”.
Eles podem lembrar os Deerhoof ou os Liars, mas o seu “modus operandi” (misturar luz com sombras, “noise” com “pop”) foi praticamente inventado pelos The Velvet Underground. Mas o que é fundamental, é que eles absorveram estas influências, mas sem as imitarem, retirando o que queriam, e destilando-as em algo novo. Ao fazerem isso, eles provam que são uma das mais versáteis e imprevisíveis bandas actuais. E quando chegamos ao épico “Eyesore”, que exibe os variados pontos fortes da banda – a atmosfera dos seus temas “noise”, os “riffs” angulares dos seus números “pop” e aquela pureza “rock” sempre à espreita - só apetece começar a audição novamente.
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23 outubro 2010
Compilações # 8 - Abecedarians – “AB-CD” (1988 Caroline)

Assente nas vocalizações profundas e distintas de Chris Manecke, em conjunção com as exuberantes guitarras submersas em “reverb”, era a robusta secção rítmica que funcionava como a âncora sonora que continha as imponderáveis atmosferas onde as canções se aventuravam. A banda notavelmente intercalava uma quantidade de truques tecnológicos no seu som, alternando entre canções mais optimisticamente “pop” e material mais melancolicamente lento. E assim se as guitarras discordantes do sombrio “Ghosts” relembram os Joy Division, já as “drum-machines” e os sintetizadores presentes em “The Other Side Of The Fence” recordam os Orchestral Manoeuvres In The Dark nos seus primórdios.
Um disco para ouvir lentamente e repetidamente.
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19 outubro 2010
Tributo # 13 - Can
Os Can surgiram em 1968, na cidade de Colónia. A anarquia, novas liberdades e novas questões estavam no ar. A Europa Ocidental estava a adoptar novas formas de pensar o seu futuro, e os jovens
alemães levaram a necessidade de revolução para o coração.
O teclista Irmin Schmidt tinha sido aluno do pioneiro da música electrónica Karlheinz Stockhausen, e durante esse período, Schmidt conheceu Holger Czukay, que na altura compunha extremamente complexas peças musicais e que se tornou baixista enquanto ganhava a vida como professor de música.
Um dos alunos de Czukay, o guitarrista, Michael Karoli, estava convencido de que os The Beatles e os The Rolling Stones eram melhores do que Stockhausen e Beethoven. Ele demonstrou-o a Czukay ao tocar “I Am the Walrus”, um momento decisivo para Czukay, pois este percebeu que era possível ser-se musicalmente audacioso no contexto de uma canção “pop”.
Entretanto Schmidt estava a ficar cada vez mais aborrecido com os seus estudos formais da música e cada vez mais encantado pelos sons radicais provenientes do mundo do “rock”, especialmente, os The Mothers of Invention, os The Velvet Underground e Jimi Hendrix, ou seja, música eléctrica que incorporou improvisação, dissonância, elevados volumes sonoros e, provavelmente o mais importante, o ritmo percussivo – um elemento que a música clássica, mesmo nos seus modelos mais “avant-.garde”, nunca incluiu.
Schmidt e Czukay decidiram formar um grupo para criar um novo tipo de música; nenhum tinha muito conhecimento do “idioma rock”, um facto que ambos consideravam uma grande vantagem, pelo facto de assim ser difícil seguir os “rock” clichés.
Recrutaram Karoli para tocar guitarra, e completaram o grupo com um amigo de Schmidt – o baterista Jaki Liebezeit - que tocava “free jazz” e “bebop”, e um itinerante artista negro norte-americano chamado Malcolm Mooney, que possuía a rara habilidade de improvisar letras que faziam um muito seu próprio sentido.
Os Can queriam fazer um tipo de música que combinasse elementos de “rock”, “jazz”, “r&b”, “world music”, electrónica, mas que no entanto não fosse nenhuma dessas, pois era crucial que essa música fosse apenas deles, caso contrário, não tinha interesse.
Liebezeit, também tinha começado a odiar as suas performances de “free jazz”, ele sentiu que o “free”, paradoxalmente, estava actualmente a matar a música, e começou a desenvolver um interesse nos ritmos “naturais” que podiam ser encontrados nas músicas étnicas, ritmos que podem ser multifacetados e complexos e ao mesmo tempo fa
cilmente “sentidos” e “compreendidos” pelo corpo humano.
Desde o início que a música dos Can se caracterizou pelos fortes poliritmos da percussão e pela densa interacção instrumental, como é visível nos 20 minutos de “Yoo Doo Right” do primeiro álbum “Monster Movie”.
Foi no seu próprio estúdio de gravação situado num velho castelo chamado Schoss Norvenich, a cerca de meia hora de Colónia, que os primeiros álbuns da banda foram gravados (o japonês Damo Suzuki substituiu Mooney após a edição do primeiro). A música dos Can foi construída no princípio de que “everyone solos, no one solos” – ou seja, a música era sobre o “tecido” e não sobre os “tecelões”. As peças têm frequentemente uma “qualidade fabricada” – Czukay, como engenheiro chefe, esculpia as “jams” livres, através da edição e da
mistura, dando-lhes estrutura e espaço para respirar.
Foi a espontaneidade e a forma quase telepática de trabalharem em conjunto que criou o verdadeiro génio e que os fãs consideram os seus melhores anos: “Tago Mago”, “Ege Bamyasi”, “Future Days” e “Soon Over Babaluma”.
Todos os álbuns foram gravados em duas pistas, o que é surpreendente tendo em conta a densidade de informação sónica que contêm. Mas Czukay, sentiu que o uso de “multitracking” foi o princípio do fim, pois incentivou o grupo a pensar em si mesmos como “players” mais preocupados com as suas partes do que contribuírem apenas com o que era necessário para a excelência do todo. E isto é evidente nos últimos discos dos Can, já com Rosko Gee no lugar de Czukay, e com a adição do percussionista Reebop Kwaku Baah. O grupo tinha melhorado como “players”, no entanto a música perdeu a sua inefabilidade, o seu mistério e assim o seu real poder.

O teclista Irmin Schmidt tinha sido aluno do pioneiro da música electrónica Karlheinz Stockhausen, e durante esse período, Schmidt conheceu Holger Czukay, que na altura compunha extremamente complexas peças musicais e que se tornou baixista enquanto ganhava a vida como professor de música.
Um dos alunos de Czukay, o guitarrista, Michael Karoli, estava convencido de que os The Beatles e os The Rolling Stones eram melhores do que Stockhausen e Beethoven. Ele demonstrou-o a Czukay ao tocar “I Am the Walrus”, um momento decisivo para Czukay, pois este percebeu que era possível ser-se musicalmente audacioso no contexto de uma canção “pop”.

Entretanto Schmidt estava a ficar cada vez mais aborrecido com os seus estudos formais da música e cada vez mais encantado pelos sons radicais provenientes do mundo do “rock”, especialmente, os The Mothers of Invention, os The Velvet Underground e Jimi Hendrix, ou seja, música eléctrica que incorporou improvisação, dissonância, elevados volumes sonoros e, provavelmente o mais importante, o ritmo percussivo – um elemento que a música clássica, mesmo nos seus modelos mais “avant-.garde”, nunca incluiu.
Schmidt e Czukay decidiram formar um grupo para criar um novo tipo de música; nenhum tinha muito conhecimento do “idioma rock”, um facto que ambos consideravam uma grande vantagem, pelo facto de assim ser difícil seguir os “rock” clichés.

Recrutaram Karoli para tocar guitarra, e completaram o grupo com um amigo de Schmidt – o baterista Jaki Liebezeit - que tocava “free jazz” e “bebop”, e um itinerante artista negro norte-americano chamado Malcolm Mooney, que possuía a rara habilidade de improvisar letras que faziam um muito seu próprio sentido.
Os Can queriam fazer um tipo de música que combinasse elementos de “rock”, “jazz”, “r&b”, “world music”, electrónica, mas que no entanto não fosse nenhuma dessas, pois era crucial que essa música fosse apenas deles, caso contrário, não tinha interesse.
Liebezeit, também tinha começado a odiar as suas performances de “free jazz”, ele sentiu que o “free”, paradoxalmente, estava actualmente a matar a música, e começou a desenvolver um interesse nos ritmos “naturais” que podiam ser encontrados nas músicas étnicas, ritmos que podem ser multifacetados e complexos e ao mesmo tempo fa

Desde o início que a música dos Can se caracterizou pelos fortes poliritmos da percussão e pela densa interacção instrumental, como é visível nos 20 minutos de “Yoo Doo Right” do primeiro álbum “Monster Movie”.
Foi no seu próprio estúdio de gravação situado num velho castelo chamado Schoss Norvenich, a cerca de meia hora de Colónia, que os primeiros álbuns da banda foram gravados (o japonês Damo Suzuki substituiu Mooney após a edição do primeiro). A música dos Can foi construída no princípio de que “everyone solos, no one solos” – ou seja, a música era sobre o “tecido” e não sobre os “tecelões”. As peças têm frequentemente uma “qualidade fabricada” – Czukay, como engenheiro chefe, esculpia as “jams” livres, através da edição e da

Foi a espontaneidade e a forma quase telepática de trabalharem em conjunto que criou o verdadeiro génio e que os fãs consideram os seus melhores anos: “Tago Mago”, “Ege Bamyasi”, “Future Days” e “Soon Over Babaluma”.
Todos os álbuns foram gravados em duas pistas, o que é surpreendente tendo em conta a densidade de informação sónica que contêm. Mas Czukay, sentiu que o uso de “multitracking” foi o princípio do fim, pois incentivou o grupo a pensar em si mesmos como “players” mais preocupados com as suas partes do que contribuírem apenas com o que era necessário para a excelência do todo. E isto é evidente nos últimos discos dos Can, já com Rosko Gee no lugar de Czukay, e com a adição do percussionista Reebop Kwaku Baah. O grupo tinha melhorado como “players”, no entanto a música perdeu a sua inefabilidade, o seu mistério e assim o seu real poder.
14 outubro 2010
Pop # 15 - The Delgados – “Peloton” (1998 Chemikal Underground)

O processo de aprendizagem que os levou de um extremo para o outro, desdobra-se diante dos nossos olhos. Os primeiros temas são particularmente bons exemplos – em “The Arcane Model” e especialmente na esplêndida “Everything Goes Around the Water”, existe uma fusão entre o deslocado “pub rock” de “Domestiques” com o estranho tom de suavidade aveludado da sua música posterior.
Pollock surge magnífica nos tons melodiosos da suave “The Actress”, e na viçosa e mágica “Pull The Wires From The Wall” a sua contribuição é particularmente impressionante. A presença da guitarra acústica e do violoncelo na introdução faz evocar Kristen Hersh, mas há também uma pitada de Marianne Faithfull na assustada mas avaliada entrega de Pollock. Mais emocionante ainda é “Blackpool”, um sinistro relato em que as alterações dos tempos são negociados por uma bizarra acrobacia fonética que encanta e confunde o ouvinte. E o francamente mental “Repeat Failure” que soa como se os My Bloody Valentine estivessem a massacrar os Belle And Sebastian, escutado através de um exausto rádio de onda curta.
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07 outubro 2010
Rock # 17 - Hüsker Dü – “New Day Rising” (1985 SST)

Literalmente esmagador, ele recomeça onde “Zen Arcade” acabou e simplesmente dispara, capturando a banda numa fase onde eles se encontravam a passar do veloz “hardcore” dos discos anteriores para a sonoridade mais melódica dos álbuns que se seguiram. A velocidade das canções é ligeiramente inferior, mas a intensidade do fluxo nunca cessa.
A capacidade conjunta de composição de Grant Hart (provavelmente melhor em “Flip Your Wig”) e Bob Mould nunca funcionou tão bem como aqui, onde o perverso sentido de humor de Hart surge como um contraponto mais ensolarado às escuras e torturadas obsessões de Mould. Tal como os Velvet Underground nos anos 60, eles estavam a re-escrever as regras do “rock” e “pop” mas também do “hardcore” e “punk” de um só golpe.
O disco está recheado de grandes canções, sempre carregadas de emoções, onde a guitarra de Mould é nitidamente ameaçadora e implacável, a bateria de Hart é quase “jazzística”, de fluxo livre e a dirigir velozmente e sem fôlego as canções para a frente e com o baixista Greg Norton a colar as coisas com subtis ganchos melódicos.
Desde a selvagem, incendiária “New Day Rising”, passando pelo brilhante épico “Celebrated Summer”, pela explosiva “I Apologize”, pela vigorosa “Terms of Psychic Warfare”, pela política “Folklore”, pela “trashy” “Punch Drunk”, pela melancólica “Girl Who Lives On Heaven Hill”, pela excelente “Books About UFO’s” até chegarmos ao colapso sonoro de “Plans I Make”, este registo ficará para sempre como uma das indiscutíveis referências do “rock alternativo” americano dos anos 80.
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01 outubro 2010
Trentemoller – “Into The Great Wide Yonder” (2010 In My Room)

Utilizando uma mistura deliciosa e extravagante de instrumentos, o álbum apresenta guitarras eléctricas, guitarras acústicas, quarteto de cordas, “theremin” e até uma caixa de música, entre muitos outros, criando uma monumental paisagem sonora, simultaneamente psicadélica e cinematográfica.
Aqui Trentemoller surge ambiciosa e elegantemente a experimentar com texturas sonoras mais orgânicas e analógicas, misturando melodias complexas com sons, ritmos e géneros de um alcance mais longínquo, como “pós-punk”, “electro”, “gothic rock” e “surf rock”, mas unindo todos os elementos num fluxo continuo, de tal forma conceitualmente bizarro, que deixa os ouvintes, com poucas opções, para além de se apaixonarem.Além disso, ele coloca muita mais ênfase nas vocalizações ao recrutar numerosos convidados, e assim desde o pensativo “Sycamore Feeling”, passando pelo sinuoso “Even Through You’re With Another Girl”, pelo assombroso “Silver Surfer, Ghost Rider Go”, ou pelo etéreo “Neverglade” (com a participação de Fyfe Dangerfield dos Guillemots), cria um formosamente variado álbum, que facilmente ultrapassa os limites da música electrónica, e sublinha o talento visionário que Andres Trentemoller é.
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27 setembro 2010
Extremos # 10 - Chrome – “Half Machine Lip Moves” (1979 Beggars Banquet)

Este álbum foi sem dúvida o melhor momento dos Chrome (“Alien Soundtracks” de 1977 foi a outra obra-prima): a cauterizada guitarra de Creed, fortemente carregada de efeitos FX, o Moog e as arrepiantes vocalizações de Edge, sustentadas pela percussão metálica, uniram-se para criar o que poderia ter se tornado num ponto de partida radicalmente novo para uma forma emergente de “post-rock”. A sua influência pode ser perceptível no som dos Big Black e em alguns outros grupos, mas a extensão do seu esquecimento pode ser medido no mês em que o cadáver de Damon Edge permaneceu por descobrir após a sua morte em 1995.
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24 setembro 2010
Rock # 16 - The Wedding Present – “Seamonsters” (1991 RCA)

A genial produção de Steve Albini, acondiciona as tensas e atormentadas vocalizações de David Gedge, fazendo rosnar as dolorosamente honestas histórias, e encalhando-as em camadas sonoras que criam uma paisagem “auditiva” que ondula dores.
Mas a abordagem de Albini na gravação da banda também traz à tona os pontos fortes da mesma, não apenas o ofuscante dedilhar de guitarra de Peter Solowka, mas também a intensidade da bateria de Simon Smith.
Gedge surge mais uma vez como um imã para os maus relacionamentos. Liricamente ele continua a falar sobre o amor (perdido e não correspondido) namoricando e actuando de uma forma desprezível, mas os cenários são mais variados e desta vez menos convencionais.
O deslumbrante material sonoro presente em “Seamonsters”, faz dele um disco perfeito, pois não possui uma única música menor, e assim o registo simplesmente flui com jóias maravilhosos como “Dalliance”, “Dare”, “Suck”, “Rotterdam”, “Lovenest”, “Corduroy” ou “Heather” (algumas músicas apontam para o futuro “pop” de Gedge com os Cinerama), que comprovadamente são o seu coroamento dos tormentos pessoais e dos turbilhões de guitarra, pois tal como os My Bloody Valentine, eles pareciam estar a aniquilar as guitarras.
Provavelmente se eles fossem originários de Seattle, talvez hoje tivessem a mesma estima de uns Nirvana, mas egoistamente, tanto quanto os adoro, eu não me importo da sua relativa obscuridade.
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21 setembro 2010
Inovadores # 17 - Alexander “Skip” Spence – “Oar” (1969 Columbia)

Gravado em três faixas, e absolutamente a solo, “Oar” representa um tipo de exploração psicadélica interior que não iria encontrar um público real durante décadas.
Profundo, intenso e comovente Spence vagueia de um modo existencialista entre a psicologia (a incrível “War In Peace”), e faixas de meditação (“Grey/Afro”), tudo encravado entre momento de humor genuíno e comovente tristeza.
Seria incorrecto dizer que a editora não apoiou a edição do disco, pois teve anúncios nas revistas de música americanas e foi mesmo criticada de forma muito positiva na revista Rolling Stone. Mas com um conjunto de canções tão sombrias e com a aceitação da sua desesperança, nunca existiu uma verdadeira hipótese de os “hippies” se prenderem e ele.
É essencial que se aborde este disco com uma mente aberta, pois se apenas o analisarmos superficialmente, não é nada mais que um registo de refugos induzido por drogas. Mas se olhar por debaixo da superfície, descobrimos algo verdadeiramente extraordinário.
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17 setembro 2010
In The Beggining # 6 - Palace Music – “Viva Last Blues” (1995 Drag City)

Mas no inicio dessa década, Will Oldham involuntariamente contribuiu para um outro renascimento das raízes americanas quando o nativo de Louisville no Kentucky, olhou para o seu próprio quintal em busca de inspiração.
Inicialmente editou a sua bem estudada versão de baladas “country” da era da Depressão no registo de 1992, “There Is No-One What Will Take Care Of You”, mas rapidamente ele abandonou o pastiche do “field-recording” e estabeleceu a sua própria voz em “Viva Last Blues”. Resolveu juntar uma banda com elementos que nunca tinham tocado juntos e libertou-os no estúdio, criando uma intrigante mistura de “folk-country-rock” que desafia classificação (ocasionalmente cobre o mesmo terreno do que os American Music Club). A produção desnudada de Steve Albini é bem visível na forma como a bateria é alisada sobre as guitarras com toda a delicadeza de uma forma a que o registo relembre uma autêntica “basement tape”.
Apesar de estar mais perto do convencional, a sua voz ainda surge rachada nos momentos certos, com Oldham acrescentando sentimento e idiotice” a versos como “If I could fuck a mountain, Lord, I would fuck a mountain” enquanto a sua banda toca como uns desarticulados músicos de Nashville.
Pode deixar-nos com um sentimento triste e claustrofóbico, mas este disco é extremamente belo na sua morbilidade.
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14 setembro 2010
Wavves – “King Of The Beach” (2010 Fat Possum)

Mas essa transição do quarto solitário para o estúdio profissional poderia ter sido uma prova muito grande para ser superada no sentido de aprimorar as suas habilidades interpessoais e aguçar os danificados ritmos do seu desigual segundo disco.Mas mal o disco começa a tocar, é muito claro que esta não é a mesma banda que criou minutos de inaudível clamor nos registos anteriores. Com uma categórica produção, as canções agora surgem completas, duras como pregos, e os amplificadores viraram-se completamente para o máximo. O próprio Williams está diferente, em “King Of The Beach” encontramo-lo a comutar com a sua capacidade de composição interior (toda a aversão a si mesmo e frenesim adolescente ainda está presente, mas ele parece mais feliz), renunciando ao estático niilismo “lo-fi” a favor da clareza da “alta definição” – assim o álbum está saturado de elevadas harmonias polifônicas, estalados de dedos e palmas. A animosidade das espessas guitarras e da suja bateria de “Idiot”, o impecável 60’s “garage-pop” de “Post Acid”, o “rock” frenético de “Green Eyes”, ou a gentil e espaçada “When Will You Come”, fazem deste versátil e extremamente bem executado registo uma surpreendentemente boa surpresa.
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10 setembro 2010
Classic # 28 - The Stooges – “Fun House” (1970 Elektra)

Provavelmente derrotando a sua fonte de inspiração - “White Light/ White Heat” dos The Velvet Underground - no seu próprio jogo (embora por meios um pouco diferentes), eles gravaram o que é indiscutivelmente um dos álbuns mais intensos de sempre, encontraram o equivalente musical da mais desenfreada, anárquica, torturante festa que qualquer homem jamais poderia conceber – simultaneamente terrível e fascinante na sua completamente selvagem naturalidade.
No disco de estreia, Iggy era um vocalista mais conflituoso do que qualquer outro do seu tempo, mas aqui ele surge como se estivesse no meio de uma transe tribal, que exigia a completa submissão” do corpo, mente e alma. As letras complementam a música perfeitamente, mas isto não é poesia para ser analisada ao mesmo nível de seriedade do que seriam letras de Bob Dylan, mas nada poderia ser mais apropriado, no calor do momento que a ladainha “I feel alright” repetida durante o fim incendiário de “1970”.
O registo está carregado com o mais directo “garage-rock” - “Down On The Street”, “Loose”, “T.V.Eye” - e seguidamente e de uma forma lenta entra em improvisação livre (juntando-se aqui para o resto da viagem o saxofonista Steven Mackay, que irá rivalizar os solos com a guitarra de Ron Asheton). Eles tiraram as suas sugestões directamente da então contemporânea cena “avant-gard” “ jazz”, e culminam com o apocalíptico “L.A. Blues”, a única lógica conclusão, quase cinco minutos da mais chocante e pura dissonância que sintetiza o manifesto do álbum. Mas um dos aspectos mais importante deste álbum é a forma como as músicas funcionam como um todo coeso, e 40 anos após o seu lançamento original, quando até mesmo a sua editora recuou perante o seu ruidoso, sujo e brutal “rock’n’roll”, nada pode diminuir a energia pura e genialidade emaranhados nesta celebração irrestrita. “Funhouse” é “Detroit Rock” no seu melhor, servindo como crucial diagrama para o “punk”, “post-punk”, “new wave” e “noise/art rock”.
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06 setembro 2010
Pop # 14 - Luna - “Lunapark” (1992 Elektra)

Tal como Lou Reed, Wareham é um mestre no jogo das palavras geradas a partir de conversas mendanas.
Mas onde Reed comemora as agrestes histórias do “underground” de Nova Iorque, Wareham prefere escrever canções de amor para os neuróticos urbanos que assombram as áreas do Lower East Side.
Escolher um disco favorito dos Luna, é então tão difícil como escolher entre “What Goes On”, “Pale Blue Eyes” ou “Beginning To See The Light” dos Velvet.
Mas, pelo menos hoje, fica aqui uma inclinação para o disco de estreia da banda.
Em “Bewitched” arredondaram a sonoridade da banda com um segundo guitarrista; “Penthouse” aperfeiçoa o estilo Luna; e “Pup Tent” acrescentou algumas lúdicas ondulações experimentais. O sonhador “Lunapark” é o que se sente mais relaxado e mais variado, com o ex-baterista dos The Feelies, Stanley Demeski e o ex-baixista dos The Chills Justin Harwood a trazerem uma sensação de firmeza e coesão na performance que por vezes faltava na derivação estética dos Galaxie 500 e com Wareham a providenciar melodias eternas e memoráveis na harmoniosa guitarra e nas elevadas vocalizações.
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03 setembro 2010
Extremos # 9 - Big Black – “Songs About Fucking” (1987 Touch & Go)

A sonoridade do disco é avassaladora, como se fossemos atingidos por uma parede de som, e a chave para o duradouro apelo, encontra-se em grande parte na sua simplicidade, pois os Big Black destilaram a música “rock” através dos seus elementos mais básicos: guitarra, baixo e “drum machine”. E apesar desta abordagem minimalista, “Songs About Fucking” é dificilmente macio e torna-se verdadeiramente provocador – o que emerge é uma barragem de contundente e destripante “noise” que agride os tímpanos com uma mistura de desconcertantes rajadas de guitarra e pulsantes “beats” industriais. Tudo isto culminando com o demente e enlouquecido estilo vocal de Albini.
Os conceitos aqui lançados aqui são geralmente desagradáveis e niilistas, seja o sujo ruído de “The Power Of Independent Trucking”, as fracturadas “basslines” e a inumana programação de “Bad Penny” e “Columbian Necktie”, o “punk” agressivo de “L-Dopa”, a raiva do “proto” industrial “Precious Thing”, a sinistra “Kitty Empire”, ou o puro “feedback” e as empoladas, distorcidas vocalizações presentes em “The Model”, uma assombrosa versão do original dos Kraftwerk. E tudo isto através do que parece ser uma “incorrecta” mistura e engenharia das canções, pois as mesmas soam como se estivessem a sair através de um pequeno rádio portátil.
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30 agosto 2010
Foals – “Total Life Forever” (2010 Transgressive)

É evidente uma maior ambição e uma maior maturidade, o que sugere que a prioridade da banda foi racionalizar a sonoridade “indie” mais acessível, que foi de alguma forma criticada no disco de estreia. É certo que as características guitarras encharcadas de agudos ainda permanecem, mas agora elas servem para adicionar sabor ao invés de conduzir as músicas, e também o vocalista Yannis Philippakis melhorou, e o seu emocional e arrepiante desempenho está a quilómetros de distância do seu indiscutivelmente repetitivo uivar do passado. Assim o som global é mais expansivo e a produção mais “calorosa”, eles expandiram consideravelmente a sua gama musical e combinaram todas as suas forças, mas raramente soam previsíveis.
Destacam-se a pálida e límpida “Blue Blood”, que lentamente acumula vigor antes de explodir num coro glorioso e num duplo serpentear de guitarras, e “Spanish Sahara”, que é inicialmente paciente e metódico, sendo os elementos adicionados gradualmente de forma a refazerem uma completamente satisfatória construção rítmica. Mas ainda temos as delícias “pop” de “Miami”, as texturas sensuais de “Black Gold” e “2 Trees”, a arrojada escultura melódica de “Total Life Forever”, as cintilantes guitarras e as camadas atmosféricas de sintetizadores de “This Orient”, as belíssimas melodias de “Alabaster” ou a simplicidade tribal de “What Remains”.
É pois a ambiguidade de estilos, e a insistência em levar o ouvinte ao longo de uma intensa viagem, que faz de “Total Life Forever” uma declaração de intenções infinitamente interessante.
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27 agosto 2010
Covers # 14
Para encerrar o ciclo dos ultimos posts que estavam relacionadas com a editora 4AD, andei pela prateleira e encontrei estas versões:
Um das bandas mais bizarras que esteve na 4AD, recriou este tema que acabou por ser um inesperado sucesso no inicio da decada de 80:
Das poucas "covers" que os Pixies realizaram, esconderam uma no lado B do single "Velouria", para o pretenso "padrinho" do "grunge"


E em relação aos Pixies, a sua influência é enorme e não faltam "covers":
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